Usineiros terão que reduzir preço do álcool


Agronegócio

Usineiros terão que reduzir preço do álcool

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Na reunião que terão hoje (06-02) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, os produtores de álcool deverão reafirmar um compromisso de manutenção de preços feito em 15 janeiro com o governo, mas que vem sendo descumprido por alguns usineiros. Isso significa que eles terão de recuar na decisão de elevar os preços do álcool na produção, como ocorreu nos últimos dias. "Alguns produtores exageraram nos aumentos, mas terão de cumprir o que prometeram", diz o proprietário da usina Santa Eliza, Maurílio Biaggi.

Segundo o ministro, foi feito um acordo no sentido de que o preço do álcool jamais ultrapassasse 60% do valor da gasolina, e isso não está sendo seguido. Em São Paulo, por exemplo, essa relação é de 61%; no Rio, de 66%; e em Minas Gerais, 68%, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Rodrigues acrescentou que, antes de qualquer ato de força para exigir que os usineiros cumpram o acordo firmado com o governo, ele tentará convencer os produtores: "A maioria do setor já está convencida da necessidade de cumprir o acordo. A expectativa é de que as coisas aconteçam tranqüilamente, em benefício de toda a sociedade."

Mas os produtores deverão levantar uma outra proposta, apresentada em janeiro pelo governo: manter o preço do álcool hidratado, usado como combustível, abaixo de R$ 0,90 o litro, e do anidro (misturado na gasolina), abaixo de R$ 1,00. Na paridade com o preço da gasolina, justificam alguns usineiros, não há como controlar o preço cobrado pelos distribuidores e postos. Biaggi diz, no entanto, que os sindicatos e associações terão de fiscalizar seus associados. "Não é possível que 30% dos produtores prejudiquem o restante", afirma.

Rodrigues exigirá hoje na reunião de hoje que seja cumprido o acordo fechado em janeiro, quando ficou acertado que o governo reduziria de 25% para 20% a mistura de álcool anidro na gasolina e, em contrapartida, o setor anteciparia a colheita da safra de cana, produziria mais álcool e reduziria as exportações de açúcar.

O presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustível (Sulpetro), Antônio Goidanich, considera um absurdo a política que os governos brasileiros têm adotado em relação ao álcool nos últimos anos. "Os usineiros recebem grandes incentivos para o produto, mas quando aumenta o preço do açúcar no mercado internacional, acabam vendendo açúcar e deixando o país desabastecido de álcool", reclama. Quem acaba pagando a conta dos aumentos abusivos, revela Goidanich, é o próprio consumidor. Ele conta que grande parte dos postos de combustíveis do Estado está deixando de comercializar álcool. "Atualmente, só quem consegue ter um preço competitivo para este produto são os postos que compram de fornecedores que não pagam impostos, porque comprar das companhias é inviável", explica.


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