La Niña

Ruim para o Sul, La Niña traz “chuvas mansas” e ajuda lavouras no Matopiba

Produtores comemoram La Niña moderado deste ano
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Produtores da fronteira agrícola do Cerrado brasileiro conhecida como Matopiba (situada no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) comemoram o La Niña moderado deste ano, que tem provocado chuvas “mansas e regulares” e pode resultar em uma das melhores colheitas já realizadas na região.

“Das últimas safras, é o melhor clima que já tivemos, está sendo perfeito. Também tem pouca pressão de pragas como lagartas e percevejos e não há relato de ferrugem. Está tudo indo como o agricultor deseja”, diz Altair Fianco, agricultor do município de Uruçuí e presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Piauí (Aprosoja-PI).

O cenário favorável do Piauí se repete no estado vizinho do Maranhão, segundo o presidente do Sindicato Rural de Balsas, Jorge Salib: “As chuvas mansas garantiram a umidade para o desenvolvimento da lavoura e permitiram os trabalhos de campo. Desde o plantio, em novembro, não faltou chuva para nós”.

Fenômeno climático provocado pela redução da temperatura da água no Oceano Pacífico (o contrário do El Niño), o La Niña costuma aumentar a incidência de chuvas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país, enquanto reduz as precipitações no extremo sul – justamente o que aconteceu neste ciclo no Rio Grande do Sul e na Argentina, que enfrentam estiagens. “Pelos próximos dez dias deve ter tempo firme no Matopiba, mas depois a chuva se normaliza. O clima realmente oferece uma boa perspectiva para a safra deste ano por lá”, avalia o meteorologista Luiz Renato Lazinski, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

No ciclo 2016/17, a produção de grãos no Matopiba já havia aumentado 84%, de 6,79 milhões para 12,51 milhões de toneladas (Conab) – mas isso ocorreu, principalmente, porque as três safras anteriores tinham sido duramente castigadas pela seca, em anos de El Niño.

Na safra de 2015/16, lembra o consultor Luiz Carlos Schwingel, de Balsas, a estiagem prolongada reduziu a produtividade para 20 sacas por hectare (menos de metade do normal para a região), levando os produtores ao endividamento. “No ano passado, produzimos em média 47 sacas, mas daí a cotação da soja já tinha caído de R$ 75 para R$ 58 a saca. Se fizermos uma boa safra neste ano, quem sabe dá para esquecer o passado”, afirma Schwingel.

A produtividade dos grãos no Matopiba é menor do que no Sul e no Centro-Oeste, regiões consolidadas para agricultura, porque a cada ano são acrescentadas novas áreas de cultivo, num ritmo de expansão de 8% a 10%. “A gente está em região de abertura de área, quando se anexam terras novas, a média não é tão alta”, explica Altair Fianco. A Aprosoja-PI estima que neste ano o ritmo de expansão da fronteira agrícola será menor, de 5%. Somente no Piauí, diz Fianco, haveria potencial para chegar a 3 milhões de hectares aptos para a agricultura (hoje são cultivados 850 mil hectares).

Na Bahia, maior produtor de soja do Matopiba (com 1,6 milhão de hectares), a expectativa é ultrapassar a média de 56 sacas por hectare da safra 2010/11. Além de soja, o estado cultiva 260 mil hectares de algodão e 140 mil hectares de milho. “Ainda é cedo, mas se mantiver a melhora do potencial das variedades de soja, a gente pode no mínimo igualar ou até superar o recorde. Houve apenas um foco de ferrugem da soja em São Desidério, que foi rapidamente controlado e não se espalhou”, conta Luiz Stalck, técnico da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA). Quanto ao milho, Stalck garante: “nos últimos seis anos nunca tivemos um milho tão bom”.

Nem tudo, no entanto, vai de vento em popa no Matopiba. Jorge Salib, do Sindicato Rural de Balsas, diz que os agricultores ainda estão descapitalizados e reduziram a tecnologia aplicada nas lavouras atuais, utilizando menos adubação e sementes mais baratas. Isso pode limitar a produtividade. E o atraso de 15 dias no início do plantio, em novembro, compromete parte da próxima safrinha de milho. “Não vamos ter tempo nem umidade suficiente. Muita gente vai apenas fazer cobertura para proteção do solo com braquiária ou milheto. E tem ainda o custo elevado para cultivar um hectare de milho com tecnologia, quase R$ 2 mil, e nesse valor é muito risco para pouco resultado”, afirma Salib.

Amanhã, 19/01, acompanhe pela Expedição Safra como está o andamento das lavouras em São Paulo e Minas Gerais.

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