Safrinha de milho traz euforia para produtores e indústrias
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Agronegócio

Safrinha de milho traz euforia para produtores e indústrias

A produção será de 10,6 milhões de toneladas, a segunda maior da história
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DCI - A safrinha de milho, que começa a ser plantada em fevereiro, está levando entusiasmo a produtores e empresas que trabalham com o produto. A produção será de 10,6 milhões de toneladas, a segunda maior da história, de acordo com previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que representa cerca de 25% da colheita total de milho em 2006/07.

Além disso, a área plantada deve ser de 3,4 milhões de hectares, um crescimento de 5,8% sobre a safra anterior. Para a primeira safra, a previsão é de uma redução de 1,4% e na safra total de milho deve haver elevação de apenas 0,4% da área.

O aumento da safrinha já impacta o setor de fertilizantes. Segundo o diretor da Associação Nacional para difusão de Adubos (Anda), Eduardo Daher, a compra de fertilizantes para a safrinha, que costuma ocorrer no segundo trimestre, começou já no final do ano passado: “Não é normal isso acontecer, mas a procura começou em novembro”, diz. No setor de sementes, a norte-americana DuPont Co. disse que faltarão sementes de milho transgênico de sua variedade mais lucrativa, devido ao crescimento da demanda por etanol nos Estados Unidos.

A unidade de sementes da DuPont, Pioneer, não tem estoques suficientes para atender a demanda por sementes melhoradas, que incluem resistência a pesticidas e herbicidas, disse Erik Fyrwald, vice-presidente de Agricultura da DuPont. Segundo ele, a falta de produtos não vai se repetir no ano que vem.

No Brasil, a Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), que está investindo R$ 20 milhões na sua Unidade de Produção de Sementes de Milho Híbrido, espera aumentar sua produção em 15%, saltando de 300 mil sacas colhidas no ano passado para 350 mil.

“Estamos observando que essa safrinha virá com força e será mais elástica que nos últimos dois anos em função do preço de comercialização”, diz o diretor executivo da Coodetec, Ivo Carraro. Ele revela que toda a semente produzida já foi distribuída nas cooperativas. A expectativa da Coodetec é que quando estiver em plena operação, a unidade de sementes híbridas beneficie 800 mil sacas de sementes de milho.

Logística preocupa:

Para o diretor da consultoria Céleres, Leonardo Sologuren, o setor poderá enfrentar problemas de logística no que se refere ao deslocamento do produto, pelo crescimento de produção na safrinha. “O principal problema é escoar o milho para outras regiões, o custo do transporte poderá reduzir muito a rentabilidade do produto”, diz. É o que acontece com os agricultores da Região Centro-Oeste, por estarem longe dos portos poderá ter as exportações prejudicadas, já que o custo de frete no transporte rodoviário desses produtos deverá subir.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Milho (Abimilho), César Borges de Souza, o Brasil tem dificuldade em exportar milho em grandes volumes devido à deficiência na parte de transporte. “Acredito que três milhões de toneladas a mais que o previsto seria o limite logístico do País”, afirma. Ele espera que até o inverno a safra de verão do milho e da soja já tenha sido escoada: “Os agentes de mercado vão antecipar esse movimento e exportar quanto puderem na safra de verão”.

Segundo Souza, o volume de exportação do milho industrializado também será maior, cerca de 10%, mas a indústria alimentícia não deverá sofrer problemas de logística porque processa durante o ano todo e não está concentrada no período de safra.

A Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) estima um aumento em torno 15% na área da safrinha. De acordo com o analista técnico e econômico da Ocepar, Robson Mafioletti, se mesmo com os preços internacionais altos o custo com o transporte for alto a saída será armazenar o produto aproveitando que nesse período os armazéns costumam ficar vazios.

Na previsão do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as exportações de milho deverão crescer também por causa da safrinha. Segundo a entidade, o milho já acumula alta de 1,7% este mês no mercado interno.


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