São Paulo antecipa fim da queima da cana

Agronegócio

São Paulo antecipa fim da queima da cana

Prazo anterior que ia até 2021 foi encurtado para 2014
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A queima da palha de cana nas áreas mecanizáveis do Estado de São Paulo deverá terminar em 2014. O prazo anterior, definido pela lei 11.241, permitia a queima até 2021. Esse é o conteúdo de um protocolo assinado ontem entre a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e as secretarias estaduais do Meio Ambiente e de Agricultura e Abastecimento. O protocolo foi divulgado nessa segunda-feira (04-06) no São Paulo Ethanol Summit, evento organizado pela Unica.

As áreas com inclinações, e que tinham data final para a queima em 2031, vão ter de interrompê-la a partir de 2017. O protocolo tem caráter voluntário, mas Serra destacou que quem se ajustar vai receber um certificado de conformidade agroambiental. Os demais vão ter problemas com o Estado.

Serra quer antecipar o fim da queima porque, com o avanço da cana no Estado, a área de queima está aumentando. São Paulo tem 4,2 milhões de hectares e colheu cana em 3,4 milhões deles em 2006. Dessa área, em 2,5 milhões a colheita foi feita com a queima, ou seja, em 10% do território paulista (25 milhões de hectares).

A antecipação é necessária na avaliação dos produtores, mas o investimento que eles devem fazer não satisfaz a todos, principalmente os que estão em áreas ainda em fase inicial de mecanização. "Não será fácil [antecipar] pelo custo e pela falta de disponibilidade de máquinas. A indústria não está preparada para atender a essa demanda", diz Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da Unica. Para João Sampaio, secretario paulista de Agricultura, as indústrias têm capacidade de elevar a produção rapidamente.

Os produtores de novas áreas também vêem problemas, já que, pelo protocolo, não poderão fazer queimadas, mas deverão mecanizar a lavoura. Para avaliar eventuais problemas de adaptação ao protocolo, será criado um comitê executivo, diz Antonio Pádua, da Unica.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto, o governo paulista deverá fazer do protocolo um projeto de lei que será enviado à Assembléia legislativa.

Energia do século 21

A geoeconomia mundial muda com o avanço da bioenergia. Essa é a conclusão de vários participantes das discussões sobre os desafios da energia no século 21, ocorrida ontem no evento em São Paulo. O Brasil tem todos os elementos para liderar essa corrida pela bioenergia, devido à disponibilidade de terra, água e baixo custo. Essa liderança passa, no entanto, pela resolução de vários problemas, que vão da infra-estrutura a mais investimentos em pesquisas.

O ex-primeiro-ministro da Espanha Felipe Gonzalez participou da abertura do evento e destacou alguns aspectos do desafio energético no mundo, como a excessiva dependência dos combustíveis não-renováveis, a necessidade de trazer de volta o debate sobre o uso de energia nuclear e a ausência, nos últimos 30 anos, de estratégias políticas fortes para a renovação do mix energético. "A exceção talvez seja o Brasil."

Rubens Ometto, da Cosan, crê na expansão da bioenergia, mas diz que grandes projetos, como o alcoolduto, não devem ficar só nas mãos de grandes empresas, como a Petrobras, mas ser feitos em parcerias. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que o governo deve rever a porcentagem de álcool na gasolina ainda neste mês, devendo voltar aos 25% (hoje, de 22% a 24%). Evandro Gueiros, vice-presidente do Sindicom (sindicato do setor de distribuição), destacou que o alto índice de informalidade no mercado de álcool hidratado é incompatível com a posição do Brasil como competidor global no álcool.

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