Viveiristas aprovam novos clones de seringueira
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Imagem: Divulgação
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Viveiristas aprovam novos clones de seringueira

O Hevea Pinheiro produz anualmente, em viveiro suspenso, cerca de 100 mil mudas dos clones
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Produtores de mudas interessados nos novos clones de seringueira selecionados pela Embrapa Cerrados (DF) apontam a produtividade e a opção de diversificação como principais as vantagens dos 14 novos materiais comercializados em oferta pública para multiplicadores no final de 2020. Eles estiveram na Unidade em dezembro do ano passado e no início deste ano para retirar os lotes de hastes clonais solicitados e se mostraram animados diante da perspectiva de elevação do preço da borracha natural em 2021.

Produtor, consultor e viveirista na região de Goianésia (GO), Agnaldo Gomes retirou 14 lotes (cada lote corresponde a 10 metros de hastes) de 10 clones. As mudas do clone RRIM 600, o mais plantado no Brasil, correspondem a 70% da produção do viveiro Agro Seringais, sendo o restante dos clones PR 255 e GT 1, algumas das poucas opções até então disponíveis para o Centro-Oeste brasileiro.

Para Gomes, além de serem mais produtivos, o que pode trazer maior rentabilidade do setor produtivo, os novos clones representam um número maior de materiais que podem ser disponibilizados ao mercado. “Teremos condições de trabalhar com menor risco. Quando você tem poucos materiais, o risco (de perdas por doenças) é mais alto”, comenta.

Região tradicional de seringais, Goianésia foi um dos locais onde os clones foram avaliados e selecionados – Planaltina (DF) e Pontes e Lacerda (MT) foram os outros dois pontos. O viveirista acompanhou os testes desde a implantação e verificou que a produtividade superior não é a única vantagem dos novos clones: “Muitos deles têm características desejáveis, como vigor, resistência a pragas e doenças, resistência a quebramento e a possibilidade de produção de madeira. Você consegue agregar muito valor a um projeto observando essas características, além de reduzir custos”.    

Outro aspecto lembrado por Gomes, que acompanha seringais nos Estados do Centro Oeste e em Minas Gerais, é o de que cada material tende a se comportar melhor que outros em determinadas regiões e condições ambientais. “Isso agora será observado em plantios de pequena escala nos próximos anos”, diz. “Espero que os produtores comecem a observar com atenção esses novos materiais atestados pela Embrapa e os testem na propriedade, respeitando as proporções técnicas de acordo com o tamanho da área e com o local do projeto”, completa.

Também com a expectativa de aumento da produtividade dos seringais, José Carlos da Silva, de Santa Rita do Novo Destino (GO), adquiriu um lote de cada um dos 14 clones ofertados. Na Fazenda Laje Verde, propriedade de que é sócio com os irmãos Lindomar e Nilsmar Noronha, 20 hectares são destinados ao plantio de seringueiras RRIM 600 e à produção de mudas desse clone e do TR 01, outro material conhecido no mercado. O Viveiro JLN comercializa as mudas em Goiás, Tocantins, Minas Gerais e na Bahia.

Ele lembra que os sócios conhecem bem o potencial produtivo dos novos clones, pois Nilsmar, assim como Agnaldo Gomes, acompanhou o experimento com os novos clones em Goianésia. A ideia agora é utilizar as hastes dos 14 novos clones no viveiro em virtude da possibilidade de aumento da procura por mudas pelos produtores. “Nosso foco no momento é a produção de mudas, mas podemos utilizar uma parte para a produção (de borracha)”, afirma. 

Depois de conhecer os novos clones ao visitar os experimentos em Goianésia e de obter informações em palestras e congressos, o proprietário do viveiro Hevea Pinheiro, Gilson Pinheiro de Azevedo, de Pedranópolis (SP), decidiu adquirir 10 lotes do clone PB 312, quatro lotes do RRIM 937, dois lotes do PC 119, dois lotes RRIM 713 e dois lotes de RRIM 938. “A ideia é refazermos o jardim clonal e nos adequarmos às exigências legais, utilizando materiais com origem genética certificada”, conta.

