Sanidade e diálogo vão ditar o agro pós-Covid

Imagem: Pixabay

DEBATE

Sanidade e diálogo vão ditar o agro pós-Covid

Setores de proteína, café, grãos e fibra discutiram as possibilidades e desafios da produção em tempos de pandemia
Por: -Eliza Maliszewski
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Os diferentes setores de agronegócio brasileiro estiveram reunidos para debater o Agro “Dentro da Porteira”: Os desafios da produção agrícola nacional em tempos de pandemia.  O evento on-line foi promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), nesta segunda-feira (15). O cenário pós-pandemia, as dificuldades e as possibilidades foram debatidos por André Guillaumon, presidente da BrasilAgro, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé e a pecuarista Carmen Perez, com mediação do presidente da Abag, Marcello Brito.

Os debatedores são unânimes em acreditar que o agronegócio sairá fortalecido e que a descentralização do setor fez a diferença. Por estar em áreas de menor densidade populacional e espalhado, o agro conseguiu manter atividades e exportações sem prejuízos. 

Carne na mesa, desafio no campo

Carmen Perez, pecuarista em Barra do Garças (MT), ressalta que o setor de proteína animal segue aquecido e que o mercado tende a se estabilizar entre 2023 e 2024. Palavras como bem-estar animal e boas práticas, junto com sustentabilidade e sanidade devem fazer a diferença.  “Esse momento que estamos vivendo (Covid-19), acredita-se que veio de uma zoonose, então acho que estaremos mais preocupados com segurança alimentar e questões sanitárias. Essa régua vai subir no mundo”, destaca.

Carmen também aponta o novo perfil do consumidor que está mais atento para questões voltadas à sanidade e rastreabilidade. “O consumidor quer saber como é produzido, por quem e em que condições. Nós, dentro da porteira, não temos o direito de se achar longe dessa questão. Pelo contrário, somos responsáveis por tudo que está na mesa. Nós produtores temos que estar atentos e não podemos baixar  guarda das boas práticas”, defende a pecuarista. 

Café com responsabilidade

Carlos Augusto Rodrigues de Melo conduz a Cooxupé. A cooperativa já tem 87 anos no Sul de Minas e conta com 15 mil famílias cooperadas e 2.400 colaboradores. O café está na história do país e hoje presente em todas regiões. Em Minas está quase a metade do café brasileiro e a Cooxupé tem 15% do café arábica nacional. O presidente conta que o ano começou bem, com bons negócios e feiras expressivas voltadas ao café mas o momento atípico trouxe adequações. “Colocamos normas pra evitar impactos na saúde e logística. Entendemos que o futuro é incerto mas nosso cooperado se preparou pela participação no mercado externo e conseguimos boas negociações no mercado futuro”, aponta.

Em plena colheita a cafeicultura ao sentiu tanto os impactos. Como está na entressafra também não sofreu com a alta dos insumos. O que caiu foi o consumo de cafés especiais devido ao fechamento de vários estabelecimentos. Melo é otimista. “O agro sempre dá resposta. O que eu espero é que não fique apenas nas costas de nosso setor. Além disso, se houver uma condução econômica direcionada para nossa área, sofreremos consequências, mas não tão significativas como poderiam ser”, disse.

Agro deve dialogar com os diferentes

Essa é a opinião de André Guillaumon, presidente da BrasilAgro. A empresa opera em seis estados e no Paraguai. São mais de 150 mil hectares com cana, milho, soja, algodão, além da pecuária. Para ele desde que a pandemia se instalou duas preocupações foram fundamentais nas propriedades: saúde e segurança das pessoas e das operações de colheita. E tudo seguiu normalmente. “O agro é aquele setor que permitiu a quarentena sem faltar alimento porque o que produzimos dá para alimentar sete vezes nossa população. O agro está mostrando seu valor”, destaca.

Guillaumon ressaltou que o desemprego deve aumentar e, consequentemente, pode haver uma redução importante da demanda. Mas, ele lembra que houve um desabastecimento de proteína no início da pandemia, em decorrência da gripe suína, que dizimou 40% do rebanho de porcos do mundo. Isso resultou em um avanço da exportação brasileira. “O agro brasileiro tem um custo de produção muito competitivo, o que lhe dá uma grande vantagem diante dos outros países produtores. Temos que ter sabedoria e humildade pra superar a crise. Temos que aprender a falar para os diferentes, falar para os que não entendem nosso negócio”, defendeu.


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