Soja semeada em outubro enfrenta altas temperaturas
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Agronegócio

Soja semeada em outubro enfrenta altas temperaturas

Produtores do PR e MS dependem da umidade para amenizar perdas
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Produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul dependem da umidade para amenizar perdas. Soja semeada em outubro enfrenta altas temperaturas

Nem tudo está perdido assim como nem todas as lavouras que receberam chuvas nas últimas semanas estão salvas. Produtores de regiões atingidas pelas estiagens de novembro e dezembro ainda dependem de umidade em Mato Grosso do Sul e no Paraná, apurou a Expedição Safra Gazeta do Povo durante visitas a diversas propriedades na última semana. Essas áreas foram semeadas em outubro e só devem ser colhidas a partir de março.


Com 270 hectares de cultivo, Emerson Penachiotti ainda tem soja verde em Floresta, Centro-Oeste do Paraná. Do lado dessa lavoura existem áreas com milho de inverno semeado. Sua esperança é que o clima colabore e amenize os efeitos do La Niña na produção. Ele teme que a produtividade da oleaginosa caia de 58 sacas por hectare alcançados na safra passada para 33 sc/ha, como ocorre nas redondezas.

As plantações estão suportando temperaturas de até 35 graus, que esquentam o solo a mais de 50 graus. “No meu caso, a formação das plantas foi boa, mas não tem vagem. A soja deu árvore, mas jo­­gou fora as flores”, lamenta, temeroso diante de previsões que apontam apenas pancadas de chuva para a região.


No Sul de Mato Grosso do Sul, a região do estado mais atingida pela falta de umidade no início do plantio da soja, as plantas que ainda estão com os grãos em formação dão vantagem a José Sebastião Fernan­­des sobre seus vizinhos. Com 160 hectares, ele espera 55 sacas por hectare, enquanto produtores bem mais experientes prevêem dez sacas a menos.

Sukesada Takehara, agricultor japonês que atua há meio século em Naviraí (MS), vai começar a colheita na próxima semana, mas está certo de que boa parte da produção evaporou. Estima queda na produtividade de 58 para 45,5 sc/ha. Com a autoridade que sua ex­­pe­­riência lhe confere, afirma que, em seu caso, não existe mais chance de ampliar a produção de soja neste ano. Com a possibilidade de falta de chuva também nos próximos meses, decidiu inclusive reduzir a área de milho safrinha em 20%, para 800 hectares.


Dos males, o menor

A quebra da seca é desanimadora, mas será menor que as perdas provocadas pelas enxurradas que ocorreram na colheita de 2011, afirma Rodrigo Flis, de São Gabriel do Oeste, Norte de Mato Grosso do Sul. Ele planta 700 hectares de soja e prevê 50 sacas por hectare, com base nos índices atingidos em áreas já colhidas. Ano passado, colheu apenas 35 sc/ha. “No ano passado, teve área que nem foi colhida. Choveu duas semanas sem parar e os grãos que não germinaram estavam podres.”

“Num mesmo ano (2011), tivemos excesso e chuva na colheita e seca no plantio”, lamenta Evandro Biazus, também de São Gabriel. Com 2.150 hectares, prevê 55 sc/ha. “Se cobrir os custos já está bom”, afirma, depois de uma safra de perdas bem maiores. “Ano passado, colhemos só um terço da lavoura. O resto estava debaixo d’água”, lembra.

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