Vendas da Case New Holland crescem 5% em 2003
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Agronegócio

Vendas da Case New Holland crescem 5% em 2003

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A Case New Holland (CNH), do Grupo Fiat, fabricante de tratores e equipamentos para agricultura e construção pesada, vive duas realidades distintas. No setor agrícola, comemora o crescimento das vendas nos últimos quatro anos após grandes investimentos e financiamentos do governo federal. Mas, a falta de aplicações em infra-estrutura no País reduz a demanda por tratores e equipamentos para a construção de estradas, o que reduziu as vendas da empresa neste setor.

O faturamento previsto para este ano de R$ 2,3 bilhões, 5% maior do que 2002, o melhor da empresa em seus mais de trinta anos de Brasil, seria melhor caso houvesse equilíbrio nas demandas paras as duas áreas da empresa.

Valentino Rizzioli, presidente da CNH, disse que o setor agrícola é responsável por mais de 80% desse faturamento. "Até mesmo linhas para a construção, como retroescavadeiras e tratores, têm 40% das vendas voltadas para o campo, pois são utilizados para empilhar as colheitas de cana e fazer terraplanagens", disse. Segundo ele, somente em 2003, as vendas de maquinários para a construção pesada tiveram queda de 30%.

Depois de incentivos do governo federal, como o programa Moderfrota, que foi um sistema que permitiu a renovação da frota no campo por meio de financiamento com juros fixos, e linhas de créditos bancários, implantados no final da década de 90, os produtores rurais iniciaram grandes compras de tratores e equipamentos. O mercado brasileiro demandou cerca de 38 mil máquinas agrícolas neste ano e a CNH vai fechar o ano com a produção de 15 mil máquinas para este setor.

Segundo Rizzioli, o Moderfrota, permitiu a renovação de 40% da frota brasileira em quatro anos, com grandes chances dessa renovação chegar a 80% em 2008. Antes do programa, 30% dos maquinários agrícolas tinham mais de 12 anos de uso e 40% acima dos 20 anos. "Isso acarretava em desperdícios de até 15% dos grãos colhidos. Para uma produção anual de 120 milhões de toneladas, esse percentual de perda é similar à produção da Itália." Antes dos programas de financiamento do governo, a demanda por equipamentos no Brasil era de 2.500 por ano durante quase toda a década de 90.

Definida por incentivos e financiamentos, a agricultura brasileira vem gerando, ano após ano, uma onda consistente de crescimento para toda a cadeia produtiva. Entre 1999 e 2002, por exemplo, a frota nacional de tratores passou de 28 mil para 52 mil unidades. Neste mesmo período, segundo informações da CNH, o governo federal liberou cerca de R$ 6,5 bilhões para financiamento de equipamentos. "A safra recorde deste ano, de aproximadamente 124 milhões de toneladas, é fruto deste trabalho e, sem dúvida, representa um orgulho nacional."

Estimulada, a cadeia produtiva agrícola respondeu rapidamente. O país transformou-se em pólo de tecnologia e plataforma mundial de exportações de equipamentos para agricultura e as exportações brasileiras de máquinas agrícolas devem ultrapassar 18 mil unidades em 2003, volume 73% maior que no ano passado. "Criamos com sucesso o Banco CNH, que já é o maior repassador da Finame agrícola no País", disse Rizzoli.

A CNH exporta 25% do maquinário agrícola produzido no Brasil, de um total de 15 mil unidades deste ano. A Argentina é o principal mercado, absorvendo cerca de 15% do volume reservado ao exterior. "Estamos enviando máquinas para 78 países", disse.

Segundo ele a capacidade produtiva da empresa é de 20 mil unidades, entre tratores, colheitadeiras, enfardadeiras, forrageiras, colhedoras de algodão, semeadoras, pulverizadores e plantadeiras.

De outro lado, a empresa vendeu apenas 1.800 máquinas para o a construção pesada no Brasil e exportou outras 700. O mercado brasileiro encomendou 4 mil unidades neste ano, em relação à encomenda de 5.400 de 2002 e 6.000 de 2001. "Como não há investimentos em estradas a demanda cai ano a ano", disse Valentino Rizzioli.

A CNH monta o maquinário para o setor agrícola em Curitiba (PR), onde possui dois mil funcionários e está constantemente contratando. Nessa unidade são produzidas as marcas New Holland e CaseIH. Já a fábrica de Contagem (MG) produz as linhas Case, Fiat Allis, Fiat Kobelco e O&K para a construção pesada. Na unidade, desde 1999, há 500 funcionários, sem perspectivas de contratações, dada a baixa demanda pelos equipamentos.

A unidade mineira opera, desde o início da década, com 50% da capacidade produtiva ociosa. A empresa está exportando quase 35% do que produz, como alternativa para manter a escala de montagem. A falta de investimentos em infra-estrutura tem efeitos imediatos. Segundo informações da empresa, a Associação Brasileira da Indústria de Base aponta para uma queda de R$ 4 bilhões no faturamento dos fabricantes brasileiros de bens de capital neste ano em relação a 2002, quando o setor faturou cerca de R$ 120 bilhões. Cerca de 10 mil postos de trabalho deverão ser fechados.

"O governo é o grande responsável pelos investimentos em infra-estrutura. A falta desses pode acarretar até em prejuízos para o setor agrícola, já que a precariedade das estradas atrasa o abastecimento aos grandes centros e aos portos, com fins de exportação".


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