Turbulência nas bolsas favorece preços agrícolas

Agronegócio

Turbulência nas bolsas favorece preços agrícolas

Com a alta do dólar, os produtos agrícolas também tiveram reação nos preços
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A turbulência nas bolsas internacionais - decorrente de uma crise de crédito imobiliário - se refletiu de forma indireta no mercado brasileiro de commodities. Com a alta do dólar, os produtos agrícolas também tiveram reação nos preços. Analistas acreditam que, no mercado futuro, poderá haver uma saída dos fundos. A sexta-feira foi de negócios travados para as principais commodities no mercado físico brasileiro.

"O único efeito foi o praticado indiretamente via dólar. A desvalorização do real provocou uma alta interna em todas as commodities ligadas ao câmbio", diz Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, nas bolsas internacionais de commodities agrícolas não houve reflexo, mas se a situação se agravar, pode ocorrer variação. "Há um certo risco de os fundos se reposicionarem fortemente", avalia a analista do Instituto FNP, Jacqueline Bierhals. Na sexta-feira, o dólar foi cotado a R$ 1,95, valorização de 1,25% em relação ao dia anterior.

Nem mesmo o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) - ver matéria abaixo - foi capaz de alterar significativamente os preços das commodities no mercado internacional. "O relatório gerou expectativa de alta no mercado da soja, mas houve compensação pela turbulência do mercado internacional", diz Renato Sayeg, diretor da Tetras Corretora . Segundo ele, quando ocorre uma aversão ao risco, há fuga desses mercados, não permitindo que os fundamentos "mandem" nas cotações. "A turbulência das bolsas e o câmbio afetaram o mercado de commodities", afirma Sayeg.

De acordo com os dados da Tetras Corretora, na sexta-feira, a soja era cotada a R$ 37,80 a saca (60 quilos) em Paranaguá (PR), alta de 1,6% no dia - na semana acumulou 5%. Sayeg explica que os vendedores iniciaram a sexta-feira com cautela por causa do relatório do Usda e acabaram por se proteger, com indicações de preços mais altos, mas o dia acabou com poucos negócios. Em Chicago, apesar de os fundamentos serem altistas, devido à redução da safra de soja apontada pelo Usda, o contrato para entrega em setembro desvalorizou-se 0,7%, cotado a 856 centavos de dólar por bushel. "Os fundamentos indicam uma coisa e a bolsa se comportou de outra maneira. Somos reféns de uma crise financeira internacional que não sabemos onde vai desaguar", conclui Sayeg.

"A crise de crédito dos Estados Unidos reverteu a posição altista para a soja e baixista para o milho. Chicago passou o dia inteiro oscilando", afirma Jacqueline. Os contratos de milho para setembro foram cotados a 333 centavos de dólar por bushel, valorização de 0,2% em relação ao dia anterior. No mercado interno, o grão era cotado a R$ 22,50 a saca na sexta-feira, em Paranaguá (PR), alta de 2,2%, na mesma comparação. No acumulado da semana o preço do cereal subiu 9,7% no porto, de acordo com a Safras & Mercado.

Para o café, o dia também de negócios retraídos, com o grão cotado a R$ 255 a saca no Sul de Minas Gerais. "Os compradores estavam com pouco apetite. Resolveram esperar esta semana", afirma o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado. Na Bolsa de Nova York (Nybot), o contrato para dezembro superou a linha de resistência de 124 centavos de dólar por libra-peso. O papel, avaliado em 124,65 centavos de dólar por libra-peso valorizou-se 0,9% na sexta-feira. "Se for mantido neste patamar nesta semana, fica clara a tendência de alta", acredita.


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