Seagri intensifica investimentos para o café de Rondônia
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Agronegócio

Seagri intensifica investimentos para o café de Rondônia

A produção do estado para a safra 2010 vai ultrapassar 2 milhões de sacas
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Com as políticas públicas de incentivo ao café, a produção de Rondônia para a safra 2010 vai ultrapassar 2 milhões de sacas

O Programa de Condução do Café para o Estado de Rondônia tem sido um dos maiores incrementos para recuperação de lavoura e resgate à cultura do café local. Criado em 2005, para incentivar a recuperação em área que já produziam café, ainda hoje o Programa continua sendo levado aos agricultores familiares, através de palestras de orientação sobre colheita, armazenagem e comercialização.

Com a finalidade de promover a melhoria da qualidade do grão e aumentar a sua produtividade o Programa que foi denominado de Tecnificação da Cafeicultura, tem sido um dos melhores incentivo ao aumento da produtividade da lavoura. Esse incentivo tem proporcionado ao café manter-se entre as principais culturas de desenvolvimento econômico do Estado.

O Brasil ainda é o maior produtor mundial de café e Rondônia está entre os seis maiores produtores do País. O Governo do Estado já investiu cerca de R$ 15 milhões em equipamentos na agroindústria e continua incentivando os agricultores não somente a produzir o grão, mas também beneficiar o produto para comercializá-los no mercado tanto local, quanto para fora do Estado.

Através da Secretaria de Estado da Agricultura, pecuária e Regularização Fundiária (Seagri) o governo distribuiu mais de nove mil quilos de sementes de qualidade superior em produtividade, avaliadas e aprovadas pela Comissão de Sementes e Mudas do Governo Estadual e, em uma ação contínua, capacita técnicos e agricultores no manejo adequado para a região.

Visando aumento da produtividade, com qualidade no grão, a Seagri implantou unidades demonstrativas de sistema de condução de cafeeiro, em 26 municípios. “Foram implantadas 90 unidades demonstrativas com trabalho de três tratamentos: o primeiro com todas as práticas necessárias de correção de solo, poda e adubação, a segunda área mantendo a condução normal do agricultor, mas implantando a pratica de poda; e a terceira, sem nenhum manejo diferenciado, apenas o manejo usual do agricultor”, explica o técnico da Seagri, Milton Messias dos Santos.

A prática tem mostrado uma eficiência muito grande quando se adota as orientações técnicas necessárias. Somente com a poda o resultado já é visível. Milton conta que na região de Nova Brasilândia do Oeste, Alta Floresta do Oeste, Ministro Andreazza e Cacoal, onde há maior concentração de café, 60% dos agricultores já aderiram à prática orientada pelos técnicos e, com isso estão obtendo lucros, mas muitos agricultores ainda têm certa relutância em aderi-las. “Eles alegam o alto custo para, por exemplo, aquisição de calcário e adubo quando o solo é pobre, ou falta de tempo, para lidar com técnicas como a poda, calagem, etc.”, diz.

Os técnicos têm se empenhado em mostrar ao agricultor que, se ele tiver esses cuidados, sua colheita será muito melhor tanto em qualidade como em produtividade. Só para se ter uma idéia, em Rondônia a produtividade do café por hectare, em 2009, foi de 10,89 sacas. Se o agricultor investir nas técnicas orientadas a produção poderia chegar, em média, a 30 sacas por hectare.

Aumento da produtividade

A maior produção no Estado é de café Conilon. Em 2008 a produção chegou a 1.859.000 sacas de café. Em 2009 o estado fechou a safra com uma produção de 1.547.000 sacas. O engenheiro agrônomo José Edny de Lima Ramos, da Emater, explica que essa queda ocorreu devido à insuficiência de chuvas e temperaturas muito elevadas na época de floração e frutificação. Já, em 2010, segundos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em abril deste ano, a segunda previsão para a safra de café no Estado de Rondônia indica uma produção de 2.192.000 sacas de sessenta quilos (resultado 41,7% superior à produção obtida na safra 2009), o que indica uma produtividade média de 14, 20 sacas por hectare.

