Seca anula avanço da produtividade de soja em São Paulo

Agronegócio

Seca anula avanço da produtividade de soja em São Paulo

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O esperado ganho de 14,9% na produtividade das lavouras paulistas de soja já foi anulado. A estiagem que já dura 21 dias causou estragos nas plantações, alguns irreversíveis, segundo avaliação do pesquisador Alfredo Tsunechiro, do Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. A dificuldade está no fato de a ausência de chuva ocorrer justamente no período de formação das vagens ou do enchimento dos grãos, dependendo da época do plantio das lavouras.

São Paulo, com uma safra estimada em 2,03 milhões de toneladas, ocupa a sexta colocação no ranking dos maiores produtores de soja do País, atrás do Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul. O Estado vinha ganhando expressão, com novas plantações avançando sobre as áreas de pasto, estimuladas pelas sucessivas altas dos preços da commodity nos últimos anos. Essa situação tende a se reverter. As plantações de cana agora tendem a crescer de forma acelerada. O potencial do mercado mundial de álcool combustível tornou-se um atrativo. Para Tsunechiro, a produção de cana em São Paulo deverá crescer "como um rolo compressor", ocupando a maior parte das áreas nobres agricultáveis do Estado.

As principais regiões produtoras de soja são Assis, Ourinhos, Avaré e Itapeva. Consulta feita ontem por Tsunechiro a agricultores desses municípios conduziu à avaliação de que a quebra em algumas localidades, como a de Assis, já está entre 15% e 20%. A dimensão das perdas já tende a repetir o desastre ocorrido na safra anterior, quando a produção foi entre 20% e 25% menor que a esperada. O pesquisador lembra que, no ano passado, os prejuízos foram provocados mais pela ausência de controle da ferrugem asiática do que pela falta de chuva. Na safra atual, segundo acredita, a ferrugem não deverá causar quebra tão expressiva, uma vez que os agricultores já estão devidamente alertados sobre a necessidade de controle do fungo.

O milho também está sendo igualmente prejudicado pela estiagem. A quebra estimada já é de 10%. A produtividade esperada, de 4.817 quilos por hectare, não deverá mais ser alcançada. Tsunechiro informa que essas previsões são extremamente conservadoras e que o prejuízo pode ser ainda maior.


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