Soja deve ter produtividade recorde no oeste da Bahia
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Agronegócio

Soja deve ter produtividade recorde no oeste da Bahia

A expectativa na região é de uma produtividade média de 50 sacas (60 kg) por hectare
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Reuters - Chuvas abundantes e bem distribuídas devem contribuir para que o oeste baiano atinja na atual safra produtividade recorde nas lavouras de soja, prevêem produtores e fornecedores de insumos. Mas a maior umidade também exigiu mais aplicação de fungicida para combater a ferrugem.

A expectativa em geral na região é de uma produtividade média de 50 sacas (60 kg) por hectare, contra 47 sacas em 2005/06, quando o desenvolvimento das lavouras foi comprometido pela estiagem.

"As chuvas foram mais distribuídas e mais espaçadas. Por isso, esperamos produtividades recordes", afirmou o produtor Paulo Magerl, que planta milho e soja na região de Luís Eduardo Magalhães, após encontro promovido pelo "Rally da Safra".

A Bahia é o último de 14 Estados visitados pelo "Rally", organizado pela Agroconsult, que pretende fazer um balanço da produção nacional de grãos. Diferentes equipes fizeram oito percursos pelo Brasil, num total de 25 mil km, retirando 1.500 amostras de lavouras de soja, milho e algodão. O resultado final do levantamento deve ser conhecido no dia 29 de março.

Após o primeiro dia de coletas na Bahia, na área conhecida como "anel da soja" e na de Roda Velha (distrito de São Desidério), Fabio Meneghin, analista da consultoria e coordenador da equipe, relatou uma situação satisfatória, com áreas em condições muito boas, mas também regiões com desempenho bastante irregular.

"As lavouras ruins não devem representar uma grande quebra na região. Elas não são muito representativas", afirmou ele, que preferiu não fazer uma projeção antecipada da produtividade.

Ferrugem

Os técnicos também observaram uma maior incidência da ferrugem da soja, que havia diminuído no ano passado. A doença atacou fortemente a região em 2002/03, colaborando inclusive para uma maior expansão do algodão.

Mas o produtor, de modo geral, conseguiu manter a doença sob controle com aplicação de fungicidas. Números da Syngenta mostram que, em média, os produtores fizeram 2,5 aplicações na atual temporada, contra 1,7 em 2005/06.

"Houve muito produtor que relaxou este ano porque a incidência foi baixa no ano passado, quando a aplicação ocorreu no momento correto. Agora, houve muita aplicação corretiva em vez de preventiva", afirmou um técnico da companhia, observando que também as chuvas este ano colaboraram para propagar o fungo.

"Como choveu bem, a ferrugem também está forte", concordou Claudir Lodi, produtor de soja e milho em Barreiras, que planta soja e milho em 2.500 hectares.

Lodi aplicou fungicidas duas vezes em sua área, com algumas partes recebendo três aplicações. Na safra passada, fez apenas uma aplicação e meia. Ele deu início à colheita de soja, obtendo 67 sacas por hectare, ante 57 sacas em 2005/06.

A safra brasileira de soja era estimada pela Agroconsult, antes do início do "Rally", no recorde de 56,7 milhões de toneladas, mas o número deve ser revisado para cima, assim como o do milho, cuja produção era projetada em 48,3 milhões de toneladas.

Quanto à etapa anterior do Rally, pelos Estados de Piauí, Tocantins e Maranhão, Meneghin observou que a região de Balsas (MA) foi bastante afetada pela ferrugem este ano, com lavouras produzindo até 30 sacas por hectare. Na região de Uruçuí (PI), por sua vez, houve um veranico forte no período de enchimento de grãos, o que deve comprometer bastante a produtividade.

"Uma das surpresas no Rally deste ano foi a forte pressão da ferrugem nos Estados de Maranhão e Tocantins", disse o consultor no encontro com produtores e fornecedores.

Ele comentou ainda que houve um aumento grande na adoção de variedades precoces em Goiás, para escapar da ferrugem. Essas cultivares, surpreendentemente, acabaram apresentando um rendimento maior que as de ciclo mais tardio.

No Mato Grosso, houve perdas na região de Sorriso de até 15% com soja precoce por excesso de chuvas, mas o Estado deve colher uma produtividade bem melhor, com 48-49 sacas por hectare, contra 42 sacas no ano passado.


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