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Valor do saco do arroz desanima rizicultores

Enquanto em 2017 o custo a cada 50 quilos chegou a 49 reais, em 2018 ele ainda não passou de 33 reais


A safra do arroz na região se intensificou nesta semana, depois que o tempo melhorou. Contudo, ela não é tão animadora. Depois de uma colheita recorde em 2017, os números para 2018 não são tão favoráveis, sobretudo, quando se fala no valor dos sacos. Enquanto no último ano os rizicultores faturavam de 45 a 49 reais a cada 50 quilos, ou seja, um saco, neste ano, por ora, a mesma quantidade está custando 33 reais.

Para Alexandre Mondardo, isto está ocorrendo devido a “abertura das portas” por meio do Governo Federal para o grão que vem de fora, de forma especial, dos países do Mercosul. “O valor deles é muito mais baixo que o nosso. A concorrência cresce muito, o que resulta em menor valorização ao nosso arroz”, avaliou Mondardo.

Alexandre, mais o pai Sidnei e o irmão Bruno plantam arroz em 187 hecatres, na localidade de São Bento Alto, em Nova Veneza. O arroz produzido pelos Mondardo vai, em sua maioria, para o Norte do país. Embora o país esteja vivendo uma crise, o rizicultor garante que ela não chega a atingi-los bruscamente. “O que vale para a gente é a produção e o preço. Quanto à produção, não temos muito que fazer, já que dependemos do clima, e em relação ao preço, precisamos esperar o Governo tomar alguma medida para valorizar novamente o grão brasileiro”, destacou.

Equilíbrio climatológico

Nem chuva de mais, nem de menos. Nem uma temperatura muito baixa, tampouco uma alta temperatura. Para que o arroz continue batendo recordes, como em 2017, é preciso um equilíbrio climatológico. Neste ano, durante a floração, em agosto e setembro, choveu pouco, segundo Mondardo, não alagando os terrenos e atrapalhando a germinação do grão. Já quando o arroz estava encaixando, que é a fase de florescer e do grão “encorpar”, choveu muito.

Sobrevivendo de arroz

Hoje Alexandre vive da produção de arroz. Ou melhor, de acordo com ele, sobrevive. “O arroz ainda sustenta, mas ficamos reféns da boa safra. Enquanto tem anos que são ótimos, outros não são”, considerou. Enquanto trabalhadores de indústrias, comércio e afins recebem mensalmente, o rizicultor recebe uma vez por ano. “Já aconteceu de precisarmos pegar financiamentos e não conseguirmos pagar tudo, mas nos anos seguintes, quando a safra foi boa, pagamos o que ficou pra trás e ainda sobrou”, acrescentou Mondardo.

Apoio da Epagri

Um dos apoios recebidos pelos rizicultores na Amrec vem da unidade de extensão da Epagri em Criciúma. De acordo com o coordenador de grãos na extensão rural, Donato Lucietti, é papel da Epagri levar mais conhecimento e informação para os produtores., seja em grãos, prevenção contra pragas e doenças e tecnologia. “Sabemos que a safra depende muito do clima, mas o que podemos fazer para ajudar, nós fazemos”, garantiu Lucietti.

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