Seca no Rio Grande do Sul pode persistir

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Seca no Rio Grande do Sul pode persistir

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Deu a louca no clima e nos institutos de pesquisa. Em ano de El Niño, faz seca no Rio Grande do Sul, quando o normal seriam chuvas. Agora, os meteorologistas não sabem mais se 2005 é ano deste fenômeno ou de La Niña - quando as chuvas ficam escassas. O certo é que, independente do que ocorrer, persistirá a estiagem no Sul do País. O estado contabiliza perdas de 50% no milho, 30% no feijão e 25% na soja. A quebra já é considerada a pior desde 1991.

"Todo mundo investiu confiando que ia haver El Niño e não choveu", diz Oli Facco, produtor em Júlio de Castilhos (RS). Acreditando nos institutos de pesquisa, ele aumentou de 300 para 400 hectares a área cultivada com soja. Com a estiagem - que atinge o estado desde dezembro do ano passado - ele estima que irá perder 40% da produção, de 960 toneladas. Facco não acredita que o preço do grão poderá subir substancialmente apesar da perda, porque os estoques mundiais estão altos.

"A partir de agora, as coisas vão mudar. O cenário hoje é de alta para as commodities", diz Carlos Cogo, analista da Cogo Consultoria. Segundo ele, a cada dia, com a continuidade da estiagem, haverá reação nos preços dos grãos atingidos. Além disso, poderá ocorrer importação de milho - da Argentina - para o abastecimento no Sul.

Para Cogo, a persistência da estiagem pode provocar ainda redução do plantio nas culturas de inverno. "Podemos ter problemas, porque estamos carregando um déficit hídrico desde 2004", avalia Gianfranco Bratta, engenheiro agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), nos últimos três meses choveu cerca 30% do volume médio para a época. "Foram poucas e esparsas chuvas", diz Francisco Diniz, chefe do Centro de Previsão do Inmet.

El Niño ou La Niña

Os meteorologistas são unânimes em afirmar que antes da segunda quinzena de março não haverá mudança atmosférica que permita a regularidade das chuvas. No entanto, divergem sobre a situação do clima no Rio Grande do Sul a partir dali.

Diniz afirma que a situação das águas do Oceano Pacífico - que determina a ocorrência ou não de fenômenos - é de neutralidade até agora, mas nos últimos 30 dias foram notados padrões que poderiam caracterizar a La Niña - quando ocorrem secas. "Ainda é cedo para anunciar a La Niña", diz Nádia Marinho, da Somar Meteorologia. No entanto, ela ressalva que os modelos de previsão climática indicam que as águas do Pacífico estão mais frias, o que pode caracterizar o fim do El Niño e, talvez, a ocorrência do La Niña.

Opinião diferente tem o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo. Segundo ele, há diferença de tempo entre a ocorrência do fenômeno no Pacífico e seus reflexos no clima. Por isso, o El Niño só seria sentido no outono e o inverno seria de temperaturas mais altas.

Outro problema a ser enfrentado pelos agricultores é a chuva na colheita. Nádia acredita que na segunda quinzena de março ocorram precipitações no estado, que poderiam acarretar em perdas nos grãos.

Para amenizar o problema de falta de chuvas, o governo está estudando contratar o Instituto Tecnológico de Aeronáutica para bombardear as nuvens. O bombardeio custará R$ 150 mil e as áreas ainda serão definidas.


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