Soja na mão

Agronegócio

Soja na mão

Agricultores capitalizados comercializam somente 13% da próxima safra ante 33% no mesmo período do ciclo anterior; analistas pedem atenção ao câmbio e às cotações
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À espera de um preço melhor e capitalizados pelas boas receitas das últimas safras, os produtores paranaenses de soja adiaram o fechamento de contratos neste ano. A comercialização da commodity plantada estava em 33% no fim de novembro do ano passado, quase três vezes os 13% do que será colhido no próximo ano, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). No entanto, analistas apontam que não há sinais de elevação das cotações devido à safra recorde nos Estados Unidos e que é preciso muita atenção ao câmbio, que também não tende a sofrer grandes variações.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) estima a safra do grão em 114,34 milhões de toneladas, devido ao bom clima no hemisfério norte. Da mesma maneira, a expectativa na América dos Sul é de baixa interferência do fenômeno La Niña, com produção recorde também no Paraná e no Brasil.

Conforme o Deral, a safra 2016/17 deve resultar em 18,3 milhões de toneladas de soja, 11% a mais do que no ciclo anterior. A produtividade também deve crescer, já que a área plantada com a commodity deverá diminuir 1% no Estado, para 5,23 milhões de hectares. O plantio de soja já foi finalizado no Paraná e 97% da safra está em condições boas de desenvolvimento.

Mesmo com os números recordes, o pé no freio do agricultor paranaense se justifica em partes, já que a demanda chinesa está forte. Houve alta de 5% no preço da saca na primeira semana de dezembro, em relação ao fim de novembro, conforme o Deral. O valor bateu em R$ 71,02 no balcão das cooperativas e ontem estava em R$ 70,72 na média do órgão estadual. "A questão que todo produtor se pergunta no início do ano é se a China vai continuar a comprar", afirma o engenheiro agrônomo do Deral Hugo Godinho.

Demanda
Para o técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná e professor de economia rural da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Eugenio Stefanelo, a forte demanda deste fim de ano tem mantido os preços ótimos. "O valor bushell vai de US$ 9,50 a US$ 10,5 e é ótimo se considerado o tamanho da safra mundial."

Stefanelo considera que parte dos produtores rurais ainda espera uma variação do dólar após a posse de Donald Trump como presidente dos EUA, mas ele acredita que o resultado eleitoral já foi absorvido pelo mercado cambial. "O dólar estava em R$ 3,15 e passou de R$ 3,40, o que favoreceu o agricultor nacional que foi compensado pela queda de preço", diz.

O técnico da Conab considera que somente uma quebra de safra na casa dos 20 milhões de toneladas em países como Argentina, Paraguai e Brasil poderia mudar a cotação drasticamente. "Na minha percepção, o produtor poderia fechar um pouco mais de vendas com esse preço pago em Paranaguá, que atinge até R$ 82 a saca."

O economista Marcelo Garrido, do Deral, é um pouco mais cauteloso. "O mercado oscila muito e, neste momento, com os resultados da safra nos Estados Unidos, os olhos do mercado se voltam à América do Sul", diz. "Pode ocorrer algum problema, porque dezembro é o mês de definição para o desenvolvimento da soja, e também existe a chance de o dólar se valorizar mais. Vai de cada um", completa.


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