Trabalho da comunidade promove longevidade de projeto de Agricultura Familiar da Embrapa
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Agronegócio

Trabalho da comunidade promove longevidade de projeto de Agricultura Familiar da Embrapa

Atividades foram consideradas concluídas pela Embrapa em 2010
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O envolvimento bem estruturado de entidades governamentais para promoção de melhorias sociais, quando encontra resposta positiva nas comunidades alcançadas, gera transformações, mesmo depois de terminadas e executadas todas as atividades do projeto e atingidos os objetivos desejados. Novas propostas continuam surgindo, estimuladas pelo sucesso das ações conjuntas, e o conhecimento por meio delas adquirido, somado à inciativa de cada pessoa envolvida e impulsionado pela criatividade, não conhece limites, sempre apresentando e surpreendendo com novos horizontes.

Assim pode ser descrito o quadro atual do Assentamento Cachoeira Bonita, situado no Município de Caiapônia, em Goiás. O projeto “Desenvolvimento Rural Sustentável”, criado pela Embrapa Arroz e Feijão durante a década passada, atuou naquela área por vários anos, sob a coordenação do pesquisador Agostinho Didonet, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável, agregar renda e autoestima àquela comunidade. O trabalho teve como foco o manejo de sistemas agroflorestais, por meio da inserção de espécies arbóreas nativas e práticas agrícolas conservacionistas, com uso de culturas anuais voltadas para segurança alimentar (arroz, feijão, milho, mandioca, cucurbitáceas, etc.). Os desafios foram de grandes proporções, principalmente considerando-se que a maioria dos assentados trazia pouca ou nenhuma experiência em agricultura e produção agropecuária. O resultado observado na conclusão do Projeto, entretanto, confirmou o sucesso idealizado no início: as áreas improdutivas e degradadas foram recuperadas, de forma a manterem-se as características originais da vegetação e dos mananciais hídricos, e as famílias que compõem a comunidade conseguiram promover o próprio sustento.

As atividades foram consideradas concluídas pela Embrapa em 2010, mas os benefícios continuam surgindo com a ampliação dos trabalhos, promovida, agora, pelos próprios integrantes da comunidade assentada. E um desses trabalhos ressalta claramente dois outros pontos que motivaram a criação do Projeto: resgate da dignidade e da autoestima naquele grupo de agricultores. Trata-se de uma ação promovida pelas mulheres da comunidade, que deixaram de produzir alimentos visando ao consumo unicamente em seus lares, para tornarem-se produtoras e comerciantes de frutas, legumes, verduras, ovos e pequenos animais, abastecendo feiras e demais estabelecimentos do gênero no Município de Caiapônia. Até então, a renda vinha exclusivamente da produção de leite. Mas, a diversificação de fontes de receita, percebida nos resultados desta iniciativa, proporcionou a melhoria da qualidade de vida dos assentados envolvidos nos trabalhos.

Indo além da contribuição com a própria comunidade de agricultores familiares, a atividade das mulheres promoveu mudanças saudáveis de hábitos também na população urbana de Caiapônia, Doverlândia e Palestina, as três cidades goianas nas quais o grupo atua. A riqueza dos alimentos vindos dos quintais das famílias assentadas, produzidos de forma orgânica, transformou, assim, a mesa dos cidadãos desses municípios. Foi quando o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar de Caiapônia (Sintraf) percebeu a importância do movimento que estava se criando e propôs intermediar a venda da produção ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Agora, era a qualidade da merenda das escolas dessas cidades que também ganhava com a produção dos cooperados.

Idealizada pela assentada Veralúcia Carvalho, a “Feira da Terra dos Agricultores Familiares de Caiapônia” ganhou forma na vontade de crescer e na força das pessoas daquela comunidade. Um ponto importante nessa organização foi a criação da Cooperativa Mista Dos Agricultores Familiares do Projeto de Assentamento Cachoeira Bonita do Município de Caiapônia e Região (Cooperfic), constituída em setembro de 2009, que formalizou as atividades realizadas pelas mulheres do Assentamento. Com essa iniciativa, da condição de coadjuvantes, elas se transformaram em protagonistas, quando perceberam que produtos considerados de pouca importância poderiam ser mais bem aproveitados, dedicando-se a esses cultivos, organizando-se, distribuindo tarefas e passando a negociar com os consumidores e compradores a venda e entrega dos alimentos.

Enfim, o despertar do empreendedorismo nas mulheres do Assentamento, que aproveitaram a base aplicada pelo Projeto da Embrapa Arroz e Feijão, promoveu aumento considerável da receita e saúde de seus lares, dos lares dos municípios em que vivem e transformou seus trabalhos em primeira fonte de renda da família. 

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