Setor aguarda leilão Pepro do algodão para o próximo mês
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Agronegócio

Setor aguarda leilão Pepro do algodão para o próximo mês

Último leilão Pepro para o algodão foi realizado em 2009
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Com as sucessivas quedas no preço do algodão - desde de fevereiro deste ano - e ante a perspectiva negativa nos valores praticados no mercado externo, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) solicitou ao Ministério da Agricultura a realização de um leilão do Prêmio Equalizador de Preço Pago ao Produtor (Pepro) e aguarda a publicação de um edital para agosto.

O presidente da Abrapa, Gilson Pinesso, disse ao DCI que produtores do Mato Grosso, da região Norte e da Bahia já estão sendo remunerados abaixo do preço mínimo de R$ 54,90 por arroba.

"No Mato Grosso o valor já chegou a R$ 52 por arroba. Regiões mais distantes dos centros de consumo, como a Bahia, ainda sofrem com problemas de logística que encarecem os custos ao produtor. Se precisar lançar mão deste instrumento (Pepro), o governo irá fazê-lo, afinal, faz muitos anos que não se utiliza", explica o dirigente.

O último leilão Pepro para o algodão foi realizado em 2009.

O analista do Safras & Mercados, Rodrigo Neves, alerta para os possíveis reflexos à safra 2015/2016, com a migração de cotonicultores para outras culturas, em função das baixas perspectivas para este mercado.

Neste contexto, as alternativas para plantio giram em torno do milho, trigo e soja. Entretanto, parte dos produtores ainda não encontrou a cultura ideal para fazer uma substituição em sua área. "Acho que possa ocorrer a migração, mas as outras commodities também estão caindo muito. Temos notícias de plantios em larga escala nos Estados Unidos e safra recorde, barateando os valores praticados no mercado internacional. Atualmente, ainda não vejo algo atrativo que movimente a substituição", avalia o cotonicultor de Rondonópolis, no Mato Grosso, Alexandre de Marco.

O presidente da Abrapa conta que há 40 dias a associação fez uma pesquisa cujo resultado mantinha a atual área de plantio.

"Destes 40 dias para cá, já sabemos que haverá uma redução na área para a próxima safra em cerca de 10%. É cedo para um dado mais concreto, mas o produtor vai fazer uma conta e o cultivo que lhe der rentabilidade com menor risco será a aposta da safra", enfatiza Pinesso. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma área plantada com algodão em 1,119 milhão de hectares para a safra 2013/2014, superior em 25,1% à cultivada no período de 2012/2013.

Para Pinesso, a safra 2014/2015 deve vir com menos de um milhão de hectares para plantio de algodão a nível nacional. "A Bahia, por exemplo, não planta segunda safra. A tendência agora é que os cotonicultores se voltem mais para a soja. No Centro- Oeste, ainda é cedo para dizer", afirma o presidente.

Exportações

O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Marco Antônio Aluisio, afirma que a demanda para subvenção do governo vai depender do excedente que iria para o mercado externo. "A safra está estimada em uma produção de 1,7 milhão de toneladas. Cerca de um milhão de toneladas já foi comercializada através de contratos. A indústria nacional já está estocada, então estas 700 mil toneladas excedentes deveriam ser exportadas. Porém, em Nova York também existe um excedente e a China está cada vez mais fora do mercado", avalia Aluisio.

Neves, do Safras & Mercado, destaca que o atual preço do algodão já é 20% mais baixo do que o valor praticado no mesmo período do ano passado.

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