Vendas da soja ainda não chegam a 5% em Mato Grosso

Agronegócio

Vendas da soja ainda não chegam a 5% em Mato Grosso

Oscilações, ora de alta, ora de baixa, deixam o grão aquém da média histórica
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A volatilidade do dólar, aliada às incertezas do mercado e os altos preços da soja na Bolsa de Chicago, estão atrapalhando o fechamento das vendas antecipadas de soja para a safra 2009/10, em Mato Grosso. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Mato Grosso já vendeu praticamente toda a sua produção colhida na safra 2008/09. Mas, as vendas futuras estão travadas e não chegam a 5%.

“O que já foi negociado da nova safra - 09/10 que ainda vai ser cultivada - até agora está bem aquém dos índices históricos. Deveríamos estar neste momento com pelo menos 30% da próxima safra comercializada”, disse o superintendente do Imea, Seneri Paludo. Segundo ele, comprar insumos a preços elevados sem fixar o preço da soja [no mercado futuro] é algo muito arriscado para o produtor.

Na verdade, de acordo com os produtores, os elevados custos de produção também estão inibindo as compras antecipadas porque as tradings correm risco ao vender uma grande quantidade de insumos em troca de “soja verde”.

“O cenário é de incertezas e neste momento todo cuidado é pouco. Os produtores devem fixar preços com base em uma análise bem feita dos custos de produção. A ordem é ter o máximo de cautela”, afirmou Paludo.

Produtores e analistas consideram a safra 2008/09 “atípica”, devido aos problemas provocados pela crise mundial do último trimestre do ano passado, que refletiu na redução da oferta de crédito e na volatilidade do câmbio.

“O produtor deve estar atento à trajetória do dólar e fazer suas contas com muita atenção”, orienta o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro.

Ele diz que os preços atuais da soja no mercado internacional são bons para os produtores, mas não são a base para o ano que vem. “A cotação em 2010 pode ficar bem menor do que está hoje pelo dólar e preços de Chicago, a menos que tenhamos novas frustrações de safra em outros países, podendo beneficiar os preços. Estamos vivendo um momento pontual de redução de oferta, o que no próximo ano pode não se repetir”, frisou Monteiro.

Segundo ele, as safras norte-americanas e argentina poderão surpreender por um lado ou por outro. “O mercado da soja é incerto e não dá para fazer uma previsão”.

O certo mesmo, na avaliação do diretor da Aprosoja, é o produtor procurar negociar a soja no mercado futuro, “o melhor mecanismo de proteção de preços”.

De uma maneira geral, acrescenta Monteiro, é importante o produtor ter pelo menos parte de seus custos de produção vendidos no mercado futuro. “O produtor tem de procurar ferramentas que diminuam os riscos. O problema, entretanto, é que hoje os produtores estão encontrando dificuldades de travar os preços porque as empresas não estão fazendo a fixação como historicamente vinham fazendo. As trading estão demonstrando pouco interesse”.

Ele diz que os preços estão em “patamares interessantes” para a fixação, mas na prática isso não tem acontecido devido à insegurança das tradings, que entendem que se fizerem a fixação, vão ter custos de margem em função das oscilações dos preços no mercado futuro. “Se a soja subir um dólar, por exemplo, a trading terá de depositar um dólar por saca ou bushel. A empresa tem que dispor de muito capital para travar essas operações, daí a fraca procura pelas compras de soja verde”.

ONTEM - Como noticiou ontem a AgRural, a oleaginosa teve ontem “um dia depois de encarar baixas de aproximadamente 30 pontos, a volta por cima em grande estilo. Embalado por movimentos de correção de traders que haviam achado as perdas anteriores exageradas, o grão negociado na Bolsa de Chicago fechou o pregão com ganhos superiores a 40 pontos nos primeiros vencimentos e perto das máximas. De quebra, a soja emplacou um novo recorde para o primeiro contrato no ano de 2009”.

Depois de subir 48 pontos, o contrato julho/09 encerrou o pregão na cotação de US$ 12,30 por bushel, apenas um ponto abaixo da máxima de de ontem (US$ 12,31) e 4 pontos acima da máxima de segunda-feira (US$ 12,26). O novembro/09 da safra norte-americana ganhou 34,50 pontos e parou em US$ 10,8150. Já o maio/10 da próxima temporada brasileira fechou cotado a US$ 10,6650, em alta de 32 pontos. Bushel é um padrão de medida norte-americano que equivale a cerca de 27,21 quilos.


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