Seminário de Agrobiodiversidade se concentrou em leguminosas e agroecologia

Agronegócio

Seminário de Agrobiodiversidade se concentrou em leguminosas e agroecologia

Sexta edição incluiu várias atividades, como as quatro oficinas para aproximação entre pesquisa e extensão rural.
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Sexta edição incluiu várias atividades, como as quatro oficinas para aproximação entre pesquisa e extensão rural
 
Grãos, guardiões de sementes, leguminosas e agroecologia. Esses foram alguns dos assuntos tratados pelo VI Seminário de Agrobiodiversidade e Segurança Alimentar, nos dias 22 e 23 de setembro, na sede da Embrapa Clima Temperado (Pelotas,RS). O público presente nessa edição foi diversificado, já que, além do público comum, contou com estudantes do ensino superior e com guardiões mirins, além dos alunos da Escola Família Agrícola da Região Sul, do 5º distrito do município de Canguçu/RS.
 
No dia 22, pela manhã, a programação iniciou com uma homenagem às figuras-chave do evento: os guardiões de sementes. São agricultores que preservam o patrimônio cultural das espécies, proporcionando segurança alimentar para a humanidade. Com a realização da Unidade de pesquisas em parceria com inúmeras outras instituições, também foram oferecidas algumas palestras. Logo após a homenagem, o peruano Gonçalo Tejada palestrou sobre o Ano Internacional das Leguminosas, já que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), da qual faz parte, foi nomeada para a execução de atividades do ano comemorativo.

Em seguida, a integrante do Comitê Científico Consultivo do Programa Globally Important Agricultural Heritage Systems da FAO e pesquisadora, Patricia Bustamante, palestrou sobre a importância do conhecimento dos agricultores, falando que "a FAO tem um novo programa que reconhece os sistemas agrícolas tradicionais, e esse reconhecimento está diretamente vinculado a como esses sistemas agrícolas conservam a agrobiodiversidade. Acredito que por isso, faz sentido  a realização do VI Seminário de Agrobiodiversidade e Segurança Alimentar. Fez também uma síntese de como esse conhecimento dos agricultores foi tido como essencial para o mundo.
 
Após o almoço, a gastronomia teve espaço no evento. Seu significado desde o campo até a mesa foi o tema do painel, que reuniu três assuntos. O primeiro deles Produtos locais e seu valor na saúde foi feito pela pesquisadora Marcia Vizzotto, que ressaltou a longevidade e o estilo de vida, das pessoas atualmente, aliando essas questões à segurança alimentar. Logo após, o chef Liomar de Souza deu dicas de gastronomia aos participantes do Seminário, falando sobre A gastronomia do cotidiano em Pelotas e fazendo sugestões de alimentos que podem ser substituídos na nossa alimentação. E para finalizar, o agricultor agroecológico Juarez Pereira falou sobre A inserção da perspectiva gastronômica na visão do agricultor,  a relação existente entre a Agricultura e a Gastronomia. Após o término do painel, os três palestrantes foram chamados para um debate, respondendo a perguntas dos participantes do Seminário, que foram voltadas, em sua maioria, para a segurança alimentar cotidiana e a acessibilidade a ela. Como em outras edições, ao fim da tarde aconteceu uma feira de troca de sementes e de variedades crioulas, impulsionando o trabalho com as sementes e promovendo troca de experiências. À noite, um jantar de confraternização e um momento cultural fecharam a programação do dia.
 
Segundo dia do Seminário
 
No segundo dia do Seminário, dia 23, foram realizadas as oficinas com os temas Leguminosas de Grãos, SAF até a Mesa, Alimentos da mesa – da comida à Nutrição e Fermentos Biológicos foram realizadas em diferentes locais dentro da Unidade de pesquisas por profissionais da Embrapa e da Emater. Segundo o extensionista da Emater/RS, Fernando Horn, a parceria tem permitido novas oportunidades de trabalho, novas tecnologias e também um espaço de intercâmbio entre a pesquisa e a extensão.

No programa constou ainda uma homenagem póstuma. O chefe adjunto de Transferência de Tecnologia, João Carlos Costa Gomes, e a pesquisadora Patricia Bustamante realizaram uma referência à Juliana Santilli, advogada, jornalista e autora de uma tese sobre a agrobiodiversidade e os direitos do agricultor,  com contribuições nessa área e livros lançados sobre o tema. Houve o lançamento de outros dois livros, em que Juliana também foi autora.
 
A produção de sementes agroecológicas (realidade atual e perspectivas) também foi tema de painel.  O técnico agrícola Josuan Schiavon, substituindo o Frei Sergio Görgen, falou sobre a visão do Movimento dos Pequenos Agricultores. A visão da BIONATUR também teve espaço, na fala do presidente da rede de sementes agroecológicas Alcemar Inhaia. Finalizando o painel, foi a vez do representante do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento José Cleber Souza. Ele discutiu as perspectivas sob a ótica pública. Novamente, formou-se um debate após o painel, com a participação dos inscritos no evento. Após as perguntas, foram conhecidos os guardiões mirins da região. E para finalizar o evento, a Sociodiversidade e a Rota dos Butiazais foi o assunto do pesquisador Enio Sosinski em sua palestra. As belas imagens trazidas por Sosinski impressionaram o público, provocando vários questionamentos de quem assistia interessado.
 
Com a aproximação da pesquisa às universidades, formou-se um elo com os estudantes, que, assim como Kaliton Prestes, estudante da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), pretendem voltar à Embrapa. "Acho que os estudantes têm um acúmulo muito grande na troca de saberes com os agricultores e têm essa oportunidade de contato direto, visto que na universidade eles ficam dentro da sala de aula. Então quando temos essa oportunidade de estar com os agricultores, com a Embrapa e com a Emater, essa sinergia de saberes é muito gratificante pra nós", ressalta Kaliton. E é com essa perspectiva que acaba o VI Seminário de Agrobiodiversidade e Segurança Alimentar, unindo pesquisa e ensino a compartilhamento e sabedoria.
 

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