Workshop apresenta resultados da ocupação agrícola em áreas de microbacias de rios

Agronegócio

Workshop apresenta resultados da ocupação agrícola em áreas de microbacias de rios

A Embrapa realizou Workshop para apresentar os resultados do Projeto bacaja
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A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) realizou de 17 de novembro, Workshop na cidade de Extrema, MG para apresentar os resultados do Projeto de Pesquisa na Porção Superior das Bacias dos rios Camanducaia e Jaguari (Projeto bacaja). As pesquisas visaram avaliar   os   efeitos   do   uso   da   terra   sobre   a   hidrologia   e   biogeoquímica   das microbacias dos rios para efeito de   gestão, uso   racional   e   sustentável   dos recursos hídricos, capazes de proporcionar maior embasamento para o desenvolvimento rural e auxiliar as tomadas de decisão de políticas públicas.

Conforme o pesquisador Ricardo Figueiredo da Embrapa Meio Ambiente, o Projeto Bacaja – uma alusão das abreviaturas das bacias dos rios Camanducaia e Jaguari, nasceu da demanda por estudos sobre a ocupação agrícola nessas áreas, como também de avaliação quali-quantitativa dos recursos hídricos, tendo como referência os efeitos do uso da terra em toda a extensão dos rios.

Conforme Figueiredo, que liderou os estudos, as coletas de monitoramento aconteceram de montante para jusante, propiciando ampla investigação no âmbito do projeto, distribuído em nove Planos de Ação (PAs) para caracterizar o uso da terra; características de solo quanto à qualidade e potencial erosivo; estimativas de carbono (CO) e nitrogênio (N) em solos agrícolas e na floresta; realização de modelagem hidrológica, dinâmica de quantidade e qualidade da água quanto a presenças de contaminantes, além de estabelecer cenários de uso da terra e seus diversos manejos que contribuam para um diagnóstico de conservação dos recursos hídricos.

Os resultados potenciais apresentados no evento deverão contribuir para direcionar a agricultura e o manejo das bacias à sustentabilidade. Um relatório de recomendações deverá ser apresentado aos órgãos administrativos, de extensão e representantes das comunidades agrícolas envolvidas.

Conforme explicou o pesquisador da Embrapa, para avaliar as mudanças na hidroquímica fluvial devido às atividades no meio rural, "há que se considerar que a água de um rio retrata a realidade na qual está inserido, ou seja, é determinada por fatores naturais como o clima, geologia, geomorfologia, solos, vegetação e metabolismo aquático, além de outras fontes poluidoras - indústria, esgoto, manejo agrícola, entre outras," disse.

Os estudos demonstraram que os valores de condutividade elétrica (CE) e sólidos totais dissolvidos na água (STD) crescem em pontos situados em áreas urbanizadas no Jaguari, o que indica a presença de poluentes de fontes domésticas e industriais especificamente. O mesmo padrão é seguido pela temperatura, influenciada pela ausência de cobertura florestal na parte mais urbanizada da bacia.
Contudo, em áreas de cabeceira, em córregos próximos às nascentes, em ambientes mais conservados apresentaram as melhores condições, com altos valores, próximos da saturação, de oxigênio dissolvido (OD) e valores baixos de condutividade elétrica e sólidos dissolvidos.

Geografia e área das pesquisas

O rio Camanducaia é um afluente do rio Jaguari, dos estados de Minas Gerais e São Paulo. Nasce no município de Toledo no estado de Minas Gerais e tem sua foz no rio Jaguari, no município de Jaguariúna no estado de São Paulo, tornando-se assim, um rio de domínio da União.
A bacia do rio Camanducaia possui área de 870,68 km², integra em seus limites territoriais os municípios paulistas de Amparo, Jaguariúna, Monte Alegre do Sul, Pinhalzinho, Serra Negra, Socorro e o município mineiro de Toledo, além de ser composta pelos municípios paulistas denominados de borda, sendo estes, Pedra Bela, Pedreira, Tuiuti, Santo Antônio de Posse e Holambra.

Os solos

Estudos realizados na margem esquerda do Ribeirão das Posses, afluente do rio Jaguarí, em Extrema/MG, apontaram que entre os tipos de solo presentes na região, os Cambissolos Hísticos, apresentaram menores perdas por erosão, seguidos dos Argissolos e, posteriormente, os NeossolosLitólicos.

