Soja convencional tem espaço no Rio Grande do Sul


Agronegócio

Soja convencional tem espaço no Rio Grande do Sul

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Nem todos os produtores gaúchos estão colhendo soja transgênica. Centenas de agricultores continuam fiéis à semente convencional graças a programas desenvolvidos por cooperativas e empresas privadas que investiram pesado na certificação do produto. O objetivo é garantir um nicho de mercado, cativo e atraente, existente em países europeus e asiáticos.

Alheios às discussões em torno da Medida Provisória 113 - que garante a venda da soja geneticamente modificada da atual safra e determina o plantio de semente convencional a partir do segundo semestre -, esses agricultores só pensam na manutenção de um cultivo que lhes garante um ganho de 4% em relação ao preço de mercado. Isso, acreditam, compensaria os propalados resultados da oleaginosa transgênica: menor custo com insumos e maior produtividade na hora da colheita.

Há cinco anos, os sojicultores ligados à Cooperativa Agrícola Alto Uruguai (Cotrimaio), de Três de Maio, encontram mercado em várias frentes. O trabalho desenvolvido pelo grupo garante a venda de soja convencional (certificada) e orgânica para empresas brasileiras e para exportação, além de abastecer a indústria própria. A cooperativa, com 6 mil associados inscritos no programa, deverá receber na atual safra 180 mil toneladas do produto.

Deste volume, 120 mil toneladas são de soja convencional rastreada, com certificação. Outras 24 mil toneladas são de soja orgânica (sem qualquer utilização de químicos). Também esse é um produto certificado. As 36 mil toneladas restantes são, em tese, também convencionais. Mas, como não passam pelo teste de rastreabilidade, faltam garantias de que não haja contaminação.

A Cotrimaio se precaveu para receber três tipos de produto, investindo no mínimo R$ 500 mil em equipamentos nos últimos cinco anos. São moegas, secadores, elevadores e meios de transportes totalmente independentes. O circuito para o recebimento dos produtos é separado, ao contrário dos existentes em armazéns de outras cooperativas ou grupos particulares, em que as moegas são unidas por fita única.

"Não somos contra o plantio e comercialização de produtos transgênicos. Mas, como optamos por um mercado promissor, defendemos a urgência do processo de rotulagem", diz o presidente da cooperativa, Antônio Wünsch.

As lavouras tradicionais e as transformadas em orgânicas são vistoriadas pela certificadora anualmente. A área de soja não-transgênica cresceu ano a ano, chegando a 50 mil hectares na última safra. E o produto continua ganhando mercado. Nesta safra, a Cotrimaio vendeu 60 mil toneladas para a empresa Bunge e mais de 100 mil toneladas para outros mercados no Brasil ou para o Exterior. Para a indústria própria da cooperativa, foram separadas 20 mil toneladas.

Hoje, existem três preços no mercado de soja em Três de Maio. Pela variedade sem certificação (com grande possibilidade de ser transgênica), é paga a média de R$ 34,50 pela saca (60 quilos). Pela convencional rastreada desde a lavoura, o valor passa para R$ 35,88. E com a orgânica, bastante valorizada nos mercados europeus e asiático, os produtores estão conseguindo até R$ 48,75. "Alguns produtores ligados à cooperativa conseguem colher 56 sacas da variedade convencional por hectare, o que lhes garante um ganho superior em R$ 75 se comparado com a variedade de transgênica", explica Wünsch.


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