Soja, pasto e mamona tomam lugar do babaçu em seis Estados

Agronegócio

Soja, pasto e mamona tomam lugar do babaçu em seis Estados

Desmatamento e queimadas causam perdas de 24 mil quilômetros de babaçuais
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O desmatamento e as queimadas causam perdas de 24 mil quilômetros quadrados de babaçuais por ano na Amazônia para dar espaço a pastagens e a plantações de soja e mamona. O dado foi apresentado hoje durante audiência pública realizada na Câmara para discutir o Projeto de Lei 231/2007, que prevê o fim da derrubada das palmeiras de babaçu nos Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará, Goiás e Mato Grosso.

Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentados hoje na audiência mostram que a extração do babaçu envolve 300 mil pessoas nos seis Estados. Além de proibir a derrubada das plantas, o projeto prevê a garantia do acesso aos babaçuais e a criação de reservas extrativistas nos Estados. Um dos itens da lei prevê a imediata implantação das reservas de Mata Grande (MA), Ciriaco (MA) e Extremo Norte (TO).

Com o extrativismo, as mulheres da região garantem o sustento de suas famílias. "Do babaçu, aproveitamos o azeite, o sabão e o leite para temperar a comida. Sem essa atividade, o desemprego na região será maior ainda", afirma Maria Adelina de Souza Chaves, coordenadora geral do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco (MIQCB), organização que conta com 5.600 mulheres associadas. Ela explica que a atividade rende em média meio salário mínimo. "É pouco, mas é melhor isso do que nada", diz Maria Adelina.

O PL discutido hoje durante a audiência, apresentado pelo deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), foi elaborado em conjunto com a entidade e encaminhado à Câmara neste ano. Dutra, filho de uma quebradeira de coco babaçu, nasceu em Saco das Almas, quilombo que fica no município de Buriti (MA). "Minha mãe criou 20 filhos quebrando coco no interior do Maranhão", disse. Segundo ele, atualmente existem 18 milhões de hectares com babaçu nos seis Estados citados. Ele afirma ainda que é preciso estabelecer um diálogo sobre a utilização das amêndoas de babaçu para a conversão em biodiesel.

O coordenador geral de Monitoramento e Avaliação do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Márcio Hirata, que participou do encontro desta tarde, também sinalizou com a possibilidade de um diálogo para saber a melhor forma de usar a planta como matéria-prima para o biodiesel.

Os ministros e governadores das regiões extrativistas do babaçu na Amazônia que participariam do encontro não compareceram, enviaram representantes. A ausência deles foi criticada pelos deputados. Amanhã, o projeto deverá ser protocolado no Palácio do Planalto pela manhã. Depois, as participantes do movimento das quebradeiras de coco irão à Câmara e ao Senado.


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