Avaliações de densidade do solo (Ds) em cm/h até a profundidade de 40 cm, juntamente com os valores de K (condutividade hidráulica) e CO (carbono orgânico), permitiram projetar que as perdas totais de solos por ano não são expressivas (39,79 kg/ha e 47.756 kg para toda a bacia com 1.200 ha), mas evidenciaram que as de água, via enxurrada, merecem atenção especial, cujos valores são da ordem de 1.528,56 m3/ha e 1.836.276 m3/ano. Todavia, há necessidade estudos de médio prazo para a obtenção de números mais precisos e que envolve o balanço hídrico de toda a bacia.

De acordo com o pesquisador Marco Antonio Ferreira Gomes da Embrapa, os resultados da pesquisa, embora preliminares, recomendam uma reavaliação do manejo da área de pastagem com a sugestão de implantação de terraços em nível. O terraceamento é indicado pela capacidade de minimizar as perdas de água, via enxurrada, que a princípio são mais expressivas do que as perdas de solo.

O pesquisador explicou que a infiltração mais eficiente da água na área de pastagem contribui não só para o recarregamento do lençol freático, como também interfere de forma positiva no fluxo preferencial em direção ao curso de água do Ribeirão das Posses, área das coletas, tornando seu volume mais estável e uniforme ao longo do ano. Tais ações endossam aquelas propostas pelo Programa Produtor de Água (coordenado pelo município de Extrema/MG), cujo objetivo principal é revitalizar as áreas de nascentes, aumentando assim a oferta de água para o rio Jaguarí.

Topografia, água fluvial e agricultura

Para monitorar a presença de resíduos de pesticidas nas águas da bacia do rio Camanducaia, o pesquisador Robson Barizon da Embrapa Meio Ambiente realizou coletas ao longo do rio e em seus tributários, de montante a jusante. Os resultados apontaram presença de moléculas de pesticidas nas águas, contudo, as amostras estavam em conformidade com a legislação brasileira e não oferecem riscos à saúde humana.

Para o pesquisador, provavelmente o fator que mais contribuiu para a presença destes compostos na água foi o manejo inadequado do solo nas áreas agrícolas, onde são cultivados principalmente milho e hortaliças em áreas de declive acentuado.

Ainda conforme Barizon, de maneira geral, práticas de conservação do solo como o terraceamento e o sistema de plantio direto não são adotadas pelos produtores rurais desta bacia, o que contribui para gerar impactos consideráveis para o meio ambiente, além de reduzir a capacidade de produção destas áreas no médio e longo prazo em razão das perdas de solo ocasionadas por processos erosivos.

Monitoramento da qualidade da água com uso de macroinvertebrados

Também foi desenvolvida uma outra abordagem na pesquisa geral para o monitoramento da qualidade da água das bacias. O biomonitoramento da qualidade da água, por meio da metodologia de análise sistemática da condição e/ou presença de determinados macroinvertebrados. O biomonitoramento pode ser definido pelo uso de organismos vivos ou as suas respostas para determinar a qualidade do ambiente.  Utilizados como medidas de alterações ambientais e/ou da qualidade da água, como riqueza de táxons, índices de diversidade, dominância de famílias, relação entre táxons menos tolerantes e mais tolerantes, por exemplo. A pesquisadora Kathia Cristhina Sonoda da Embrapa explica que por meio do monitoramento das avaliações quantitativas e qualitativas de colonização desses organismos, da presença e/ou a quantidade de determinado organismo, suas associações, são indicativos da condição da qualidade da água.

Conforme destacou Kathia, a pesquisa apontou que "em áreas preservadas ocorreram maior diversidade de organismos da família Perlindae, que são indicadores de boas condições do ambiente e em áreas de maior concentração urbana a predisposição de presença de organismos da família Hirudinea, indicam a condição de degradação do ambiente," completou ela.

Os resultados potenciais apresentados no evento deverão contribuir para direcionar a agricultura e o manejo das bacias à sustentabilidade. Um relatório de recomendações deverá ser apresentado aos órgãos administrativos, de extensão e representantes das comunidades agrícolas envolvidas no processo.


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