Setor discute soluções ao ‘boicote’

Agronegócio

Setor discute soluções ao ‘boicote’

A Famato considera um “equívoco” o embargo generalizado de todas as propriedades localizadas na área do bioma com irregularidades
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O setor pecuário de Mato Grosso reúne-se hoje à tarde na sede da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), em Cuiabá, para se posicionar frente ao boicote à carne bovina produzida na região do bioma amazônico. Diversas entendidas produtoras já confirmaram presença no evento. Após a reunião, a Famato divulgará documento com subsídios e recomendações ao governo do Estado e às plantas frigoríficas que suspenderam a compra de carne in natura oriunda de propriedades localizadas em regiões do bioma da Amazônia que apresentam irregularidades em relação à abertura de área para o desenvolvimento da atividade pecuária. Os municípios que apresentam mais problemas são os localizados nas regiões norte e noroeste, onde estão concentradas as maiores propriedades pecuárias.

A Famato considera um “equívoco” o embargo generalizado de todas as propriedades localizadas na área do bioma com irregularidades. “O que não achamos certo é um frigorífico rejeitar a compra de carne de todas as propriedades. Se um município tem problema, o boicote deve recair apenas em cima dos animais situados na área aberta irregularmente. Não podemos prejudicar as fazendas que não cometerem irregularidades e estão trabalhando dentro da lei”, critica o diretor-tesoureiro da Famato, Eduardo Alves Ferreira Neto.

Segundo ele, 68% da pecuária mato-grossense estão no bioma amazônico. “Não podemos colocar mais da metade do rebanho estadual nessa situação [de proibição]. Nossa opinião é de que as proibições devem ser pontuais e apenas dentro das áreas que apresentam o problema. Não podemos cometer a irresponsabilidade de embargar todas as fazendas”.

Eduardo Alves diz que os produtores serão ouvidos na reunião de hoje para que possam chegar a um consenso e tirar uma posição diante deste cenário adverso. “Não iremos medir esforços para reverter esta situação que tem prejudicado produtores, trabalhadores e a economia do Estado”.

De acordo com o diretor da Famato, a sugestão anunciada recentemente por uma ONG ambientalista e acatada por algumas plantas frigoríficas de rejeitar a compra de boi produzido dentro do bioma amazônico tem influenciado negativamente a pecuária mato-grossense. “Não há como aceitar uma situação desta em que uma ONG planta uma idéia equivocada à população, atingindo em cheio uma atividade que tem participação significativa no PIB (Produto Interno Bruto) e nas exportações do país”, ressalta.

Ele faz questão de deixar claro que os produtores também se preocupam com a preservação ambiental e buscam a produção sustentável. “Vamos buscar o diálogo, mas se for preciso, a Famato entrará com ações para responsabilizar os autores deste boicote, pelos danos causados”. A Famato não divulgou o montante das perdas até agora com o embargo.

GREENPEACE – Recentemente, o Greenpeace divulgou um relatório denominado "Slaughtering the Amazon" (Abatendo a Amazônia), responsabilizando a cadeia pecuária pelas ações de desmatamento na floresta amazônica. A ONG aponta que 80% desses desmatamentos são resultado da expansão da pecuária na região. Ainda de acordo com o relatório, o setor seria responsável por 14% de todo o desmatamento mundial, ou seja, o principal motor da redução das florestas em todo o mundo.

O Greenpeace co-responsabiliza também compradores de produtos e subprodutos da pecuária brasileira pelo desmatamento, citando nominalmente empresas varejistas como Tesco, Sainsbury"s, Morrisons e MarksSpencer, e indústrias de calçados como Nike, Adidas e Clarks Shoes, que usariam couro do gado criado na região. Na ocasião, o setor pecuário do Estado reagiu e considerou o relatório “vago e sem dados confiáveis”.


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