SC vai dobrar a importação de milho em 2008

Agronegócio

SC vai dobrar a importação de milho em 2008

O cenário de escassez exigirá de SC a importação de pelo menos 2 milhões de toneladas do grão, o dobro do volume importado em 2007
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O milho, principal insumo da cadeia do agronegócio catarinense, sofrerá aumento de preços e escassez em 2008. Esse cenário exigirá de Santa Catarina a importação de pelo menos 2 milhões de toneladas do grão, o dobro do volume importado em 2007. Essas avaliações sobre o comportamento do mercado do milho no próximo ano foram feitas pelo vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc), Enori Barbieri, tendo por base fatores macroeconômicos do Brasil.

Se confirmadas, as previsões de Barbieri criarão embaraços para a indústria de processamento de carnes de aves e de suínos, amplamente dependentes do milho. O estado deve fechar este ano com um consumo total de 5 milhões de toneladas. Esse volume foi obtido com o cultivo de 795 mil hectares na safra 2006/2007 que resultou em 4 milhões de toneladas, com uma produtividade média de cinco toneladas por hectare, maior que a média nacional de quatro toneladas/ha. O plantio da próxima safra no estado iniciou em setembro e a colheita começa em fevereiro.

O vice-presidente da Faesc aponta ainda uma série de fatores climáticos e econômicos que associados nas esferas nacional e internacional vão reduzir a oferta mundial de milho. Em Santa Catarina, haverá diminuição da produção em conseqüência do fenômeno La Niña, que deve provocar seca no sul do país. O aumento dos custos da lavoura de milho e a melhor remuneração proporcionada por outras culturas levarão a uma redução de área plantada de 3% a 5% para próxima safra. Atualmente, o preparo de um hectare de milho com emprego de tecnologia custa R$1,2 mil, enquanto a cultura da soja requer apenas R$ 400. Pesam nesse cálculo os custos dos fertilizantes que, somente nos últimos 12 meses, sofreram aumentos de 20% a 30%. “Os produtores migrarão para a soja que, além de custos menores, também estará valorizada em razão da diminuição da produção nos Estados Unidos que, na safra 2007/08, baixarão sua produção de 84 milhões para 69 milhões de toneladas”, afirma Barbieri.

Barbieri mostra que a produtividade poderia ser ampliada se fossem retirados os entraves para o ingresso das variedades de milho transgênico no Brasil. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) autorizou para 2009 o milho transgênico da Bayer e da Monsanto, ainda sem aprovação do Comitê Executivo Interministerial. Para os produtores catarinenses, enquanto isso, o país perde competitividade. Nos Estados Unidos já existem transgênicos com características de resistência à seca, pragas, herbicidas e maior qualidade do óleo que reduzem custos e aumentam produtividade. “Em contrapartida, o milho BT da Monsanto, que combate a lagarta do cartucho que destrói a produtividade, aguarda há oito anos a autorização para ser cultivado no Brasil”, declarou o representante da Faesc.

Santa Catarina fechará este ano com pelo menos 1 milhão de toneladas compradas do Paraná, do Centro-Oeste e do Paraguai, e deve receber em 2008 até 2 milhões de toneladas. A escassez será agravada pelo aumento da demanda interna, de acordo com o vice-presidente da Faesc. “O consumo catarinense crescerá porque há consistente previsão de incremento de 15% da avicultura com a instalação de dois a três mil novos aviários que suprirão as novas plantas industriais em construção. Por outro lado, o setor leiteiro está em expansão e remunerando melhor o produtor que passou a usar mais ração à base de milho para alimentar as vacas”, esclarece Barbieri. Há a previsão ainda de um crescimento das exportações de carne suína e de aves em razão do reconhecimento de Santa Catarina como zona livre de febre aftosa sem vacinação.

Com área plantada 12,6 milhões de hectares e produtividade de quatro toneladas/ha, o Brasil colheu neste ano 51 milhões de toneladas, sendo 34 milhões na safra principal e 17 milhões na safrinha. Até o fim do ano, o País consumirá 41 milhões de toneladas e exportará de 8 a 10 milhões de toneladas. Para 2008, será mantida a mesma área de cultivo da safra e o Brasil vai depender exclusivamente da safrinha para definir as necessidades de importação. “Vamos depender do desempenho da safrinha e do clima”, resume Barbieri.

O mercado internacional continua muito valorizado em razão do etanol americano que vai consumir 70 milhões de toneladas só nos Estados Unidos. Os norte-americanos colheram 280 milhões de toneladas na última safra (36,6 milhões de hectares, com média de nove toneladas por hectare) e projetam 330 milhões de toneladas na próxima, porém, aumentarão de 50 milhões para 70 milhões de toneladas o milho destinado à produção do biocombustível etanol. Isso significa que o estoque mundial de milho continuará caindo.

O vice-presidente Enori Barbieri realça que, para garantir suas necessidades, o Brasil terá que buscar maior produtividade e acrescenta que os preços atuais refletem essa situação. “Para um preço mínimo de R$ 14 a saca de 60 kg, o mercado pratica de R$ 22 a R$ 23 por saca. O Brasil já está fechando contratos de venda ao exterior a R$ 23 no porto”, lembra Barbieri. As informações são da assessoria de imprensa da Faesc.


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