O Hevea Pinheiro produz anualmente, em viveiro suspenso, cerca de 100 mil mudas dos clones RRIM 600, PR 255, GT 1, IAC502 e IAC 511 em uma área de 6 ha. As mudas são comercializadas principalmente para São Paulo, principal Estado produtor de borracha natural do País – 66,8% de todo o látex coagulado em 2019, de acordo com o levantamento Produção Agrícola Municipal, do IBGE –, além de Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

O viveirista aposta no sucesso dos novos materiais selecionados pela Embrapa. “São clones que têm um histórico de pré-seleção na Ásia e comprovaram aqui no Brasil que são produtivos. Temos a expectativa de alta produtividade e de dar segurança aos produtores, que vão adquirir material certificado para aumentar a diversidade genética dos seringais”, diz, estimando que o clone RRIM 600 ocupa atualmente pelo menos 80% das áreas dos seringais paulistas.

Azevedo destaca a segurança genética conferida pela Embrapa aos viveiristas e, consequentemente, aos produtores de borracha. “São os materiais que realmente desejamos e isso, aliado às mudas certificadas e registradas, dá segurança ao produtor, que contará com mudas de alto padrão de sanidade, de origem genética e de uniformidade no plantio. As áreas (dos seringais) passam ser mais otimizadas, aumentando a eficiência do heveicultor”, comenta.

O pesquisador Josefino Fialho, que acompanhou a entrega das hastes clonais, destaca a satisfação da Embrapa em disponibilizar os materiais. “Esses clones certamente vão contribuir em muito para a estabilidade da heveicultura nacional, não só pela diversificação clonal nos seringais, mas também pela capacidade produtiva de borracha superior aos clones mais cultivados no País”, afirma. 

Fialho acrescenta que o momento marca a conclusão de uma fase do melhoramento genético da cultura. “Somos muito gratos a esses viveiristas por terem acreditado em nossos trabalhos com a aquisição das hastes clonais para a instalação das plantas matrizes e a produção das mudas enxertadas. Eles estarão contribuindo em muito para o aumento da produtividade de borracha na heveicultura nacional”. 

A previsão é de que as mudas formadas estejam disponíveis aos produtores a partir do início do próximo ano, dependendo das condições do desenvolvimento das plantas matrizes dos viveiristas.

Perspectivas do mercado 

Ao analisar a expectativa do mercado nacional de borracha natural frente à conjuntura de redução da oferta mundial, aumento do consumo e consequente elevação dos preços, Azevedo se mostra animado: “Devemos viver um novo superciclo. A tendência é que o produtor renove os seringais usando genética de alta produtividade e volte a plantar mais seringueiras nos próximos anos”, projeta o viveirista, que é um dos diretores da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor).

“Esperamos que o preço da borracha melhore em 2021. Como já começou a melhorar no final de 2020, acreditamos que haverá maior procura pelas mudas e, consequentemente aumento das vendas”, espera o viveirista José Carlos da Silva. 

Agnaldo Gomes também acredita que os preços da borracha natural vão subir neste ano, impulsionando o aumento da área de plantio da seringueira e, consequentemente, da demanda por mudas. Nesse sentido, ele aponta que os novos clones chegaram em um bom momento. “A heveicultura brasileira estava precisando. O País produz 45% da demanda (por borracha natural) e poderemos chegar mais perto da autossuficiência se os preços alavancarem o plantio de novas áreas”, comenta.

Os viveiristas credenciados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) terão novas oportunidades de adquirir as hastes dos clones recomendados. A Embrapa continuará disponibilizando os materiais durante os meses de novembro a fevereiro de 2021, 2022 e 2023 por meio de ofertas diretas.


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