Agronegócio

Uso de defensivos naturais é menos agressiva na prática agrícola

A lagarta-do-cartucho, que é a principal praga do milho no Brasil, causando perdas na produtividade de até 34%, todos os anos obriga o agricultor a entrar com medidas de controle com o uso constante de inseticidas
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A lagarta-do-cartucho, que é a principal praga do milho no Brasil, causando perdas na produtividade de até 34%, todos os anos obriga o agricultor a entrar com medidas de controle com o uso constante de inseticidas. “A consequência imediata tem sido o desenvolvimento de populações resistentes a esses produtos e a eliminação dos agentes de controle biológico natural”, alertou o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Ivan Cruz, durante o Encontro Técnico sobre Manejo e Controle Biológico de insetos-pragas em milho e soja e Inoculantes e Promotores de Crescimento em Plantas, ocorrido nesta quinta-feira (26/09), na Universidade Federal de Santa Maria, promovido pela Emater/RS-Ascar, com o apoio da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 

Realizado também em Erechim e Palmeira das Missões nesta terça (24/09) e quarta (25/09), respectivamente, o objetivo da rodada de eventos do Encontro Técnico foi fomentar e difundir os conhecimentos relacionados aos defensivos naturais na agricultura, desde a sua prospecção até a sua utilização por produtores. 

Para o pesquisador Ivan Cruz - doutor em Entomologia e um dos maiores nomes da atualidade quando o assunto é manejo integrado com ênfase ao controle biológico, tanto na agricultura convencional como na agricultura orgânica -, é preciso entender que, para o agricultor, além das perdas econômicas pelo alto custo de produção e pela redução em produtividade, há ainda o prejuízo ambiental, na biodiversidade, com o crescimento do uso de inseticidas. 

“Mesmo com o avanço da ciência, mostrando os efeitos negativos dos produtos químicos e com a pressão intensa realizada pela sociedade, os inseticidas ainda são e serão muito utilizados na agricultura mundial”, disse Cruz. 

Apesar disso, Ivan Cruz disse que vários fatores indicam que o controle biológico de pragas tende a crescer em termos de demanda, em nível mundial. 

“A tendência é o aumento no uso do controle biológico em todos os sistemas de produção devido à demanda clara para uso de práticas agrícolas menos agressivas ao ambiente. Para tanto, precisamos repensar a mídia, que mostra tudo, mas não mostra o essencial. Nós não conhecemos a biodiversidade, não conseguimos separar um inseto de uma praga. Precisamos caminhar mais, e essa caminhada é com o agricultor, com a extensão rural, com a pesquisa, com a divulgação das graves consequências do consumo de agrotóxicos, todos juntos”, assinalou o palestrante. 

Para Cruz, o método biológico precisa ser associado, sempre tendo em mente o papel dos agentes de controle natural em restabelecer o equilíbrio no sistema agrícola. “Desta maneira, o método associado ao controle biológico deve receber especial atenção do agricultor”, disse ele. 

Cruz também destacou que uma das principais barreiras ao avanço do controle biológico, “é, sem dúvida nenhuma, baseada fundamentalmente em posições políticas”. “Poucos governos investem o suficiente em pesquisas agrícolas. Os recursos, já escassos, são insuficientes mesmo para a área de entomologia, e mais ainda para os programas de controle biológico. Mesmo que se tenha vontade política, os recursos para as pesquisas em controle biológico são ainda muito pequenos”. 

O pesquisador disse ainda que a conservação é um dos modos mais fáceis para os agricultores iniciarem o controle biológico nas propriedades e deveria ser uma prioridade em um programa visando o aumento populacional de um agente de controle biológico. “Enquanto há práticas que podem beneficiar, outras podem prejudicar a ação dos inimigos naturais. O entendimento da biologia e do ciclo de vida dos inimigos naturais específicos que se pretende conservar é o primeiro passo para se alcançar os melhores resultados”, apontou Ivan Cruz. A palestra de Ivan Cruz também salientou que o controle biológico das pragas, utilizando os recursos da natureza, apresenta vantagens adicionais em relação aos métodos que utilizam a pulverização: não necessita de máquinas e equipamentos de alto custo e, principalmente, não utilizam água, um recurso natural a ser preservado. 

Biofábricas 

A proposta de Ivan Cruz é a de estimular a instalação de biofábricas regionais para multiplicar o controle biológico na agricultura brasileira. “A agricultura pode criar mais uma fonte de empregos e de renda no interior do país”, diz o pesquisador. 

Segundo ele, o controle biológico no milho já tem 17 espécies eficientes. “A Embrapa Milho e Sorgo dispõe de tecnologia sobre a multiplicação e o uso de espécies que controlam diferentes pragas na cultura, principalmente a lagarta-do-cartucho”, relata. 

Conforme o pesquisador, nas biofábricas os custos de produção são pequenos e os lucros podem ser grandes, pois toda plantação está sujeita ao ataque de pragas e seus inimigos naturais são sempre muito bem-vindos. 

“Não é preciso muito espaço, nem equipamentos sofisticados, e a contribuição para uma agricultura mais inteligente e desenvolvida é enorme, visto que, aqueles que se preocupam em preservar os solos, já utilizam o controle biológico em larga escala”, disse. Conforme Cruz, hoje existem 64 biofábricas no Brasil. 
 
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