Agronegócio

Tamarana (PR) fecha cerco a abatedouros clandestinos

Autoridades municipais, estaduais, produtores e revendedores de carne se reuniram
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Autoridades municipais, estaduais, produtores e revendedores de carne se reuniram nesta quarta-feira (18) em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina) a pedido do Ministério Público (MP). O objetivo do encontro foi comunicar que os órgãos fiscalizadores vão apertar o cerco contra o abate clandestino de animais e a comercialização dessas carnes.


No dia 28 de agosto, o MP solicitou a abertura de inquérito policial após a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) localizar dois pontos de abate de animais em Tamarana e receber denúncias da existência de pelo menos outros três em municípios do Norte do Estado.

Segundo a supervisora da Adapar na região, a veterinária Cláudia Gallerani, além de representantes da agência e do MP, compareceram à reunião o prefeito Paulino do Cartório, dois secretários municipais, representante do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), dos conselhos de sanidade agropecuária, além de produtores e comerciantes.


"Foram esclarecidos que o ocorrido em Tamarana é um crime contra a saúde pública e que tanto o produtor que vendeu a carne, como o abatedouro e o revendedor do produto sem inspeção podem ser penalizados", afirma a veterinária.

Ela ressalta que tuberculose e brucelose são as principais zoonoses (doenças transmitidas de animais aos homens) de bovinos. A falta de higiene no abate pode levar à transmissão de outras doenças, como intoxicações alimentares por bactérias.

A secretária da Agricultura, Terezinha Gobetti, diz que além de reforçar a fiscalização, a Prefeitura irá realizar cursos de capacitação para quem trabalha com carne. "Também vamos estudar a possibilidade de construirmos um abatedouro municipal em parceria com a iniciativa privada", afirma.

O promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, que representou o MP ontem em Tamarana, conta que a mesma reunião será realizada dia 25, na Sociedade Rural do Paraná (SRP), em Londrina. "Não temos nenhuma denúncia de que essa situação ocorra aqui, mas precisamos fazer um trabalho preventivo", explica. Sogaiar diz que o inquérito policial está no 6º Distrito, ainda em fase inicial.


Histórico
A investigação teve início em janeiro deste ano, quando a Adapar recebeu a informação de que sete bovinos de um sítio de Tamarana estavam com tuberculose. Na época, o proprietário foi notificado do impedimento de transportar estes animais pela agência. "Quando chegamos na propriedade, os animais já não estavam mais lá. Descobrimos, então, que os bovinos haviam sido comprados pelo proprietário de um abatedouro. Chegamos no momento em que dois animais estavam sendo abatidos", explicou a supervisora da Adapar.

O abatedouro clandestino não tinha nenhuma condição sanitária e de higiene. Os cortes de carne eram acomodados no chão, ao lado de sujeira e do próprio sangue dos animais, e os funcionários não usavam roupas apropriadas para o trabalho. "O proprietário confirmou que sabia que comprou os animais já doentes. O volume de carne era muito para o consumo próprio, o que nos leva a crer que era comercializado", apontou a veterinária, reforçando que o produto provavelmente deve ter sido vendido para estabelecimentos comerciais da região.


No dia da fiscalização foram encontrados 800 quilos de carne de boi, uma carcaça inteira e dois porcos num segundo abatedouro clandestino de Tamarana. Ele estava fechado e ninguém foi localizado.

Nelson Bortolin
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