Voo em que adolescente morreu tinha menino diagnosticado com gripe suína

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Voo em que adolescente morreu tinha menino diagnosticado com gripe suína

Voo em que adolescente morreu tinha menino diagnosticado com gripe suína
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SÃO PAULO - Um menino que foi diagnosticado com gripe suína estava no mesmo voo da Copa Airlines em que Jaqueline Ruas, de 15 anos, morreu durante viagem entre o Panamá e o Brasil, na madrugada de domingo. O menino fazia parte do grupo da adolescente e a doença foi constatada no Celebration Hospital, na Florida, o mesmo onde Jaqueline foi examinada. O garoto foi medicado e teve autorização para embarcar. Após ser examinada e fazer um teste rápido para constatar gripe, os médicos do Celebration Hospital disseram que Jaqueline estava com uma pneumonia leve. Embora não tenham constatado a gripe H1N1 (gripe suína), eles recomendaram que caso ela sentisse cansaço, deveria retornar ao hospital, o que não aconteceu.

A polícia vai apurar se houve negligência . Novos exames foram feitos e o laudo deve sair em 30 dias .

No Panamá, durante uma conexão da viagem de volta da Disney, Jaqueline reclamou de cansaço e entrou no avião de cadeira de rodas. Uma das monitoras da viagem a deixou embarcar, mesmo contrariando a orientação dos médicos.

O diretor da empresa que organizou a viagem, a Tia Augusta Turismo, Luiz Felipe Albuquerque, não soube explicar porque a monitora permitiu que a menina embarcasse. Ele disse que vai pedir ao Ministério da Saúde para que o hospital da Flórida explique os procedimentos médicos adotados em relação a Jaqueline e por que os médicos a liberaram para a viagem, mesmo sabendo que ela era suspeita de estar com a gripe suína. Albuquerque negou que a organização tenha sido negligente na morte da menina. Ele afirmou que, antes de ser levada ao hospital, a menina foi atendida por dois médicos do convênio da agência na Flórida.

O diretor de Portos e Fronteiras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), José Agenor Álvares, disse que se Jacqueline estivesse no Brasil, dificilmente o governo brasileiro deixaria que ela embarcasse em um voo internacional. Ele não quis responsabilizar o governo americano porque, segundo ele, as informações que teve até o momento indicam que o país seguiu o protocolo estabelecido para enfrentar a gripe suína. Todos os passageiros do voo estão sendo monitorados, disse o diretor da Anvisa.

- No nosso caso, há poucas chances da gente deixar embarcar - disse Agenor, lembrando que já houve casos de passageiros impedidos pela Anvisa de entrarem em voos.

O diretor explicou que, no Brasil, a orientação é para que o paciente com suspeita do novo vírus seja medicado e tratado dentro do país. Agenor disse ter sido informado que o teste realizado na jovem nos EUA era um teste rápido. Segundo ele, cerca de 50% dos resultados negativos deste tipo de teste são falso-negativo. O governo brasileiro não descarta nenhuma possibilidade, inclusive a de a moça ter morrido em decorrência da gripe suína.

Um vídeo feito por ela durante a viagem, mostra a garota aparentemente bem, sorridente e mandando beijos para a tia e um amigo no Brasil.

Médico diz que ela pode ter morrido enquanto dormia

A adolescente pode ter morrido enquanto dormia e já estava morta ao ser atendida dentro do avião da Copa Airlines, na viagem de volta da Disney, nos Estados Unidos, segundo o médico Aníbal Fenelon Junior. Primeiro a chegar até a poltrona da menina, depois do pedido de ajuda da tripulação do avião da Copa Airlines, o médico disse que a adolescente estava inerte, fria e não respondia a estímulos.

O corpo de Jacqueline foi enterrado no Cemitério das Lágrimas, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, na manhã desta segunda-feira. A mãe da adolescente desmaiou no enterro da filha e foi levada para um hospital em companhia do marido.

