Superadensamento do caju triplica a produtividade
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Imagem: Afrânio Montenegro
DESCOBERTA

Superadensamento do caju triplica a produtividade

Estudo no Ceará pode fortalecer a cajucultura na Região Nordeste
Por: -Eliza Maliszewski

São poucos os países que produzem caju no mundo. A FAO lista apenas 28 como produtores de castanha de caju. Os dez maiores são Benin, Brasil, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Índia, Indonésia, Moçambique, Nigéria, Tanzânia e Vietnã. No Brasil, em 2019, foram produzidas 139.383 toneladas de caju. De acordo com o IBGE, mais de 90% dessa produção está localizada em três estados: Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. A produtividade brasileira, considerando a área colhida em 2019, foi de 327 kg de castanha por hectare, o que é considerado muito baixo para o potencial da espécie. 

Um estudo conduzido no Ceará pode mudar esses números. O experimento envolveu o cultivo superadensado de cajueiro-anão e chegou a obter, em dois anos de implantação, o triplo da produtividade média alcançada pela variedade. Esses resultados podem ajudar a expandir a cajucultura no Nordeste usando de tecnologias como fertiirrigação para produzir caju de mesa. A expectativa dos pesquisadores é poder quintuplicar a produção em três anos e chegar a uma produtividade de pelo menos três toneladas de castanha e 27 toneladas de pedúnculo por hectare/ano.

A avaliação foi feita em uma parceria entre a  Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado do Ceará (Sedet) e aFazenda Frutacor, a 160 km de Fortaleza. Foram usados seis clones em  maior adensamento. Foram plantados em 6x2 metros, o que comporta 833 plantas por hectare. No espaçamento tradicional adotado para a cultura, de 7x7 metros, são cultivadas 204 plantas por hectare.  A melhor combinação de clone com espaçamento resultou em uma produtividade de 1.606 kg de castanha por hectare/ano no segundo ano de implantação. Em espaçamento tradicional o cajueiro produz em média 528 kg de castanha por hectare. 

“A intenção é oferecer uma alternativa pouco exigente em água, produtiva e lucrativa para o perímetro irrigado”, explica o pesquisador Afrânio Montenegro, responsável pela pesquisa. O consumo de água pode ser até um terço menor do que o empregado na cultura de banana, por exemplo. 

Agora os pesquisadores querem observar a distribuição da produção ao longo do ano e fazer a análise econômica conforme as safras evoluem. O objetivo é incluir a cajucultura nos padrões da moderna fruticultura, com adensamento, irrigação, menor consumo de água e alta produtividade. 
 


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