Uso de inoculante microbiano aumenta rendimento da cultura da soja
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Agronegócio

Uso de inoculante microbiano aumenta rendimento da cultura da soja

Processo é essencial para viabilidade econômica da lavoura
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Para a safra 2012/2013 de soja, o Brasil terá um aumento da área de plantio de 2 milhões de hectares, segundo prospecção divulgada em setembro pela Conab. Somente em Mato Grosso do Sul, segundo projeções da Aprosoja/MS, serão aproximadamente 250 mil hectares de novas áreas com soja, que já começa a ser semeada em outubro no Estado, seguindo o período estipulado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático.

Nessas áreas de primeiro cultivo, o agricultor deve ficar atento a uma atividade essencial para a viabilidade econômica da soja, que deve ser realizada, preferencialmente, no dia da semeadura: a inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio nas sementes. A fixação biológica de nitrogênio (FBN) é um processo em que alguns grupos de bactérias, coletivamente chamadas de "rizóbios", captam o nitrogênio do ar e, após sua redução em formas assimiláveis, é disponibilizado para a planta.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Fábio Martins Mercante, explica que a soja é uma cultura que demanda grande quantidade de nitrogênio e, ao substituir o uso de adubos nitrogenados, a fixação biológica de nitrogênio influencia positivamente a qualidade do solo por evitar diversos problemas relacionados à poluição causada por estes adubos. Além disso, o processo industrial que transforma o nitrogênio atmosférico em amônia demanda por volta de seis barris de petróleo por tonelada de nitrogênio produzido, implicando em grandes quantidades de gás carbônico liberadas para atmosfera no momento da produção do adubo nitrogenado. Dessa forma, a inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio é uma tecnologia extremamente importante para a cultura, de custo baixo, e que melhora a qualidade do ambiente, reduzindo a emissão dos gases de efeito estufa.

"Considerando a baixa eficiência de utilização dos adubos nitrogenados pelas plantas (em torno de 50%, ou seja, quando o agricultor aplica 100 kg de N, 50 kg podem ser perdidos por diferentes processos), seria necessário cerca de 1 tonelada de ureia para se obter uma produtividade de 3 mil kg/ha de grãos, e isso inviabilizaria economicamente o cultivo de soja no Brasil. E a FBN também tem a vantagem de aumentar os rendimentos da cultura, para os produtores que fazem a reinoculação anualmente. No Brasil, as pesquisas mostram que a média de ganhos com a reinoculação, ou seja, a inoculação feita em todos os anos, é de 8%. Em Mato Grosso do Sul, nas últimas dez safras de soja, a média de ganhos obtida com a inoculação realizada anualmente chega a 9%", afirma o pesquisador.

Ao contrário da adubação mineral nitrogenada, que não é recomendada no Brasil, a inoculação microbiana não contamina o solo e os recursos hídricos e ainda reduz a emissão de gases causadores do efeito estufa. Por este motivo, essa é uma das seis tecnologias do Programa Agricultura de Baixo Carbono, criado pelo governo federal em 2010, que fornece linha de crédito para produtores que adotam técnicas agrícolas sustentáveis como a Fixação Biológica de Nitrogênio.

O pesquisador reforça ainda a importância de se associar essa tecnologia a outras práticas, como o manejo no Sistema Plantio Direto (SPD), que propicia as condições para manutenção de níveis de umidade maior do solo e favorece a sobrevivência das bactérias fixadoras de nitrogênio no solo. "Manejos mais conservacionistas, como o Sistema Plantio Direto e a Integração-Lavoura-Pecuária, têm garantido rendimentos muito maiores quando comparados com sistema convencional que envolve aração e gradagem. O sistema convencional afeta a sobrevivência da bactéria, porque a temperatura do solo ultrapassa facilmente 40ºC; as plantas produzem nodulação mais baixa nestas condições e o rendimento da cultura é menor ao longo do tempo. Já os manejos conservacionistas favorecem o aumento da fixação biológica de nitrogênio, a sobrevivência da bactéria, o aumento na nodulação das plantas e no número de células viáveis no solo e, consequentemente, a elevação do rendimento da cultura. Cada vez mais, é necessário realizar o manejo de práticas mais conservacionistas para obter a sustentabilidade desejada", ressalta Mercante.

Processo de inoculação

No caso da soja, a simbiose ocorre com bactérias fixadoras de nitrogênio das espécies Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii, que não ocorrem naturalmente nos solos brasileiros, sendo necessário introduzir esses rizóbios em todas as áreas de produção de soja. Em áreas de primeiro cultivo de soja, o que se recomenda é que a dose do inoculante microbiano seja dobrada, e que o inoculante seja aplicado nas sementes no dia da semeadura. Alternativamente, o inoculante pode ser aplicado no sulco de semeadura, por aspersão, desde que se utilizem doses mais elevadas do inoculante.

"Em áreas tradicionais de cultivo de soja, onde já foram utilizados inoculantes, a aplicação de uma única dose do inoculante nas sementes é suficiente para garantir os maiores rendimentos, uma vez que as bactérias já estão estabelecidas no solo. Contudo, é importante destacar que alguns fungicidas e os micronutrientes cobalto e molibdênio aplicados nas sementes podem afetar a sobrevivência das bactérias fixadoras de nitrogênio", diz o pesquisador, lembrando que a sequência correta de aplicação desses elementos são primeiramente, os fungicidas, depois os micronutrientes Co e Mo e, por último, o inoculante. A mistura destes três componentes, o chamado "Sopão", não é recomendada, porque reduz a quantidade de bactérias e, consequentemente, a fixação biológica de nitrogênio é prejudicada.Para evitar o efeito negativo da aplicação do cobalto e molibdênio sobre as bactérias fixadoras de nitrogênio, o produtor pode realizar a aplicação destes micronutrientes, via foliar, entre os estádios V3 e V5 da cultura da soja.

Parcerias de sucesso

As pesquisas realizadas na área de fixação biológica de nitrogênio na cultura da soja pela equipe da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS) foram iniciadas na década de 1990 e conta com a parceria de outras Unidades da Empresa, como Embrapa Soja (Londrina, PR) e Embrapa Cerrados (Planaltina, DF), além de outras instituições de ensino e de pesquisa, como a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e Unesp-Jaboticabal. "Desenvolvemos os trabalhos em rede, composta por um grupo técnico qualificado, formado por especialistas nesta área de atuação, que tem contribuído significativamente para o sucesso desta tecnologia no País", finaliza.

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