Trigo cede lugar à soja nas lavouras do RS

Agronegócio

Trigo cede lugar à soja nas lavouras do RS

Safra 2010/2011 da soja já alcançou cerca de 50% do total da área semeada
Por: -Michelle Treichel
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A colheita do trigo segue com um ritmo acima da média no Rio Grande do Sul, aproximando-se do final. Segundo informações da Emater/RS-Ascar, os produtores já colheram mais de 80% do total da área plantada e estão obtendo boas produtividades. Em todas as regiões, a qualidade final do cereal tem sido motivo de comemoração. Em muitas cargas, os grãos atingem, em média, pH próximo a 80. Enquanto isso, muitos agricultores seguem com o plantio das culturas de verão, tais como arroz, feijão, milho e soja.

A safra 2010/2011 da soja já alcançou cerca de 50% do total da área semeada. A estiagem que se prolongou até a metade desta semana foi um empecilho ao cultivo, que enfrentou condições inadequadas de umidade em diversas regiões. Como consequência, em casos pontuais, a germinação ocorreu de maneira mais lenta e irregular, deixando falhas nas lavouras. A expectativa é de que a incidência de chuva no Estado reverta a situação desfavorável aos produtores.

Assim como na maioria do território gaúcho, na região as lavouras de trigo já estão praticamente colhidas e cedem espaço para outras atividades. No baixo Vale do Rio Pardo, o maior produtor tritícola já encerrou a colheita do atual ciclo. O município de Pantano Grande tem quatro produtores e, aproximadamente, 2 mil hectares destinados à cultura. Os grãos são estocados nas cooperativas Contribá, Cotriel e GTS Cereais.

Segundo o secretário municipal de Agricultura e Pecuária de Santa Cruz do Sul (RS), Cláudio Silveira da Rosa, a ceifa ocorreu entre os meses de outubro e novembro. “Tivemos uma produção média de 35 sacos por hectare e uma alta qualidade dos grãos.” Apesar dos números positivos, lamenta o baixo preço ofertado pelo produto, cerca de R$ 21,00 o saco. “Os produtores têm pouco retorno porque o custo de produção é muito alto.”

Para Rosa, o mercado do cereal é ruim no Brasil, principalmente por causa da concorrência desleal com outros países produtores, em especial a Argentina. “Hoje, 90% da nossa farinha vêm de fora.” Conforme constata, o trigo é uma cultura em extinção no território nacional. Em Pantano Grande, as áreas cultivadas vem reduzindo a cada ano. Na última safra, a diminuição foi de 30%. “Para mudar este cenário, é preciso modificar a sistemática de comercialização.”

ALTERNATIVA

Os poucos triticultores que resistem, aproveitam o trigo como uma cultura alternativa. Atualmente, a palha que fica na lavoura após a colheita serve como cobertura de solo para fazer o plantio direto da soja. Conforme o secretário, a prática é comum em Pantano Grande – que esta semana intensificou o plantio da soja. Todos os 30 produtores já iniciaram o trabalho em aproximadamente 10 mil hectares.

A expectativa é de que, até o final de dezembro, as lavouras estejam semeadas. A maior preocupação, no entanto, é com as interferências do fenômeno La Niña, que se caracteriza por provocar chuvas irregulares. O recente período de estiagem no município atrasou o plantio. Até a metade desta semana, apenas cerca de 20% da área foi cultivada. “A agricultura é uma indústria a céu aberto e está suscetível às intempéries climáticas”, conclui.

Trigo
Município Área na safra
2009/ hectares
Arroio do Tigre 400 ha
Barros Cassal 200 ha
Candelária 500 ha
Encruzilhada do Sul 350 ha
Estrela Velha 2,5 mil ha
Jacuizinho 3,2 mil ha
Lagoa Bonita 100 ha
Pantano Grande 2 mil ha
Passa Sete 150 ha
Rio Pardo 1,3 mil ha
Salto do Jacuí 3 mil ha
Santa Cruz 100 ha
Tunas 520 ha
fonte: ibge

Trabalho não para no interior

Há cerca de 10 dias, a família Springer, da localidade de Lagoão, interior de Pantano Grande, encerrou a colheita dos 350 hectares de trigo. No entanto, o trabalho na propriedade segue em ritmo intenso. Aproveitando a palha que ficou na lavoura, os irmãos Lauro e Lírio intensificam o plantio direto da soja. A projeção é de que tudo esteja pronto até o dia 20 de dezembro, conforme prevê o jovem Cássio Springer, filho de Lauro. Aos 21 anos, ele é estudante de Engenharia Agrícola na Unisc e acompanha todo o processo produtivo no campo.

Produtores de trigo há 28 anos, na atual safra os irmãos Springer colheram aproximadamente 40 sacos por hectare – média considerada positiva. Segundo Lírio, atualmente os triticultores precisam ter uma alta produtividade para cobrir o elevado custo de produção. “Para ter algum lucro, deveríamos vender o saco por, no mínimo, R$ 32,00.” O preço sugerido é 52% maior do que o atual valor de mercado.

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