Tempo seco põe em xeque segunda safra de milho do Brasil

Agronegócio

Tempo seco põe em xeque segunda safra de milho do Brasil

Importantes regiões produtoras do PR não registram chuvas há 30 dias
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SÃO PAULO (Reuters) - A falta de chuva que preocupa os produtores de Mato Grosso também se transformou em fator de temor para os produtores do Paraná, o que coloca em risco a segunda safra de milho do país, apontaram nesta segunda-feira (30-05) agrônomos e especialistas.

Uma quebra da segunda safra, também chamada de safrinha, certamente terá impacto na previsão total de colheita do cereal do Brasil em 2010/11 --antes dos efeitos da seca no Paraná e do agravamento da situação em Mato Grosso, o Ministério da Agricultura estimou a produção de milho do país em 56 milhões de toneladas, estável ante 2009/10.

A safrinha, com a colheita já em fase inicial, representa quase 40 por cento da produção brasileira total de milho, enquanto Mato Grosso e o Paraná produzem juntos mais de 60 por cento do grão na segunda safra.

"Hoje, pode-se falar que a segunda safra de milho já está sendo prejudicada. O potencial produtivo está prejudicado. A luz amarela está acesa", afirmou Margorete Demarchi, agrônoma do Deral (Departamento de Economia Rural), do governo do Paraná.

Dados do Deral apontam uma produtividade média para o Estado de 4.353 quilos por hectare, contra um potencial inicial de 4.422 kg/ha e ante 4.996 kg/ha da boa temporada passada.

A agrônoma lembrou que a maior parte das lavouras do Paraná está em fases de floração e frutificação, etapas em que chuvas são fundamentais para o desenvolvimento da cultura.

Importantes regiões produtoras do Estado como a de Cascavel, no oeste, não registram chuvas há aproximadamente 30 dias. Além da estiagem, as baixas temperaturas retardam o desenvolvimento do milho. As geadas, embora tenham sido fracas na última madrugada, também são fator de risco para o milho.

"A preocupação agora é com o Estado do Paraná. O risco de estiagem que assombrou os produtores rurais durante o verão vem se tornando uma ameaça cada vez mais real para a safra de inverno", afirmou a consultoria Clarivi, em relatório nesta segunda-feira. "O volume de chuvas no mês está bem abaixo do necessário...", completou.

A Céleres tem avaliação semelhante. "As perdas no (Brasil) já começam a ser observadas, porém, ainda sem uma definição de quanto poderá ser perdido por conta da falta de umidade", reforçou a consultoria.

A situação no Paraná só não representaria um problema pior para a oferta de milho do Brasil porque o Estado plantou uma área recorde na segunda safra do cereal, de 1,7 milhão de hectares, crescimento de 25 por cento ante o ano anterior.

MATO GROSSO

Em Mato Grosso, onde a área caiu 10 por cento na comparação ao ano passado, para 1,7 milhão de hectares, segundo o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), a colheita pode ser ainda menor do que a esperada, pois produtores já sofrem com a seca há mais tempo.

Por ora, o Imea estima uma produtividade média de 4.317 kg/ha, mas a colheita deve apontar um rendimento menor.

"Vai ter perda um pouco maior que a esperada", afirmou o superintendente do Imea, Otávio Celidonio.

O Imea deverá atualizar a sua previsão na próxima semana.

A consultoria Clarivi tem também uma avaliação pessimista em relação ao Mato Grosso. "A falta de chuvas já afetou a produção do milho safrinha. O desenvolvimento das lavouras foi prejudicado e agora existe uma possibilidade de redução de até 40 por cento na produção de milho inverno..."

Com o atraso na colheita da soja, boa parte dos produtores de Mato Grosso arriscou e plantou o cereal fora do período ideal, após 25 de fevereiro, o que explica também o fato de as lavouras sofrerem agora com períodos de estiagem normais para esta época no Estado, lembrou Celidonio, destacando que aqueles produtores que conseguiram plantar o milho precocemente sofrerão menos o efeito da seca.

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