Usineiros esperam obter mais crédito com parceria dos EUA
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Agronegócio

Usineiros esperam obter mais crédito com parceria dos EUA

A indústria canavieira vislumbra a chance de obter linhas de crédito para se expandir no exterior
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As crescentes preocupações ambientais dos eleitores americanos que levaram os EUA a buscar uma parceria com o Brasil no etanol – e, indiretamente, neutralizar a ascendência da Venezuela, com seus petrodólares, na América do Sul – podem render dividendos valiosos. Uma parceria nos moldes desenhados até agora, na qual o Brasil exportaria sua tecnologia para países do Caribe e da América Central e do Sul implantarem usinas de etanol, com financiamento americano ou de organismos multilaterais, coincide com a orientação da política externa do governo Lula de buscar a cooperação Sul-Sul, ou seja, entre países em desenvolvimento.

E, do ponto de vista econômico, há ganhos concretos no horizonte. Insatisfeita com a resistência americana em reduzir sua tarifa de importação de álcool, a indústria canavieira vislumbra, porém, a chance de obter linhas de crédito para se expandir no exterior e, ainda, oportunidade de aprendizagem tecnológica.

“Há um interesse do governo americano de usar o etanol como vetor de integração geopolítica das Américas”, afirma Alfred Szwarc, consultor da União da Agroindústria Canaveira de São Paulo (Unica).

Ele acrescenta que a parceria científica poderia avançar em duas linhas de pesquisa. A primeira, na produção de etanol a partir dos chamados materiais celulósicos, ou seja, o caule de plantas, como bagaço de cana ou espiga de milho, que hoje não são aproveitados. Há uma corrida tecnológica no mundo para desenvolver esse método. Outra vertente de pesquisa seria usar o etanol como matéria-prima para produzir células combustíveis de hidrogênio.

Diretor-executivo do Banco Mundial, onde representa o Brasil e outros sete países, Otaviano Canuto vê uma inclinação nos EUA a mudarem sua visão sobre segurança energética. Canuto, que recentemente apresentou um estudo sobre biocombustíveis no Council of the Americas, explica que os EUA, até então, associavam segurança energética a auto-suficiência. Isso justificaria as práticas defensivas no comércio, como as tarifas de importação de álcool.

Mas a recente aproximação com o Brasil seria resultado de uma nova visão. Os americanos estariam percebendo segurança como diversidade de fontes de energia e, também, de países supridores. Para nações pobres, como as da América Central, argumenta Canuto, o etanol aparece como uma oportunidade de desenvolvimento.


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