- Ela estava sem pulso, sem batimento, com a cabeça pendida - contou o oftalmologista.

Fenelon Junior explicou que a menina não chegou a pedir ajuda e que a morte pode ter ocorrido bem antes do pedido de socorro.

- Ela tinha uma secreção na boca, que escorreu para a blusa e que já estava consistente. Não dá para dizer que seja vômito, mas estava lá há mais tempo. A morte ocorreu de madrugada, enquando as pessoas dormiam. A adolescente que estava com ela (Jacqueline) na fileira só percebeu quando começou a movimentação para o café da manhã - afirmou o médico.

Fenelon Junior afirmou que nada mais poderia ser feito no momento em que a aeromoça pediu ajuda de passageiros com conhecimento de primeiros-socorros.

- Se ela ainda estivesse mais quente, se tivesse acabado de ocorrer o mal-estar, talvez houvesse alguma chance de reverter o quadro. Naquele momento, nada mais poderia ser feito - afirmou o médico.

Segundo Fenelon Junior, logo após essa primeira constatação, ele e outro médico, o cirurgião Irineu Rasera Junior, colocaram a menina deitada no chão da aeronave, onde foi feita massagem cardíaca.

- Era o único procedimento possível naquele momento. Como não surtia efeito, os demais adolescentes, que acompanhavam a vítima na excursão, começaram a ficar desesperados, a chorar, e achamos melhor levar a Jacqueline para o fundo da aeronave. Ali, continuamos com as massagens, mas sem resultados. Pedimos uma lanterna à tripulação e constatamos que ela já estava com a pupila dilatada - afirmou o médico.

De acordo com a secretaria de Segurança Pública de São Paulo, caberá à Polícia Federal todas as investigações sobre o caso. O médico disse que soube, pela guia da excursão, que a menina passou por dois médicos nos Estados Unidos, e que teve um exame para o vírus influenza negativo.

- A guia confirmou que ela estava com pneumonia, o que leva a supor que houve um processo infeccioso que levou ao choque séptico - contou o médico.

Fenelon Junior diz que apenas exames laboratoriais vão poder indicar se o quadro foi provocado por uma infecção bacteriana ou por uma virose. Os exames foram realizados no Instituto Médico Legal de Guarulhos, na Grande São Paulo.

O médico voltava de Punta Caña, na República Dominicana, para o Brasil e, durante uma conexão, na Cidade do Panamá, pegou o mesmo voo que a excursão de Jacqueline, que voltava de uma viagem a Orlando, na Flórida. Ele explicou ainda que a morte foi confirmada por volta de 5h, depois que todos os procedimentos de reanimação foram feitos. O avião pousou cerca de uma hora depois. Segundo Fenelon Junior, a tripulação conseguiu acalmar os passageiros e, apesar da comoção, o restante da viagem ocorreu sem tumultos.

Garota pode ter sofrido embolia, diz médico

O médico Marcos Antonio Cyrilo, do Hospital Santa Catarina, afirmou que pacientes com pneumonia, como Jacqueline Ruas, não devem fazer viagens longas de avião por causa do risco de embolia pulmonar.

- Uma viagem longa de avião pode favorecer o aparecimento de coágulos de sangue, que se desprendem dos membros e podem chegar ao pulmão. Uma infecção também pode estar relacionada com a formação de coágulos. Essa jovem tinha dois grandes fatores de risco para um quadro de morte súbita - afirmou o médico.

De acordo com ele, a indicação para pacientes com pneumonia, mesmo medicados, é não fazer longas viagens de avião. Mas, segundo Cyrillo, tudo depende das condições do paciente.

- São as condições do paciente, e não as condições do avião, que determinam se ele pode ou não viajar.

O médico explicou ainda que os remédios encontrados na mala de Jacquline eram antivirais, anti-inflamatórios e antimicrobianos, todos usados no tratamento de problemas respiratórios


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