União de VCP e Aracruz anima concorrentes por preço maior

Agronegócio

União de VCP e Aracruz anima concorrentes por preço maior

A nova empresa poderá influenciar os valores, que já vem subindo de forma mais acelerada na China
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A empresa resultante da união entre duas das maiores produtoras de celulose de fibra curta no mundo, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) e a Aracruz, ainda não tem data oficial para ser anunciada, mas o negócio que criará uma gigante que nasce com capacidade de produzir 5,8 milhões de toneladas da commodity, já divide opiniões.

O ponto de discórdia é quanto à formação do preço da celulose. Segundo a dinâmica de mercado, a nova empresa poderá influenciar os valores, que já vem subindo de forma mais acelerada na China, e, com isso, empresas menores poderão seguir a tendência e aumentar preços também.

Mas, ao mesmo tempo, o receio é que essa capacidade da nova empresa possa incorrer em maior poder de negociação quando houver mais de um concorrente disputando mercado em uma mesma região.

Dentre as empresas que estão otimistas com a nova organização do mercado está a Cenibra, que possui capacidade instalada de 1,2 milhão de toneladas. De acordo com seu diretor presidente, Fernando Fonseca, a nova empresa trará benefícios ao Brasil e ajudará todo o setor na formação de preços no mercado mundial.

Para o executivo, os produtores brasileiros estão em uma situação privilegiada, pois em função da alta produtividade das florestas, cerca de 40 metros cúbicos por hectare, e do baixo custo de produção, cerca de US$ 300 por tonelada, haverá mercado para todos, pois 95% da produção brasileira é destinada à exportação. "Com essas condições de competitividade, em pouco tempo o Brasil será o maior produtor mundial de celulose de fibra curta", afirmou o executivo.

Segundo Antônio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose, a formação de preços está muito volátil - antes da crise variavam pouco. O executivo explicou que os valores cobrados dependem muito do momento de mercado. "Quando [o mercado] está aquecido, alguma empresa vai lá e aumenta um pouco o valor do produto.

No mesmo dia, um outro acaba acompanhando esse movimento, pois verifica que há comprador, mesmo com um valor mais elevado", exemplificou Maciel, que atualmente está finalizando uma viagem à China para, segundo ele, fazer visitas de relacionamento com clientes da Suzano.

Longo prazo

Para o executivo da Cenibra, a nova empresa que será formada trará esse benefício apenas no cenário de longo prazo, quando a crise, que afetou fortemente o setor, passar e países como os Estados Unidos e o Canadá reduzirem os subsídios que oferecem aos produtores para manutenção dos postos de trabalho nesse período de dificuldades. "No longo prazo, a realidade do alto custo por lá trará mais mercado para a nossa celulose", comentou.

Em função desse cenário, a empresa, que é controlada pela japonesa Japan Brazil PaperPulp Resources Development Co. Ltd (JBP) e que já teve a Vale como acionista, mantém um plano de investimento para aumentar sua capacidade em cerca de 65%, até 2013 ou 2014. "Essa decisão depende das condições de mercado e depende apenas do ritmo de plantio da base florestal de 60 mil hectares que estamos preparando para a expansão", afirmou.

Esse otimismo é compartilhado parcialmente pelo especialista em papel e celulose da Tendências Consultoria, Bruno Rezende. Para ele, a nova empresa trará mais benefícios para o País do que aos players, pois será mais competitiva no mercado internacional e terá maior poder de barganha. Segundo Rezende, ainda há espaço para aumento de preços, porém, limitado em função da retração na demanda por celulose que a crise causou. Por esse motivo, explica o analista de mercado, as empresas que quiserem mercado não deverão disputar com a nova empresa que, segundo a Votorantim Industrial, terá curva de custo de US$ 240 por tonelada. Esse valor no Canadá é de US$ 540 e nos Estados Unidos, US$ 530.

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