Soja transgênica atinge 85% da área plantada no Brasil

Agronegócio

Soja transgênica atinge 85% da área plantada no Brasil

No MT a transgenia esta presente em 70% dos 6,98 milhões de hectares reservados
Por: -Wisley Tomaz
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Em Mato Grosso, segundo o Imea, na safra 2011/2012, a transgenia estava presente 70% dos 6,98 milhões de hectares reservados

Pelo terceiro ano seguido, o Brasil lidera a expansão do plantio de transgênicos no mundo. A informação foi divulgada pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-Biotecnológicas (ISAAA), que informou ainda sobre o aumentou em 4,9 milhões de hectares sua área na última safra. No total, foi plantada uma área de 30,3 milhões de hectares entre soja, milho e algodão, significando um crescimento de 19,3%. Na avaliação de Clive James, presidente do ISAAA, este aumento aconteceu porque o Brasil desenvolveu três características fundamentais: a capacidade de fazer suas próprias sementes biotecnológicas, no caso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o feijão transgênico; a diversificação, com o uso de sementes  desenvolvidas por empresas privadas, parcerias público-privadas e empresas públicas; e um sistema de aprovação rápida.


No caso da soja, um levantamento realizado pela empresa de consultoria Safras & Mercado sobre a evolução da transgenia, constatou um avanço significativo na safra 2011/12, confirmando a tendência estabelecida desde a liberação oficial em 2005. Assim, de acordo com estes números, a área semeada com variedades transgênicas alcançou 85% da área total na safra 2011/12 de soja no Brasil, atingindo 21,32 milhões de hectares. Esse total é 15% superior aos 18,62 milhões de ha cultivados na safra anterior, cuja representatividade foi revisada para 77%. Em termos estaduais o avanço foi generalizado com destaques para os incrementos de 14% em Goiás, 13% no Mato Grosso, 11% no Paraná, e 10% no Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Na liderança no nível de utilização temos o Rio Grande do Sul, com 99% da área, Santa Catarina com 93%, Paraná com 91%, Mato Grosso do Sul com 90% e Goiás com 88%.

Em relação à área destinada à soja transgênica em Mato Grosso, de acordo com Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), na safra 2011/12 foram ocupados 70% dos 6,98 milhões de hectares reservados. Em 2010/11, a transgenia estava presente em 57% das lavouras, ou 3,7 milhões de hectares.


Para o gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Nery Ribas, a utilização da soja transgênica tem como um dos objetivos aprimorar o desempenho da lavoura. Isso porque tem trazido avanços de produtividade. Segundo ele, os custos e a produtividade da convencional e da transgênica são parecidos, o que varia, na maioria das vezes, é o manejo. Cada produtor faz sua avaliação, decidindo qual das duas vai plantar. “Os produtores têm livre escolha, observam as tendências de mercado, os prêmios que estão sendo pagos pelo plantio da soja convencional, e tomam suas decisões. Não se pode afirmar que uma ou outra cultura vai deixar de ser plantada”. Este ano, conforme levantamento do Imea, houve um incremento de 8,9% na área plantada, totalizando 6,985 milhões (ha), dos quais 4,889 milhões (ha) preenchidos com soja transgênica.

Muitos fatores favorecem expansão da transgenia

Outros fatores também estão sendo favoráveis à transgenia no Brasil. Entre eles, de acordo com a  Safras&Mercado, estão as facilidade nos tratos culturais, a redução no custo de produção, a diminuição nos preços dos herbicidas e maior disponibilidade de variedades adaptadas. Além da boa oferta de variedades precoces, firme elevação na média das produtividades obtidas e melhor no nível de aceitação pelo mercado consumidor. Na outra ponta, as limitações ao uso da soja transgênica podem ser destacadas na eterna discussão da cobrança dos royalties pela detentora da tecnologia, no aparecimento de ágio no preço da soja convencional, aumento da resistência de ervas daninhas ao glifosato e campanha institucional visando o aumento da pesquisa e da utilização de variedades convencionais.


O sojicultor Ricardo Arioli Silva, do município de Campo Novo do Parecis (396 Km a Noroeste da Capital) há alguns anos vêm plantando uma parte da sua produção de soja transgênica. Contudo, nesta última safra resolveu utilizar o grão geneticamente modificado em 100% da sua produção. Segundo ele, os motivos são as facilidades de controle de ervas daninhas e a redução dos custos de produção. Já que prêmio que o mercado está pagando para quem produz a soja convencional acaba tendo que cobrir alguns gastos, que ele diz não estar tendo com os trangênicas. Arioli, porém, diz que não é uma decisão definitiva, pois dependendo das variações futuras de mercado pode voltar a cultivar a soja convencional.

Já o produtor Gilmar Dell Osbel, de Querência (945 quilômetros a Nordeste de Cuiabá), diz que apenas uma área da sua propriedade é destinada à soja trânsgênica. Conforme ele, na região onde está ainda compensa plantar a soja convencional, sendo isso o que a maioria dos sojicultores estão fazendo. O sojicultor explica que a atividade agrícola ainda é relativamente recente naquela localidade, o que faz com que algumas pragas e correções a serem feitas no solo não sejam necessárias, diminuído alguns gastos. Contudo, ele vê o desenvolvimento dos produtos transgênicos de forma positiva, considerando fundamental para a consolidação do setor.


Conforme os números divulgados pelos especialistas de mercado o papel dos países em desenvolvimento no uso dessas sementes também tem aumentado nos últimos anos. Tanto, que entre as 29 nações que plantam transgênicos, 19 são países em desenvolvimento. Em termos globais, a produção mundial alcançou 160 milhões de hectares em 2011, um aumento de 8% em relação a 2010. Os Estados Unidos continuam sendo o país com maior número: 66,8 milhões de hectares de área plantada de soja, milho, algodão, canola, abóbora, papaia, alfafa e beterraba. Em 2015, a expectativa é de que a área plantada ultrapasse os 200 milhões de hectares e o número de países chegue a 40.
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