Soja

Soja avança sobre espaço do milho na lavoura

Área semeada com a oleaginosa deve expandir até 10% no Estado
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Enquanto avança o plantio da soja no Estado, o produtor gaúcho monitora uma extensa lista de variáveis que podem impactar preço e produtividade. No horizonte do preço, as incertezas do câmbio e as baixas cotações atuais. Na linha do tempo climática, há possibilidade de ocorrência do La Niña. A única constante entre os especialistas, no momento, é de que a área plantada no Rio Grande do Sul e no País aumentará. O avanço será sobre a terra anteriormente destinada ao milho, que tem preço ainda mais depreciado do que a soja, diz o analista Luiz Fernando Gutierrez Roque, da consultoria Safras & Mercado.
 
Enquanto a soja no interior do Rio Grande do Sul teve queda de cerca de 10% em um ano (caiu de R$ 75,00 a saca em novembro de 2016 para atuais R$ 67,00), o milho retraiu ainda mais, cerca de 30% no mesmo período (de R$ 45,00 para próximo de R$ 31,00). E, apesar de haver uma supersafra norte-americana, que tenderia a derrubar os preços, Roque avalia que isso já foi precificado pelo mercado.
 
"Os preços só não estão com queda maior porque Chicago está com demanda forte pelo grão e olha com alguma incerteza para a safra da América do Sul. Esses dois cenários é que dão fôlego aos preços, mas qualquer coisa pode jogar os preços para cima em uma semana e para baixo em outras", alerta.
 
Roque ressalta que para o Rio Grande do Sul a grande dúvida é a ocorrência e a intensidade do fenômeno La Niña, que se anuncia em alguns prognósticos climáticos. Vale lembrar que entre 2011 e 2012, com forte intensidade, o fenômeno e a estiagem decorrente dele causaram perda de cerca de 30% nas lavouras do Estado. Coordenador da comissão de grãos da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Jorge Rodrigues destaca, porém, que já houve registro de La Niña com boas produtividades.
 
"Tudo depende do momento e com que força ocorrerá. Mas, agora, é a fase do plantio e o produtor tem que semear, independentemente de qualquer coisa. Os preços não estão bons, mas o produtor não tem outras alternativas", diz Rodrigues, que estima alta de até 10% na área semeada com a oleaginosa no Estado.
 
Carlos Bestetti, assistente da superintendência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Estado, diz que até o momento os indicadores apontam para uma alta menor em relação as expectativas da Farsul. "Até agora, a projeção é de elevação de 1% na área semeada, e o Rio Grande do Sul não tem muito para onde expandir", avalia Bertetti.
 
Na última saída a campo para o levantamento que será divulgado nesta semana, o engenheiro agrônomo da Conab destaca que o produtor tem reclamado muito do custo da produção e do câmbio, principalmente. Mas, como no preço pouco ou nada se pode fazer, diz Bertetti, o cuidado será mesmo para baixar os gastos. "Hoje, o prejuízo é generalizado no arroz, no trigo e no milho. Na soja ainda não, mas não sei por quanto tempo", alerta o representante da Conab.
 
Custo de produção está menor, mas margem bruta também, mostra estudo feito pela Farsul 

Um estudo da Farsul indica, até agosto, a queda de 19% nos custos de produção na soja no atual ciclo. O que poderia ser um alento ao produtor, porém, não tem servido de estímulo devido à queda na cotação da soja, que absorve lucros da lavoura. Enquanto o custo de produção foi de R$ 3,27 mil por hectare na safra 2016/2017, neste ano deverá ficar em R$ 2,66 mil. A receita reduzida, fruto da cotação menor, comeu as margens brutas, de R$ 1,35 mil no ciclo anterior, para previsão de R$ 1,14 no período 2017/2018. Em 2015/2016, o valor chegou a R$ 1,76 mil por hectare. 

Uma das medidas que o produtor tem adotado (principalmente fora do Estado) é travar contratos na atual cotação do câmbio. O agricultor gaúcho, porém, considerado mais tradicional e menos afeito a esse tipo de negócio, pode estar perdendo a hora de assegurar um ganho melhor. "Aqui isso não está ocorrendo muito, apesar de recomendar muito que o produtor trave parte de seus contratos em bons momentos", diz o coordenador de grãos da Farsul, Jorge Rodrigues. 

Presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS), Luís Fernando Marasca Fucks diz que o mais comum ainda é negociar parte da produção diretamente com a indústria de insumos. "Ainda é melhor do que nada, mas a cotação da saca em queda não traz boas perspectivas", reclama. 

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