Secretário americano vem ao Brasil em busca de aportes
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Agronegócio

Secretário americano vem ao Brasil em busca de aportes

Ministro Guido Mantega afirmou que as relações entre Brasil e EUA estão excelentes
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem à noite que as relações entre Brasil e Estados Unidos estão excelentes, mas que espera uma recuperação mais consistente da economia norte-americana nos próximos trimestres. Ele se encontrou com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jacob Lew, que veio ao Brasil para pedir mais investimentos de empresas brasileiras em seu país.

"As relações continuam excelentes. Os EUA são nosso terceiro parceiro comercial e, nesse momento, são até mais importantes que a Argentina [segundo maior]. Mas a recuperação da economia americana ainda é incipiente, mais lenta do que gostaríamos para incentivar investimentos", afirmou Mantega.

O presidente da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), Gabriel Rico, comentou que a visita do secretário do Tesouro dos EUA é um sinal claro que de que há um esforço para "manter o fluxo normal" entre os dois países. "Jacob Lew é um dos nomes mais importantes do governo de Barack Obama. Essa visita, mesmo que rápida, mostra que há interesse de ter uma boa relação com o Brasil", disse.

Rico também afirma que tanto do lado dos EUA quanto do brasileiro, os governos querem atrair investimentos para aumentar os respectivos potenciais de crescimento econômico.

Já o coordenador do Curso de Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco, Gunther Rudzit, afirmou que, principalmente, a discussão sobre a possibilidade de retaliação brasileira contra os subsídios de algodão - garantida pela Organização Mundial do Comércio (OMC) no valor de US$ 829 milhões -, mesmo que não fosse uma pauta na agenda brasileira, não deveria ser deixada de lado pelo secretário do Tesouro americano. "Brasil e México são os mercados mais interessantes para os Estados Unidos. E se não estou enganado o Brasil é o único ou um dos poucos que os EUA têm superávit comercial", aponta Rudzit.

Para o professor, neste mesmo contexto, explicações sobre a macroeconomia brasileira também são pontos que interessam o país norte-americano.

"Eles querem saber para onde vai nossa economia", comentou. "Ambos têm interesse em melhorar a relação afetada pela notícia de espionagem do governo dos EUA", entende, ao lembrar sobre as revelações do ex-funcionário da NSA, Edward Snowden, de que o Brasil também foi espionado pelo governo dos Estados Unidos. Mais cedo, o ministro da Fazenda ouviu de empresários ligados à indústria e ao setor varejista de eletroeletrônicos um relatório positivo sobre o desempenho do segmento no primeiro trimestre. O presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), Flávio Rocha, disse ao ministro que a única preocupação do setor está relacionada às condições macroeconômicas do País e ao aumento do custo Brasil.

De acordo com Rocha, a reunião, que contou também com participação de representantes do Magazine Luiza, Telhanorte, Grupo Pão de Açúcar (GPA) e do setor eletros, teve como objetivo passar para o ministro o andamento do desempenho do setor no trimestre. Segundo ele, o setor não apresentou nenhuma reivindicação a Mantega, mas alertou o ministro de que o atual patamar de juros encontra-se no limite do que o setor consegue absorver e que se houverem novos aumentos da taxa básica de juros (Selic) o varejo começará a pensar em repasse para o consumidor.

Na semana passada, Mantega também se encontrou com a representação da agência de classificação de risco Standard & Poors. Os representantes da agência, entretanto, não falaram com a imprensa sobre suas conclusões.

A questão fiscal ligada à expectativa de baixo crescimento econômico do País tem chamado a atenção das agências de rating, assim como de investidores nacionais e estrangeiros.

O governo tem procurado demonstrar que a situação fiscal estará sob controle. Em fevereiro, os ministérios do Planejamento e da Fazenda anunciaram meta de superávit primário de 1,9% Produto Interno Bruto (PIB), em 2014, inferior a de 2013, de 2,3% do PIB, que não foi atingida.

Também na semana passada, Mantega se reuniu com 18 executivos de grandes empresas. Além das preocupações sobre a situação macroeconômica e a crise de energia, eles também reivindicaram mudanças na tributação sobre o lucro das multinacionais brasileiras no exterior e conseguiu temporariamente uma trégua nas críticas sobre a Medida Provisória 627, que trata sobre o assunto.

Os empresários querem barrar os pontos da MP que aumentam a carga tributária. Mantega prometeu que haverá novidades neste aspecto.

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