Seca acelera colheita de laranja em São Paulo

Agronegócio

Seca acelera colheita de laranja em São Paulo

A estiagem está levando citricultores a acelerar a colheita de variedades mais tardias, especialmente nas regiões norte e nordeste
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Reuters - A seca em importantes regiões produtoras de laranja de São Paulo e as altas temperaturas estão levando citricultores a acelerar a colheita de variedades mais tardias, especialmente nas regiões norte e nordeste do Estado, disseram especialistas. Cerca de 95 por cento do suco de laranja congelado e concentrado exportado pelo Brasil, o maior player mundial do setor, é produzido em São Paulo.

"Tem uma antecipação de colheita, para que a laranja não se estrague no pé, especialmente nas árvores que têm CVC (doença também conhecida como amarelinho), naquela região mais quente, no norte do Estado", disse Ademerval Garcia, presidente da Abecitrus, que representa indústrias exportadores de suco. Como o amarelinho desfolha a árvore, a fruta fica sem proteção da folha e mais sujeita aos efeitos do calor a laranja pode perder água. Assim, alguns produtores tendem a antecipar a colheita para evitar que o fruto perca peso, o que acarreta em prejuízos financeiros.

Além disso, acrescentaram especialistas, essas condições climáticas seca de mais de 60 dias no norte geram uma preocupação em relação à florada de agosto e setembro, considerada a principal para a cultura e determinante para o tamanho da produção na próxima safra. "Deveríamos ter uma florada em setembro, mas não tem chuva para isso", acrescentou Garcia, observando que as precipitações no cinturão produtor só devem ocorrer em outubro.

"O problema que já existe faz com que haja uma grande preocupação com o tamanho da safra do ano que vem". O engenheiro agrônomo Walkmar Brasil de Souza, da Casa de Agricultura de Bebedouro (nordeste de SP), uma das principais regiões produtoras do Estado, opina na mesma linha.

"Teve uma florada em meados de agosto, essa florada está sentindo muito. Provavelmente vai ocorrer uma queda intensa dessa florada e também uma queda anormal do chumbinho (frutos em estágio inicial), devido à baixa umidade", disse.

Souza afirmou ainda que essas condições se referem às regiões norte e o nordeste do Estado, onde o tempo tem castigado mais os laranjais. Essas duas áreas tradicionais responderam por mais de 60 por cento da produção em 2005, segundo dados do governo.

Suco mais concentrado:

Segundo a Abecitrus, a seca que também preocupa produtores de outras regiões paulistas, só não é um problema maior porque 15 por cento dos pomares possuem irrigação no Estado. Nas regiões sudeste e sudoeste, segundo o agrônomo José Dagoberto de Negri, do Centro de Citricultura de Limeira, onde o calor é menos intenso, os pomares ainda não estão sofrendo tanto. "Mas não garanto que não vá prejudicar daqui a uma semana ou duas. A expectativa é de que se não chover logo vamos ter queda de chumbinhos e vamos perder a florada".

De acordo com a Abecitrus, com a antecipação da colheita no norte, algumas filas de caminhões nas portas das fábricas, que se formariam mais em outubro e novembro, já são vistas agora. Esse movimento é ruim para o produtor, segundo Walkmar Souza, não apenas porque encarece o frete, uma vez que muitos caminhões perdem tempo nas filas, mas também porque a fruta que já sofreu o efeito do calor está com o "suco mais concentrado".

"Acontece uma perda de água do fruto para a planta... e quem vai levar a bucha é o produtor, quem vai ganhar é a indústria, que tira água através de evaporador. Tem-se um suco mais concentrado (na fruta), gasta-se menos no processo industrial, ela (a indústria) não paga a água, está comprando o suco puro", afirmou Souza.


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