A cultura do café em Rondônia apresenta ainda, resultados muito interessantes. Mesmo tendo reduzido a área plantada, que em 2006 era de 162.328 ha e hoje é de 154.335 ha (Conab/2010), a produção que na época era de 88.636 toneladas vem subindo e prevê-se para este ano uma produção de 131.520 toneladas de grão (Conab/2010). Para Milton Messias esses resultados são reflexos da tecnologia que vem sendo aplicada no campo, para incentivo à produção e produtividade da cultura do café no Estado. Ele conta que, para se chegar a esse panorama a Seagri, em parceria com a Emater, tem aplicado diversas metodologias como: unidades demonstrativas e de observação, cursos, palestras e visitas técnicas na propriedade do agricultor, dias de campo, dias especiais (veja quadro), além de distribuir sementes e mudas de qualidade e viabilizar a aquisição de calcário. “De 2004 a 2009 foram 79.773 cafeicultores beneficiados através dessas metodologias”, diz.

Qualidade e comercialização

Outra atividade que vem sendo levada aos agricultores são os cuidados que se devem tomar pós-colheita, Segundo o técnico da Emater, Benedito Alves, especialista em comercialização de café, além de adotar as práticas de melhoria da qualidade, o produtor pode aumentar a sua rentabilidade classificando o grão por tipo. A classificação seleciona melhor o produto e o produtor ganha na comercialização.

Segundo Alves, no ano passado, 37 agricultores comercializaram seu café, em um total de 2.878 sacas, com preço médio diferenciado de 17 reais acima do preço dos intermediários. “Nesse ano realizamos atividades sobre qualidade do café, classificação por tipo e assistência a comercialização em diversas localidades do estado e, com isso procuramos melhorar o nível de conhecimento dos nossos cafeicultores no mercado”, explica.

A produção cafeeira de Rondônia tem atraído olhares de exportadores e aclassificação é, sem dúvidas, uma fase muito importante no processo da comercialização do produto, mas para isso é preciso que o agricultor saiba como avaliar seu produto. O extensionista argumenta que para se produzir um café com qualidade, basta o agricultor seguir as orientações dos técnicos da Seagri e da Emater, que dão assistência nas propriedades, e pratiquem as normas técnicas necessárias desde os tratos culturais até colheita e secagem.

Para o secretário de Estado da Agricultura, Francisco Evaldo de Lima, ações como essa tem trazido de volta ao agricultor a credibilidade na cultura do café. Muitos já estão tomando consciência da necessidade de se praticar técnicas de poda e adubação melhorada, para se obter um café de melhor qualidade e maior produtividade e, consequentemente, obter mais lucro na venda.

O secretário diz ainda que a Seagri tem políticas públicas voltadas exclusivamente para atender os cafeicultores e que, por causa dessas políticas foi instituído o Programa de Incentivo à Industrialização do Café em Rondônia (Procafé) e criado o Fundo de Apoio à Cultura do Café (Funcafé), ambos através da Lei 2030 de 10 de março de 2009. “Com o Procafé estamos dinamizando o processo de industrialização do café produzido na região, dentro dos padrões de qualidade exigidos e da legislação de preservação ambiental”, diz o secretário.

Já, os recursos do Funcafé são destinados, em sua totalidade, ao segmento cafeeiro, e tem a finalidade de apoiar as ações estratégicas e subprogramas do Procafé, realizando pesquisas agrícolas e ambientais, capacitação de técnicos e agricultores e fomento da produção, entre outros. E já estão previstas, através do Funcafé a implantação de oito unidades de observação para irrigação do café.

Com isso o setor está se fortalecendo cada vez mais e a expectativa para este ano é grande. “Este ano ultrapassaremos a produção de dois milhões de sacas de café, superando a produção dos últimos dez anos, o que nos dá suporte para continuarmos acreditando no café de Rondônia.”, finaliza o secretário.


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