Situação irregular na colheita de café
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Agronegócio

Situação irregular na colheita de café

Uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho encontrou irregularidades na colheita do café no município de Gália, em São Paulo
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Uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho encontrou irregularidades na colheita do café no município de Gália, em São Paulo. As condições de moradia e transporte eram precárias.

Com o apoio da Polícia Militar, o grupo percorreu fazendas de café, ouviu trabalhadores rurais e observou as condições de trabalho.

Em uma das propriedades, apesar da presença de equipamentos de proteção, como óculos, o meio de locomoção dos funcionários apresentava problemas. No ônibus em que os trabalhadores eram transportados os bancos estão desencapados, soltos e sem cintos de segurança, o que oferece risco. O veículo também não tinha licença, como determina a lei.

Em outra fazenda, de 400 alqueires, o abrigo montado para a alimentação ficava ao lado da rodovia e sem mesas ou cadeiras. Os próprios trabalhadores levavam seus alimentos sem condições ideais de refrigeração e consumo. Também não havia nenhum banheiro adequado.

Os trabalhadores rurais vindos de Centenário do Sul, no Paraná, recebiam R$ 5,00 por saca, valor inferior à média paga na região. Em uma das casas moram oito pessoas de três famílias diferentes. Faltam armários e camas. Crianças, como Maria Antônia, de um ano e três meses, dormem em colchões no chão.

“É muito ruim. As crianças tomam muita friagem”, reclamou a trabalhadora rural Élida Mateus.

Os advogados e responsáveis pela fazenda não quiseram gravar entrevista, mas garantiram que farão as adequações.

“Para pagamento dos salários o prazo é imediato. E no caso do descumprimento, foi fixada uma multa de R$ 3 mil pela constatação, acrescida de multa diária de R$ 300,00 até o efetivo cumprimento das obrigações”, explicou Ruiz Maturana, procurador do Ministério Público do Trabalho.

Os donos das plantações de café terão 60 dias para melhorar as condições de trabalho dos empregados.

No município de Campo do Meio, no sul de Minas Gerais, o problema está no transporte dos trabalhadores. Muitos vão para as fazendas em veículos inadequados.

As cenas são comuns nas estradas. No caminhão com a lona rasgada os trabalhadores tentavam se esconder. O outro veículo, além dos funcionários na carroceria, leva quatro pessoas na cabine. Entre elas está uma criança.

Em um dos trechos do percurso mais 20 pessoas sobem nas carretas dos tratores. Elas ocupam o lugar usado, geralmente, para transportar grãos de café.

Outro trator sai da cidade e anda seis quilômetros na rodovia. Mais de 15 trabalhadores vão sentados na beirada da carreta, até chegar à fazenda.

O trabalhador Mariano Barbosa contou que eles ainda disputam espaço com os equipamentos. “Nozes, até pneus, água e almoço vai tudo junto”, disse.

Segundo o Ministério do Trabalho, a multa para quem transportar empregados em tratores varia de R$ 3 mil a R$ 6 mil, de acordo com o número de funcionários. O dono da fazenda mostrada na reportagem informou que situação não vai se repetir.


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