Trigo argentino na mira da indústria brasileira
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Agronegócio

Trigo argentino na mira da indústria brasileira

Abitrigo investiga subsídios do país vizinho à farinha; taxa de importação do grão é de 28% e o do produto industrializado 18%
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A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) prepara estudos comprobatórios de que a farinha de trigo argentina é importada para o Brasil a preços que concorrem de maneira desleal com o produto nacional. De acordo com a indústria, há indícios que o produto argentino receba subsídios governamentais. Aquele país abastece o mercado brasileiro com 700 mil toneladas ao ano - cerca de 10% do consumo interno de farinha. Se as suposições forem confirmadas, o plano anti-dumping deverá ser levado em breve ao governo brasileiro.

A Abitrigo aponta que o preço do trigo interno na Argentina é diferente do valor apresentado ao mercado internacional. Outro fator está no imposto. O Brasil paga uma taxa de importação de 28% à Argentina no trigo em grão e 18% nos contratos de farinha. "É mais barato comprar o produto manufaturado do que o grão porque os moinhos argentinos têm quase a metade dos custos subsidiados pelo governo. A política deles atrapalha os nossos produtores e moinhos, principalmente os das regiões Sul e Sudeste, principais triticultores e receptores de material importado", avalia o conselheiro da Abitrigo e do Sindicato da Indústria do Trigo do Estado do Paraná, Roland Guth. Ele destaca que como para cada tonelada de grão, é manufaturada 750 toneladas de farinha, a importação impacta na geração de empregos e impostos. "É um milhão de tonelada que deixamos de moer", contabiliza.

A perspectiva de colheita nacional de trigo para 2008 é de 5,5 milhões de toneladas (o consumo total é de 10,5 milhões de toneladas). O Paraná atende 53% da safra. Cerca de 85% dos triticultores do Estado já ensacaram a produção, que segundo Guth, deve chegar a 3 milhões de toneladas. Para ele, o Paraná sofre com limitações de infra-estrutura para comercializar melhor e a um valor mais competitivo. "Investimentos em ferrovias, hidrovias e na cabotagem barateariam os custos com transporte não apenas no trigo, mas em toda cadeia do agronegócio. Seria alimento mais em conta para o consumidor", avalia.

Propostas de como melhorar a cadeia produtiva do trigo, entre elas o transporte, serão discutidas até hoje, no 15º Congresso Internacional do Trigo, em Curitiba. As proposições serão encaminhadas ao governo federal durante o Fórum de Desenvolvimento.

A qualidade do produto é um dos gargalos apontados pela cadeia como problemáticos. Guth explica que nem todo trigo tem a qualidade exigida pelo consumidor. A indústria panificadora absorve 54% da produção da farinha e 16% é direcionado para massas. "Abritrigo e a Embrapa estão trabalhando em conjunto para melhorar a genética do grão voltada para estes segmentos, de acordo com uma cobrança deles", diz. O restante é para o mercado consumidor e produção de biscoitos que recebe um trigo de melhor qualidade.


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