Suinocultura PR: Bom ano para o independente, nem tanto para o integrado
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Imagem: Pixabay
SUINOCULTURA

Suinocultura PR: Bom ano para o independente, nem tanto para o integrado

Levantamento dos custos de produção de suínos revela o quadro da atividade no Paraná em 2020
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Quando analisados os números de 2020 em relação àqueles do ano passado, algumas variações são impressionantes. É o caso da receita em relação ao “Custo Operacional” no sistema de ciclo completo (independente) avaliado nos Campos Gerais. No painel de 2019, ao subtrair o saldo da atividade pelo seu “Custo Operacional”, a receita por quilo de suíno vivo era de R$ 0,44. Em 2020, esse número saltou para R$ 3,17, uma variação de 1.368%. Isso se explica pelo preço do quilo do suíno que passou de R$ 4,30, em 2019, para R$ 8,50, em 2020 (variação de 97,7%), enquanto neste mesmo período o “Custo Operacional” variou apenas 32%. 

Levantamento 

O levantamento dos custos de produção da suinocultura percorreu as principais regiões produtoras do Estado (Oeste, Sudoeste e Campos Gerais) realizando painéis com a participação dos suinocultores, em diversas modalidades de produção: Crechário (unidade que recebe leitões desmamados e recria até a terminação); UPL (Unidade Produtora de Leitões, que atua da maternidade até a saída da creche); UPD (Unidade Produtora de Leitões, que atua da maternidade até o desmame); UPT (Unidade Produtora de Terminação, que recebe leitões da UPD ou do Crechário e realiza as fases de crescimento e terminação até o abate) e Ciclo Completo (unidade que executa todas as fases da criação, desde a produção de leitões até a terminação para o abate), tanto no sistema de integração, quanto na produção independente. 

Em 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus, foi realizado apenas uma rodada de reuniões para coletar as informações. Nos anos anteriores, foram feitas rodadas em dois momentos (primeiro e segundo semestres). Os encontros foram realizados de forma online e em alguns sindicatos rurais nos municípios com maior representatividade na produção de suínos: Castro (Campos Gerais), Pato Branco (Sudoeste) e Toledo (Oeste). Participaram destes encontros produtores, revendedores de equipamentos e insumos, representantes de indústrias e de cooperativas. 

Levantamento ajuda produtores a negociar nas Cadecs 

Os números do levantamento de custos promovido pelo Sistema FAEP/SENAR-PR são importantes para tecer uma visão ampla e abrangente da atividade. Além disso, são ferramentas de negociação, principalmente no caso dos suinocultores que atuam no regime de integração (comodato), que precisam negociar constantemente com as agroindústrias. 

Desde 2016, quando foi aprovada a Lei 13.288/2016, essas discussões entre produtores integrados e agroindústrias integradoras acontecem nas Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), espaços voltados à negociação equilibrada e diálogo entre as partes, formados pelo mesmo número de representantes da indústria e dos produtores. 

O Sistema FAEP/SENAR-PR apoiou a aprovação da legislação e incentivou a criação de Cadecs junto às unidades agroindustriais de modo a trazer mais segurança e transparência às relações entre integrados e integradoras. Por meio do SENAR-PR, foram criados cursos para negociações e condução de reuniões voltados às atividades nas Cadecs. 

“A FAEP tem ajudado muito o produtor de suínos, contribuindo para organizar a cadeia produtiva por meio das Cadecs. E isso tem reflexo nos produtores independentes. A Federação tem esse papel de interferir para proteger essas categorias quando existem dificuldades”, observa o presidente da Comissão Técnica da Suinocultura da FAEP, Reny Gerardi. 

Em maio desse ano, por meio das ações da Cadec criada junto à empresa JBS Foods de Carambeí (Campos Gerais), os produtores da unidade conseguiram um reajuste no preço recebido pelo leitão. Casos como esse são cada vez mais corriqueiros no Paraná. 

“Esse ano tivemos alguns ajustes justamente através da Cadec”, afirma Gerardi, que participa da Cadec formada junto à unidade de BRF de Toledo (Oeste). “Tivemos um ganho de 20% ao longo do ano”, comemora. “Não foi o mesmo ganho do produtor independente, que aproveitou um bom momento, mas foi uma vitória”, completa. 

ANÁLISE 

Ano de bons resultados para suinocultores paranaenses 

Por Nicolle Wilsek, técnica do Detec do Sistema FAEP/SENAR-PR 

Os altos valores financeiros gerados pela agropecuária brasileira no último ano nunca foram vistos, até então, e a suinocultura não está fora dessa estatística. O ano de 2019 já havia expressado melhores resultados no valor praticado para o quilo do suíno vivo, e sinalizava-se essa projeção positiva para 2020, o que se concretizou além do esperado. Salvo a necessidade de abastecer o mercado chinês, afetado primeiramente pelo déficit produtivo estabelecido na epidemia de Peste Suína Africana (PSA), e posteriormente pela pandemia do novo coronavírus, o maior consumo doméstico de carne suína contribuiu para o aumento das receitas do setor. No mesmo cenário, a alta do dólar que favoreceu as exportações de soja e milho, principais insumos na alimentação de suínos, além de matéria primárias, como ferro e aço, usadas nas construções e manutenções de granjas. Toda essa conjuntura reflete em um aumento significativo do custo de produção da suinocultura paranaense, mas que ainda se sustenta pelos altos valores pagos ao suíno entregue. Estima-se que o preço pago ao produtor continue em alta por pelo menos mais cinco anos, acompanhando a alta dos grãos e mantendo a atividade rentável nesse período. Interpretando os resultados levantados nos painéis realizados pelo Sistema FAEP/SENAR-PR, resume-se em bom momento para produtores independentes, o que não acompanha nas produções integradas, onde o custo de mão de obra e manutenções estão bem elevados, não sendo revertidos em melhores remunerações aos integrados.


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