Soja/MT: Liderança é argentina

Agronegócio

Soja/MT: Liderança é argentina

“O Telhar” soma 21 unidades produtivas distribuídas pelo Estado
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“Los hermanos” cobrem de branco e azul as lavouras mato-grossenses e se dizem prontos a integrar o desenvolvimento agrícola brasileiro

Nem Blairo, nem Eraí. Depois de quatro décadas de domínio brasileiro, o título de “Rei da Soja” foi arrebatado nesta safra pelo grupo argentino “O Telhar”, com raízes e história de oito anos de trabalho no Brasil, cujos investidores fazem parte do grupo “El Tejar” (em espanhol), fundado na Argentina há 23 anos e líder em produção de grãos na América Latina. Os números da produção e área são guardados a sete chaves pelos argentinos, porém, informações do mercado apontam área plantada acima de 206 mil hectares de soja no Estado e produção em torno de 680 mil toneladas, o suficiente para desbancar o produtor Eraí Maggi, que nesta safra produziu 576 mil toneladas de soja em lavouras que ocuparam 178 mil hectares.

Há pelo menos 10 anos a família Maggi – primeiro, com Blairo e, ultimamente, com Eraí (Grupo Bom Futuro) – detinha a hegemonia de maiores produtores de soja do mundo. Agora, se a família quiser recuperar a posição, terá de rever as estratégias para recuperar a liderança perdida para os argentinos.

De acordo com informações de “O Telhar”, o grupo com aporte em Mato Grosso, já se considera uma “empresa local, que tem interesse no desenvolvimento do Estado e da comunidade”. Em Mato Grosso, o grupo conta com cerca de 300 funcionários, ainda distantes dos cinco mil empregos gerados pelo Grupo Bom Futuro, do empresário Eraí Maggi. Entre os objetivos dos argentinos, além da produção de grãos, está o “desenvolvimento das comunidades onde atua”.

O Telhar está presente no Brasil desde 2003, contando com sede na cidade de Primavera do Leste (239 quilômetros ao leste de Cuiabá). No Brasil, a empresa atua na produção e comercialização de soja, milho e algodão, sendo que a produção é realizada por meio de produtores locais.

Por questões estratégicas, o grupo não revela o montante exato da produção para cada cultura, alegando que os dados “precisam ser compilado entre os diversos departamentos da empresa”. Informa apenas que as atividades de “O Telhar” se desenvolvem em 21 unidades produtivas distribuídas pelo estado do Mato Grosso. Na América do Sul, especificamente, El Tejar atua em uma área superior a 700 mil hectares.

O modelo produtivo de “O Telhar” permite que os produtores rurais, donos das terras, continuem dentro da atividade agrícola e possam retornar à atividade quando considerem oportuno, não ficando, portanto, excluídos do mercado e da atividade. “O grupo El Tejar conta com unidades de produção em diversos países da América Latina. No Brasil, o grupo não poderia deixar de estar presente, devido aos inúmeros fatores favoráveis à produção de soja, e que posicionam o país como o maior produtor mundial do grão, assim como sua vocação natural para a produção agrícola. Mato Grosso, especificamente, está localizado em uma região de clima privilegiado e solo bastante adequado à produção de soja, além de ser um local muito favorável em termos da logística de escoamento da produção, por estar na região central do Brasil”, informa o grupo.

Os argentinos argumentam ainda que “além do clima e do solo favoráveis” à produção de soja, Mato Grosso tem grande vocação para a produção de grãos e alimentos, em geral. “Mato Grosso oferece excelentes oportunidades de expansão agrícola. A filosofia do grupo El Tejar, ao ingressar em um país e realizar investimentos, é de permanecer como uma companhia altamente produtiva, por pelo menos 700 anos nos mercados onde está instalada, garantindo estabilidade a todos os envolvidos”.

De acordo com o grupo, “o fato de o Brasil vir se posicionando como um celeiro mundial de alimentos e Mato Grosso ser o Estado que mais produz grãos no país, certamente colocam a região em lugar de destaque nos cenários nacional e internacional nos próximos anos”, com perspectivas de alcançar novos recordes.

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