Pecuária

Mais de 35 países manifestam-se contra exportação de gado vivo em ação global

Ação movida nos seis continentes protestará pelo terceiro ano consecutivo
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Na quinta-feira dia 14 de junho, milhares de pessoas em todo o mundo manifestarão repúdio e exigirão o fim das exportações de gado vivo para abate. O protesto é realizado desde 2016, como o dia de conscientização internacional, pela ONG britânica Compassion in World Farming, Animals Australia, entre outras. O Brasil participará neste ano pela primeira vez por meio de parceria com a ONG Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, entre outras organizações. Até o momento, dez cidades confirmaram participação: Rio de Janeiro, São Paulo, Santos, São Sebastião, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, São Luís e Brasília.
 
O Brasil exporta anualmente milhares de bovinos para o Oriente Médio, em viagens de semanas. O Fórum Animal iniciou campanha em 2016 contra essa prática, e neste ano, por meio de sua Ação Civil Pública, o Juiz Federal Djalma Moreira Gomes exigiu vistoria de navio em Santos. O laudo técnico concluiu que eram “abundantes os indicativos que comprovam maus-tratos e violação explícita da dignidade animal, além de ultrapassar critérios de razoabilidade elementar das cinco liberdades garantidoras do bem-estar animal”. Animais estavam alojados sob condições extremamente precárias, com alta densidade de lotação e assistência veterinária quase inexistente (clique aqui para acessar laudo completo).
 
Em função desse parecer, o Juiz suspendeu a exportação em nível federal, que sofreu, entretanto, intervenção da Advocacia Geral da União (AGU), alegando prejuízo econômico para o país, retomando assim as atividades.
 
“As condições dos animais que foram flagradas no Brasil implicam em não cumprimento de padrões mínimos preconizados pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e, quanto à questão econômica, esse comércio não aporta rendimento, tendo baixa taxação, não gerando empregos e não aproveitando número enorme de subprodutos”, afirma Elizabeth MacGregor, diretora-presidente do Fórum Animal.

“Algo precisa ser feito com urgência, não podemos ficar marcados por um mau exemplo”, declara manifesto assinado pelo Professor Dr. Mateus Paranhos, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita filho” (UNESP) e por mais 13 renomados professores pesquisadores de universidades brasileiras (clique aqui para acessar o manifesto na íntegra).

Segundo o economista Glauco Honório, vice-presidente do Sindicato de Agentes Fiscais de Rendas do Estado de SP: “A venda de bois vivos evidencia aumento da exportação pelo Brasil de produtos primários, em detrimento dos industrializados, marca de economias mais desenvolvidas. Navios boiadeiros, que partem para países como Turquia, Egito e Jordânia, funcionam no modo charter — não importa quantos animais embarcam, o custo é o mesmo. Isso explica más condições e quantidade de bois flagrados numa só embarcação, atolados em estrume”.  

Se mortos durante o trajeto, os animais são atirados ao mar, assim como toneladas de dejetos produzidos ao longo da jornada. Além do impacto ambiental, o risco de acidentes é alarmante. Em 2012, ventilação de navio parou de funcionar em alto mar e 2.750 bovinos morreram; em 2015, navio com 5.000 afundou em porto do Pará.
 
Projetos de Lei contra a exportação foram apresentados no Congresso Nacional, na Assembleia do Estado de São Paulo, na Assembleia do Rio de Janeiro, e na Prefeitura de Santos. E recentemente, o Ministério Público Federal posicionou-se publicamente contra essa atividade no Brasil.

Após intervenção da AGU, o Fórum Animal apresentou Recurso na Justiça Federal, que será julgado no TRF3 no dia 11 de julho, visando restabelecer a proibição federal da exportação.

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