Tese analisa efeito do sal nas plantas
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Agronegócio

Tese analisa efeito do sal nas plantas

Doutor em Bioquímica pela UFC, Eduardo Voigt, analisa os impactos do sal no desenvolvimento do feijão caupi
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Os prejuízos causados à lavoura no Estado do Ceará têm, geralmente, um fator comum como degradante: o nível de salinidade dos solos. Dificultando o desenvolvimento, em sua maior parte das plantas mais jovens, o sal existente nas terras do semi-árido nordestino ainda se constitui como um dos principais entraves para melhorar a produtividade dos pequenos agricultores familiares. Os efeitos tóxicos do sal sobre as plantas foi tema da tese “Transporte e Homeostase Sódio/Potássio sob Condições de Sodicidade em Feijão Caupi”, do doutor em Bioquímica, pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Eduardo Luiz Voigt.

Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), durante o doutorado, Voigt estudou, por mais de três anos, sob orientação do professor doutor Joaquim Gomes da Silveira, os impactos da salinidade no desenvolvimento do feijão caupi. De acordo com o pesquisador, o feijão caupi foi usado no experimento por ser considerado muito importante para a economia cearense e por ser, também, um dos principais cultivos no Interior do Estado. Por mais que esta planta tenha sido a escolhida para a pesquisa, o estudo pode ser ampliado para outros cultivos, uma vez que o nível de sal, ou sódio, encontrado no solo prejudica o desenvolvimento das plantas.

“Esta tese permitiu a identificação de mecanismos fisiológicos envolvidos na absorção e na distribuição de sódio em plantas de feijão caupi, espécie amplamente cultivada no Ceará”. Todo o estudo foi realizado em casas de vegetação, no Campus do Pici, da UFC, em Fortaleza. As plantas, conforme o pesquisador, ficavam dentro de vasos, com uma solução nutritiva, à base de água e sais. “O sal era dissolvido na solução nutritiva e a partir daí eram feitas as análises”, diz.

Eduardo Voigt completa, ainda, que a pesquisa, por mais que tenha apresentado resultados já conhecidos pela universidade, procurou enfocar e direcionar o estudo para o porquê de os prejuízos acontecerem na lavoura. “Estamos desvendando o efeito tóxico do sal sobre as plantas”. Além de ser realizado em Fortaleza, o estudo acontece também em outros grupos de pesquisas do mundo, mesmo que separadamente.

“O sódio é o principal componente da salinidade dos solos, a qual consiste, por sua vez, em uma das principais condições ambientais adversas que reduzem a produtividade das lavouras. Desta forma, a pesquisa destes mecanismos possibilita não apenas ampliar a compreensão da toxicidade do sal sobre as plantas, mas também permitirá o desenvolvimento futuro de abordagens biotecnológicas para reduzir o problema da salinidade nos solos cearenses”, explica.

No entanto, as pesquisas realizadas na universidade ainda estão longe de serem aplicadas de imediato no campo. Isso porque os investimentos para este setor ainda é bastante limitado. Mas isso não impede que práticas simples possam ser colocadas em prática, com o objetivo de diminuir os impactos do sal no cultivo. De acordo com Voigt, o nível de salinidade, quando associado a uma deficiência nutricional, prejudica ainda mais a planta. “Podemos dizer que o conhecimento que a gente produziu permite uma abordagem futura para o estabelecimento de tecnologias e é um pré-requisito para que possamos produzir essas tecnologias”, diz.

As tecnologias, apontadas por Eduardo Voigt, a serem produzidas, seguem duas linhas: melhoramento genético e a transformação genética. Conforme o pesquisador, o melhoramento é feito com a seleção de plantas em campo. “Você geralmente trabalha com populações grande e a submete a condições que deseja ter uma melhor adaptação deste vegetal. Já a transformação genética é um processo de transferência de gene para a planta realizada em laboratório”, explica Voigt.

Além destas duas linhas, Eduardo afirma que outros mecanismos, mais simples, podem ajudar na diminuição do nível de salinidade dos terrenos usados para plantação. “Como isso é um problema da região, uma coisa que pode ajudar bastante é o fornecimento de nutrição de potássio para reduzir os efeitos tóxicos do sal”.

Isso é possível de acontecer porque, como explicou, o potássio é muito parecido, quimicamente, com o sódio. Mesmo assim, vale lembar que o potássio é um nutriente, enquanto que o sódio é considerado tóxico para a lavoura. “Se for fornecida uma boa nutrição de pótássio, os efeitos tóxicos do sódio são diminuídos. Essa é uma conclusão”, destaca. Eduardo é graduado em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Santa Caratina (UFSC) e mestre pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Veio ao Ceará porque a UFC é a única, do País, que oferece doutorado em Bioquímica.

MAURÍCIO VIEIRA
Repórter

Mais informações:
Departamento de Bioquímica
Universidade Federal do Ceará
Campus do Pici - Fortaleza
(85) 3366.9821
www.ufc.br

SAIBA MAIS

Salinidade
No Brasil, a salinidade do solo está presente em regiões costeiras de influência marinha e/ou flúviomarinha tais como restingas, manguezais, entre outras, e também em algumas regiões semi-áridas (caatinga).

Reservas
Constituem ambientes que, a não ser excepcionalmente, devem ser mantidos como reservas ecológicas. A aqüicultura (cultivo de camarões) tende a ocupar estas áreas nas regiões costeiras.

Formação
Em condições continentais, os solos salinos se formam pela ascensão capilar da água do lençol freático rica em sais solúveis e sua deposição pela evaporação, pela acumulação de sais na água de irrigação.

Influência
A influência da salinidade é maior sobre as plantas jovens e sobre o crescimento vegetativo. Os solos salinos exercem influência prejudicial sobre os vegetais, por causa de suas elevadas concentrações de sais.


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