Safrinha de risco e preço elevados

Agronegócio

Safrinha de risco e preço elevados

Paraná expõe as lavouras ao risco de geadas precoces
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Indicador da Expedição Safra mostra que produtor resolveu ampliar plantio apesar do risco de geada precoce no Paraná e de seca em Mato Grosso

Motivados pelos preços em alta e pelas perspectivas favoráveis, os produtores brasileiros passaram por cima do risco climático e elevaram suas apostas no milho safrinha neste ano. Com aumento de 5% na área de cultivo, o cereal ocupa 5,53 milhões de hectares no Brasil neste inverno, apurou a Expedição Safra Gazeta do Povo.

A ameaça do La Niña, que permeou todo o ciclo produtivo de verão, mas não se confirmou, retorna no inverno, afirmam os meteorologistas. No Paraná, expõe as lavouras ao risco de geadas precoces. Em Mato Grosso, os mapas climáticos indicam que o perigo é a falta de chuvas. Mas, como contam com a proteção do mercado, os produtores não se mostram muito incomodados.


Depois de perder terreno considerável para a soja nos últimos verões, o milho volta com força e ganha espaço como opção de segunda safra em praticamente todo o cinturão de produção. Só não avança em Mato Grosso porque enfrenta forte competição com o algodão e houve atraso na colheita da soja. O Paraná lidera o avanço, com incremento de 19% no plantio. No maior produtor nacional, as lavouras de milho safrinha se estendem por 1,6 milhão de hectares, quase o dobro da área destinada ao cereal no último verão.

“O preço está muito bom. Não poderia deixar de plantar”, diz o produtor José Roberto Mortari. Na propriedade que mantém em Londrina (Norte do estado), ele aumentou em cerca de 70% a área destinada ao milho safrinha, que passou a ocupar 120 hectares.

Os preços em alta adubam a produção não só onde o milho safrinha está consolidado, como nos líderes Paraná e Mato Grosso, mas também em estados que até alguns anos atrás não tinham tradição alguma na cultura. É o caso do Piauí, uma das mais novas e promissoras fronteiras agrícolas brasileiras. Os produtores piauienses, que alguns anos atrás sequer plantavam milho de verão, há dois anos começaram a investir no cereal de segunda safra, que lá é plantado mais cedo do que no Centro-Sul do país.

Quando passaram pelo estado, em fevereiro, os técnicos e jornalistas da Expedição encontraram agricultores correndo contra o tempo para tirar a soja do campo e largar as sementes de milho no solo. A experiência é nova na região, mas vem ganhando adeptos a cada ano. Celso Werner, um dos pioneiros da safra dupla no distrito de Nova Santa Rosa, município de Uruçuí, contou à equipe que tirou da lavoura 4,8 mil quilos de milho por hectare no inverno de 2010. Satisfeito com o resultado, reservou 550 hectares ao cereal de segunda safra neste ano e espera repetir o bom desempenho em junho, quando iniciará a colheita.

Muito mais do que pelo clima, apostas como a de Werner são incentivadas pelo mercado, que sustenta tendência positiva desde o segundo semestre do ano passado e deve manter-se em alta nos próximos meses. Ainda sob influência do fenômeno climático La Niña, o inverno de 2011 será de risco elevado para uma cultura já tradicionalmente arriscada, observa o agrônomo Robson Mafioletti, assessor técnico-econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Com redução de 4,4% na produtividade média brasileira, a segunda safra de milho do país tem potencial para superar a marca de 22 milhões de hectares, resultado ligeiramente acima do obtido em 2010, mostra levantamento da Expedição. “O risco é inerente ao safrinha e o atraso no plantio não deve afetar o volume de produção. A estimativa preliminar, que já considera a possibilidade de quebra climática devido ao La Niña, aponta para outra safra muito boa de milho de inverno”, pontua Mafioletti.

“No ano passado, parou de chover no dia 6 de abril. Se este ano for igual, metade da safra vai ser perdida. Mas não parece que isso vai acontecer, pois já estamos quase na metade do mês e ainda há previsão de chuva”, diz o produtor Jaime Coradini, de Primavera do Leste (Sul de Mato Grosso). Para se proteger contra o clima e cobrir seus custos de produção, ele aproveitou ofertas de compra a preços 95% acima dos praticados nesta mesma época de 2010. “Não vendi mais porque ainda não dá para saber quanto vou colher”, explica.

“Os preços estão bons. Mas no milho a gente nunca se empolga muito porque o mercado oscila demais”, avalia Eduardo Godói, de Sapezal (Oeste mato-grossense). Com 30% da safra vendida ainda na época do plantio, ele se diz otimista com os resultados no campo. “O clima está excelente, chovendo toda noite e com sol durante o dia, do jeito que a lavoura gosta. Melhor do que o ano passado já dá para dizer que vai ser”, prevê.

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