Terminal público de álcool no porto de Paranaguá está parado há cinco meses

Agronegócio

Terminal público de álcool no porto de Paranaguá está parado há cinco meses

Ele foi criado com a proposta de cobrar taxas 50% menores das praticadas no porto por uma empresa particular
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Inaugurado há mais de cinco meses com a expectativa de ser uma opção mais barata para escoar a produção sucroalcooleira, o primeiro terminal público de álcool do Brasil, no porto de Paranaguá (PR), ainda não recebeu nenhuma gota.

Segundo engenheiros e entidades do setor agropecuário, há falhas no projeto. Já os administradores do porto negam e dizem que o tempo é necessário para fazer testes e ajustar trâmites burocráticos.

Cerca de R$ 14,7 milhões foram gastos pelo porto no terminal. Ele foi criado com a proposta de cobrar taxas 50% menores das praticadas no porto por uma empresa particular.

Segundo a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), o custo para que o terminal esteja apto a operar será pelo menos mais R$ 7 milhões.

Para a federação, o material usado na tubulação e nos registros para distribuir o álcool aos tanques não tem a resistência adequada para suportar a passagem do combustível. A tubulação poderia ser corroída no atrito com o álcool. "Temos informações confiáveis de que há problemas graves para fazer o terminal funcionar," disse Nilson Camargo, assessor da Faep de infra-estrutura e logística.


O engenheiro civil Paulo Nascimento, membro do IEP (Instituto de Engenharia do Paraná), confirma os problemas. Segundo ele, os tubos não são de aço inox, material capaz de evitar a corrosão pelo álcool.
Nascimento diz que até hoje não apareceu a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) da obra -certidão exigida em construções para atestar quem é o engenheiro responsável pelo projeto. O Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) do Paraná não localizou registros sobre fiscalização da obra nem de seus responsáveis técnicos.


O porto nega problemas nas obras. Segundo ele, o terminal aguarda a programação dos exportadores para começar a operar, que depende da safra.

Segundo Ricardo Resende, presidente da Álcool do Paraná, empresa criada por usineiros para gerenciar o terminal junto com o porto, as atividades iniciam em maio. "Estão tentando criar factóides," acusa.

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