Seapa tem grande participação em webinário sobre cadeia do pequi e frutos do Cerrado
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Imagem: Divulgação

EVENTO

Seapa tem grande participação em webinário sobre cadeia do pequi e frutos do Cerrado

O evento discutiu os desafios e oportunidades para o desenvolvimento da cadeia no Norte de Minas Gerais
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Foi realizado na tarde desta quinta-feira (20/8) o webinário “Bioeconomia da Floresta: Desafios e oportunidades para o desenvolvimento da cadeia do pequi e outros frutos do Cerrado no Norte de Minas Gerais”, promovido pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), e que teve ampla participação da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

A secretária Ana Maria Valentini participou da abertura do evento, quando destacou a riqueza do pequi e de outros frutos deste bioma que ocupa um longo território de Minas Gerais. “Nós temos ocorrência do pequi em praticamente dois terços do nosso estado, sendo uma cultura de muita importância, que já tem produtores que fazem a coleta de seus frutos organizados em cooperativas. Além disso, temos também a castanha de baru, que é deliciosa e tem muitas propriedades nutricionais; e o buriti, que também é um fruto utilizado para fazer um doce maravilhoso. Temos um grande potencial no nosso Cerrado e precisamos trabalhar mais com toda essa diversidade”, ponderou.

O subsecretário de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável da Seapa e presidente do Conselho Pró-Pequi, Ricardo Demicheli, também participou do evento e lembrou que o Estado de Minas Gerais sempre teve uma atenção muito especial com as riquezas do Cerrado.

“O Norte de Minas foi muito castigado pela exploração, principalmente dos carvoeiros, e os pequizeiros correram muito risco. Mas, com o passar do tempo, houve muita regeneração e, hoje, mais de 40% da região possui cobertura vegetal que se enquadra no bioma Cerrado com transição para a Caatinga, onde estão presentes pequizeiros e demais frutos do Cerrado. Um levantamento da Emater-MG indica uma população estimada de mais de 3 milhões de plantas produtivas, com mais de 203 mil toneladas produzidas em 2019 por mais de 15 mil famílias extrativistas. Sem falar em toda a cadeia que o pequi movimenta, transportadores, vendedores, feirantes. Na época da safra, Montes Claros fica em um tom amarelo, de tanto pequi que a gente vê em cada esquina. É uma felicidade”, destacou o subsecretário.

Apoio em pesquisas

Ainda durante sua participação no webinário, a secretária Ana Valentini aproveitou para pedir apoio do SFB em estudos conduzidos pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que tentam identificar e combater uma praga que tem aumentado a mortandade dos pequizeiros em Minas. “Nossas instituições ainda estão começando as pesquisas nessa área, para entender o que está acontecendo. Mas muitos pequizeiros estão morrendo e isso está trazendo uma angústia muito grande para a população no Norte de Minas”, pontuou.

Diante desta informação, o diretor geral do órgão federal, Valdir Colatto, sinalizou com a possibilidade de os pesquisadores do SFB fazerem análises em seus laboratórios para auxiliar a Epamig nos estudos sobre o problema fitossanitário. “É um tema para o nosso laboratório ajudar na pesquisa do controle desse problema, para analisarmos e vermos se encontramos uma solução para essa moléstia. Vamos recomendar um laboratório e, recebendo o subsídio de vocês, poderemos ajudar nesse processo”, garantiu.

Macaúba

Ainda durante o webinário, o assessor técnico da Seapa Samuel Goulart fez uma apresentação sobre a macaúba, também conhecida como bocaiúva e coco de espinho, entre outros nomes populares. Espécie nativa, ela é considerada a palmeira de maior dispersão no Brasil, sendo que Minas Gerais é o estado que mais concentra a espécie. “O uso dela no estado remete ao período pré-colombiano e, até a década de 70, era comum encontrar indústrias processadoras de macaúbas em Minas. Mas foi nos anos 2000 que houve o que pode se chamar de redescoberta desta fruta, quando surgiu o interesse do mercado de biocombustível”, detalhou durante sua apresentação.

Mas a macaúba também pode produzir uma série de outros produtos além do biodiesel, como farinhas para alimentação humana e animal, azeites e cosméticos, como sabão, shampoo e hidrantes. “Mas, para além do valor financeiro, temos que levar em conta também o valor cultural dessa planta. Muitos destes produtos são produzidos por gerações de agricultores, em uma tradição que estas famílias têm o maior orgulho de manter”, destacou Goulart.

Ele também falou sobre o potencial da macaúba na produção de azeites, já que a composição do óleo da planta é uma das poucas que se aproxima das propriedades do azeite de oliva, item que tem um consumo de 80 milhões de litros por ano no Brasil, um dos maiores consumidores do mundo. “Quando a gente compara a produtividade da macaúba com outras oleaginosas, ela só fica atrás do dendê, que já vem sendo melhorado há mais de 100 anos. A macaúba ainda está dando os primeiros passos nesse sentido. Por isso acreditamos que, no futuro, ela pode se tornar a oleaginosa mais produtiva do mundo”, finalizou o assessor técnico da Seapa.


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