Santa Catarina pode ter safra recorde de trigo, mas cotação derruba lucros

Agronegócio

Santa Catarina pode ter safra recorde de trigo, mas cotação derruba lucros

Valor da saca caiu de R$ 28 para R$ 23
Por: -Darci Debona
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Valor da saca caiu de R$ 28 para R$ 23

Os produtores de trigo catarinenses começaram a colheita da safra 2010-2011 com possibilidade de atingir a maior produtividade da história de Santa Catarina. A projeção é de que obtenham 2,6 mil quilos por hectare, o equivalente a 43,3 sacas, alta de 13% em relação ao ano passado e de 72% na comparação com o início da década.

Em volume, a safra catarinense só não será a maior porque a área plantada caiu 25% em relação ao ano passado, segundo dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri. Os irmãos Gledson e Gilberto Piaia explicam o porquê deste recuo. Eles estão colhendo 50 sacas por hectare, sete a mais do que no ano passado, numa área de 200 hectares. Mesmo assim, estão insatisfeitos.

— O preço está muito ruim, vai sobrar pouco — lamenta Gilberto.

No início do ano, afirma ele, os produtores recebiam R$ 28 pela saca de trigo. Agora, a cotação caiu a R$ 23, o que significa que o lucro por hectare será de pouco mais de R$ 100, mesmo com safra boa. Tanto que Gilberto já tomou uma decisão: no ano que vem, não vai plantar o cereal.

A desvalorização do dólar é um dos motivos para explicar a renda menor do produtor. O patamar atual da moeda americana tem facilitado a compra no mercado internacional, observa o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina, Nelton Rogério de Souza.

O custo de produção brasileiro fica mais caro em relação a países concorrentes na hora de converter os preços em dólar. Além disso, falta uma política voltada ao setor.

— Nunca houve incentivo para o trigo nacional — afirma Souza.

Ele explica que a situação não afeta diretamente o consumidor final, o que só ocorreria se o preço do trigo disparasse no exterior. O secretário estadual de Agricultura, Enori Barbieri, ressalta que o Brasil importa metade do que consome, 10 milhões de toneladas/ano. Segundo ele, os moinhos preferem comprar de outros países, como Rússia ou Canadá, por obterem mais prazo para pagamento. No mercado interno, a safra é comercializada quase toda de uma vez, o que derruba o preço.

Barbieri defende a intervenção do governo federal no caso do trigo para garantir o preço mínimo ao produtor de R$ 28 a saca. Sem isso, este agricultor acaba desestimulado a manter a lavoura de trigo, resultando numa queda ainda maior de área plantada.

— Isso vai aumentar nossa dependência externa do produto.

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