Supermercado já representa 70% das vendas de orgânicos

Agronegócio

Supermercado já representa 70% das vendas de orgânicos

Venda de itens orgânicos já representa 2,2% do faturamento anual
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Com a perspectiva de crescer de 25% a 30% este ano e faturar R$ 2 bilhões, as vendas de produtos orgânicos encontram nas redes supermercadistas e nas feiras livres parte significativa de seu negócio. De acordo com dados da Organics Brasil, hoje os dois setores são responsáveis por 70% das vendas desses insumos, com destaque para operação das três principais bandeiras supermercadistas em atuação no mercado brasileiro - Carrefour, Walmart e Grupo Pão de Açúcar (GPA) -, em que a venda de itens orgânicos já representa 2,2% do faturamento anual.

Para que esse percentual aumente nos próximos anos é necessário que a iniciativa privada (supermercados) e a indústria conversem mais, conforme afirmou o presidente do conselho consultivo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda. "É necessário rever a forma como o mercado está atuando hoje.

Não adianta impulsionar a demanda se não conseguimos uma reposição rápida dos artigos nas lojas", disse Honda, ao lembrar que o setor que mais sofre com esse desabastecimento é o de hortifrúti, pois a produção é feita quase de forma artesanal no País. "Nos Estados Unidos não faltam produtos nas gôndolas, aqui a reposição nem sempre é feita de forma rápida. A indústria é mais preparada, mas hoje os produtos orgânicos vêm de uma produção familiar", disse.

O Pão de Açúcar, que atua na venda de produtos dessa linha há mais de 20 anos, ainda sente dificuldade em fomentar a comercialização desses artigos, conforme explicou a gerente comercial do grupo, Sandra Saboia. "Damos todo o apoio necessário aos nossos fornecedores, mas a alta carga tributária e a pouca atenção que o governo dá a esse segmento nos impede de conseguir fazer mais", disse a executiva.

Hoje o Pão de Açúcar tem, em média, 600 itens orgânicos cadastrados em suas lojas. Só da linha de marca própria Taeq são 260 itens nessa categoria, que vão de folhagem aos produtos de mercearia. "O consumidor está mais atento ao que come, fora que existe uma parcela da população brasileira (20% dela) que tem alguma restrição alimentar ou alérgica, que precisa consumir produtos orgânicos, por exemplo".

O uso de produtos cosméticos, no entanto, ainda não deslanchou no Brasil, já que a Lei 10.831/03 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que regula e certifica os fornecedores, não incluiu os artigos de higiene e beleza, que ainda enfrentam dificuldade para chegar ao varejo.

"Nos EUA e na Alemanha você encontra dermocosméticos, shampoos e afins orgânicos maravilhosos, mas aqui, a falta de uma legislação impede que essa categoria chegue às prateleiras", enfatizou a executiva.

Para este ano, o GPA espera que os produtos orgânicos tenham alta de 40%, mas a executiva ressalta que, por vezes, a rede os vende sem margem lucro. "Temos vários produtos orgânicos que têm o mesmo preço dos produtos convencionais. Outros, chegamos a vender sem margem alguma, tudo para que não faltem os itens ao consumidor", disse.

Na Cooperativa de Consumo (Coop), a venda dessa categoria representou, ao final do mês de maio, 0,1% do faturamento da rede. Ao todo são ofertados ao consumidor 130 produtos diferentes. Segundo o executivo do gerenciamento por categorias, Henrique Martins Bravo, a rentabilidade e a maior procura por esses itens fez com que a rede melhorasse a oferta desses produtos. "O faturamento dos itens orgânicos de mercearia cresceu 13% em relação ao último ano. Bebidas orgânicas cresceram 17%", explicou o executivo, ao que completou: "A participação dos orgânicos na Coop se divide da seguinte forma: hortifrúti, 28%, mercearia, 62% e bebidas 10%."

Para a gerente de inteligência de mercado da Organics Brasil, Alethéa Macena, mesmo com todos os impasses mencionados, hoje, os produtos orgânicos são acessíveis ao varejo, mesmo às operações de menor porte. "Temos empresas como a Casa Santa Luzia e o Empório Santa Maria, de menor porte que fazem bem o papel na venda de orgânicos. Temos também operações especializadas na venda exclusiva desses produtos", disse Alethéa.

A especialista ressaltou que, além das medidas do governo e do apoio ao produtor nacional, para impulsionar a venda dessa categoria nos supermercados e em outros locais é necessário explicar ao consumidor o que é um produto orgânico e quais são os seus benefícios. "É preciso fazer com que o consumidor entenda a diferença entre os produtos convencionais, os hidropônicos e os orgânicos", enfatizou a gerente da Organics.
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