Setor avícola intensifica combate à Salmonella

Agronegócio

Setor avícola intensifica combate à Salmonella

Instrução normativa exige maior controle dos processos produtivos para evitar contaminação com a bactéria
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Uma das principais bactérias responsáveis por intoxicações alimentares em todo o mundo e ainda considerada um grande problema de saúde pública, a Salmonella spp. está na mira do setor avícola brasileiro e paranaense. Com o objetivo de aumentar o controle sobre ela – que é comum em granjas, abatedouros e pode chegar ao consumidor final - a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura (Mapa) publicou, no último dia 25 de outubro, a Instrução Normativa nº 20 (IN 20), gerando maior rigidez no monitoramento de estabelecimentos avícolas comerciais de frangos e perus e também abatedouros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Com isso, algumas empresas e produtores deverão realizar ajustes ao longo do processo, o que pode ocasionar aumentos nos custos de produção. O Paraná é o maior produtor de aves do País.
De acordo com o segundo capítulo da IN 20, os estabelecimentos avícolas comerciais de frangos e perus de corte deverão implementar um programa de controle e monitoramento para Salmonella spp. nos seus plantéis avícolas, o que hoje acontece de forma esporádica, sob critério das indústrias, já que 100% dos produtores são integrados no Estado. A partir de agora, todos "os lotes de frangos e perus de corte dos estabelecimentos avícolas comerciais serão submetidos a coletas de amostras para a realização de ensaios laboratoriais para detecção de salmonelas, segundo metodologia oficial". Os estabelecimentos têm prazo de 120 dias para a adequação.
Ainda de acordo com o texto, as coletas de amostras serão realizadas próximo à data de abate das aves e os resultados devem ser conhecidos antes do seu envio para o abatedouro. Outro ponto importante é que todo o gerenciamento do processo estará sob responsabilidade do médico veterinário que realiza o controle sanitário do estabelecimento.
O vice-presidente e diretor técnico da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Rui Vargas, em entrevista à FOLHA, salienta que a IN foi discutida por pelo menos dois anos pelo setor e que já deveria ter sido implementada "há muito tempo". "O fato é que o nosso setor sempre está se adequando às novas realidades tecnológicas e muitas ações para combate a essa bactéria já estão incorporadas em nossos processos produtivos".De qualquer forma, ele acredita que algumas empresas terão impacto nos custos de produção "porque precisarão se adequar para tratar dos novos processos".
Outro ponto importante, segundo Vargas, é que a IN traz mais visibilidade para a carne de frango nacional, tanto para o consumidor do mercado interno como nas exportações. "Este marco regulatório trará muita clareza e transparência no momento das exportações. É um assunto que temos nos atentado desde a década de 1960 e as estatísticas mundiais mostram a importância de sempre buscarmos a redução destes perigos."

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