Sistemas integrados ganham espaço

Agronegócio

Sistemas integrados ganham espaço

Trabalhar com sistemas integrados de produção é uma das maneiras mais eficientes do produtor minimizar seus riscos
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“Trabalhar com sistemas integrados de produção é uma das maneiras mais eficientes do produtor minimizar seus riscos”. A afirmação é da consultora da Rede TT ILPF da Fundação Eliseu Alves, Mariana Takahashi, feita durante a apresentação dos resultados do projeto “Rentabilidade no Meio Rural em Mato Grosso”.

O projeto é desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar/MT) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ontem, foram apresentados os resultados dos estudos realizados pelas entidades.

Para chegar à conclusão da mitigação dos riscos por meio do uso de sistemas integrados, Mariana se baseou nos resultados de duas propriedades rurais de Mato Grosso que adotam o sistema, uma no médio norte e outra no nordeste mato-grossense.

A Fazenda Dona Isabina, localizada no município de Santa Carmen, região médio norte de Mato Grosso, possui o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e foi avaliada durante os anos de 2005 a 2012. A área foi dividida em cinco módulos de 100 hectares (ha) cada e foi montada uma propriedade modal, na qual foi feita a análise separada das culturas e os mesmos indicadores foram aplicados na área de integração. “Notamos que um possível aumento no custo dos insumos a rentabilidade da fazenda modal de soja e milho safrinha é reduzida em praticamente o dobro da fazenda de integração. Simulando uma má negociação em que os insumos foram mais caros, o sistema de integração ainda consegue amortizar um pouco mais, quando comparada ao modal”, explica Mariana.

A outra propriedade analisada foi a Fazenda Brasil, localizada em Canarana, região nordeste do estado de Mato Grosso. Na propriedade é adotado o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A avaliação foi feita de 2010 e será continuada até 2017, quando serão feitos os cortes das árvores. “Chegamos à conclusão de que onde não há integração, a cada R$ 1 Investido o retorno é de R$ 0,41. Já na integração a rentabilidade aumenta para R$ 0,68 a cada R$ 1 investido”.

Segundo a consultora, o Brasil tem mais de um milhão de hectares integrados. “A integração traz mais segurança ao produtor porque os preços dos principais produtos, boi, soja, milho, e algodão, não estão amarrados. Com testes estatísticos concluímos que não há uma relação entre eles. Ou seja, o produtor não vai colocar todos os ovos em uma cesta só”.

ESTUDOS DE CASO – Durante o evento também foram apresentados os resultados econômicos de duas Unidades de Referência Tecnológica e Econômica (URTEs), áreas demonstrativas que estão localizadas em propriedades rurais onde, atualmente, são conduzidos sistemas de produção de Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF) em que são realizados trabalhos de pesquisa e validação de tecnologia.

O pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Júlio Reis, apresentou o estudo realizado na Fazenda Bacaeri, localizada em Alta Floresta, que integra pecuária e floresta. E o analista de Custo de Produção do Imea, Miquéias Michetti, apresentou a análise feita na fazenda Gamada, que fica em Nova Canaã do Norte e tem os três componentes da integração: lavoura, pecuária e floresta.

CULTURAS SOLTEIRAS – Os resultados dos painéis de Custo de Produção das principais culturas de Mato Grosso, realizados pelo Imea durante 2016, também fizeram parte das apresentações.

Foram realizados 30 painéis em todas as regiões de Mato Grosso. As equipes percorreram mais de 10 mil quilômetros e levantaram os custos de produção da soja, do milho, do algodão e da bovinocultura de corte e de leite.

Dentre os fatores determinantes do custo de produção e da rentabilidade das safras 2015/2016 de soja e milho foi a alta do dólar. “A gente teve um aumento de custo considerável nessas duas culturas porque a compra dos principais insumos acompanhou o valor do dólar. Em contrapartida, a alta do dólar também influenciou na rentabilidade uma vez que a comercialização da produção também é atrelada ao dólar”, explica o gestor de Projetos do Imea, Paulo Ozaki.


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